Onde foram parar os Pediatras?

Faltam Pediatras no Brasil

Faltam Pediatras no Brasil

O último mês foi especialmente desastroso para muitas mães que, desesperadas diante das enfermidades que acometeram a seus filhos, foram buscar socorro nas Unidades de Pronto Atendimento, espalhadas por este Brasil a fora. Deram com “a cara na porta” porque não havia pediatras. Em vários lugares deste país, a história se repete e não se limita mais aos postos estaduais de atendimento público, e se estende até mesmo a hospitais de renome. O que está acontecendo, e para onde foram os médicos pediatras? O assunto está se tornando muito mais sério do que podemos imaginar. A demanda cresce e o profissional desaparece. Como o Estado não remunera adequadamente ao profissional que levou vários anos para se formar, que despendeu um volume de dinheiro considerável e que não foi fácil ganhar para montar o seu consultório, nas faculdades de medicina este campo começa a ficar estéril.

O número de formandos nesta especialidade se mostra cada vez menor, e os que se dispõem a ir até ao final do curso, o fazem mesmo por amor, sentimento que se afasta cada vez mais da nossa sociedade. O Estado tem a obrigação de prover os recursos necessários, para que haja o atendimento racional e perfeito que garanta a proteção da saúde das crianças deste país. É constitucional e, além do mais existe a Lei Federal de no. 8069/90 para ser cumprida. É o Estatuto da Criança e do Adolescente. Apenas para ilustrar um pouco melhor nosso comentário, no Artigo 4º, parágrafo único, está prescrito que o Poder Público tem o dever de assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação…

Entendendo-se a garantia de prioridade como a primazia em receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Ponto. Causa-me verdadeiro assombro, saber que nada mais nada menos que um bilhão e meio de reais foram desviados da pasta da saúde pública no Brasil, perdendo-se em licitações fraudulentas, projetos que nunca vingam, na falta de objetivos em convênios. Pior ainda, foi saber que o Tribunal de Contas da União não tem poder para reaver dos fraudadores o dinheiro desviado. Nas UPA’S, morte nos corredores, nas ambulâncias paradas defronte aos hospitais públicos pacientes que não conseguem atendimento e muito menos internação, o que demonstra a verdadeira falência da saúde pública neste país. Estou falando das crianças, apenas. Portanto, agora fica fácil para nós entendermos o porquê do desaparecimento dos pediatras dos postos de atendimento, e dos bancos de faculdade. Isto tem que mudar, e rápido.