O Sim e o Não da Família

Grande parte dos jovens vive em eterno conflito com a própria família. Estaria o problema já juventude ou no modelo familiar?

Existem jovens inteligentes e sensatos que percebem que a família é uma necessidade vital. Sabem também que uma coisa é construir uma casa e pôr um casal e alguns filhos nela; outra é construir um lar de verdade. A casa pode abrigar pessoas sem nenhuma ligação. O lar abriga pessoas que, além do sangue, se ligam por laços de afeto puro, bonito e sincero.

Teoricamente, a família deveria ser o refúgio contra os problemas do mundo. Entretanto, milhares de crianças, adolescentes e jovens passam a maior parte do tempo fora de casa, porque a família é o último ambiente em que gostaria de estar, de viver. Voltam para casa contrariados, e sempre encontram qualquer pretexto para sair de lá o mais breve possível. Isto porque não amam seus pais e seus irmãos e, em contrapartida, não se sentem amados por eles. Dessa forma uma das maiores dores da juventude moderna é a própria família : lares desfeitos, em permanente conflito, mães e pais insatisfeitos, gente egoísta, cada um na sua como se diz hoje, pensando em si e ninguém amando ninguém.

A família pode, dependendo do caso, transformar-se num grande e doloroso não. Conflitos e até inimizades entre os pais, entre pais e filhos, entre irmãos; brigas por probleminhas de fácil solução, acusações infundadas, suspeitas, brincadeiras de mau gosto, agressões gratuitas e falta de incentivo são fatores que destroem em não poucos jovens sua crença na vida e nos valores humanos. O desvio atual de muitos jovens teve seu começo nos problemas de relacionamento familiar. E para esses jovens a vida se transformou num grande não.

Trazendo em seu interior a decepção e a insatisfação pela família, milhares de jovens optam por não casar, por não aceitar as propostas da moral familiar que conheceram, desafiando a moral vigente de sua religião e até da sociedade. Escolhem um jeito agressivo e desafiador de viver. Por isso, no comportamento debochado de muitos jovens está quase sempre uma profunda insatisfação contra a própria família. Quando podem ir embora, libertam-se de tudo e de todos. Mas quando não podem, agridem do jeito que sabem os valores mais caros de seus pais e parentes.

Existem também aqueles que se calam e sofrem silenciosos os traumas de cada violência e carregam dores difíceis de serem contornadas, às vezes por toda a vida.