O Que Está Faltando para Salve Jorge Conquistar o Telespectador?

O que falta para Salve Jorge conquistar o público?

O que falta para Salve Jorge conquistar o telespectador?

Antes mesmo de Salve Jorge ser a nova novela da Globo, assumindo o horário nobre, anteriormente preenchido por Avenida Brasil, os noveleiros e a crítica já atentavam que Glória Perez, autora do folhetim, carregava uma grande missão pela frente.

Salve Jorge entra em sua quarta semana e ainda não disse a que veio. O público se apegou muito a Carminha e companhia, e nas redes sociais o assunto da vez ainda tem sido a ausência que a trama faz. Glória e o diretor Marcos Schechtman precisam trabalhar o quanto antes em cima de alguns pontos negativos ou o folhetim deve tender ao insucesso, terminando antes mesmo do previsto.

Na terceira semana de sua novela, Glória Perez se irritou com um seguidor no Twitter que concordou e elogiou a crítica da jornalista Patrícia Kogut, de “O Globo”, que avaliou as novelas de Glória como “duplicações de produções já vistas”. Sem paciência, Perez postou em seguida: “Vão encher o saco do Maneco no próximo Leblon/Helena e do João Emanuel Carneiro nos próximos personagens dúbios/duas mulheres/vingança?”. A autora ainda concluiu que “a depender da intenção, a mesma coisa pode ser chamada de estilo ou de repetição”.

A crítica mantém seu posicionamento quanto ao ato de escrever uma novela: o autor deve se concentrar nos primeiros 20 capítulos, que é quando a trama ganha o público. Os autores Aguinaldo Silva, Benedito Ruy Barbosa e João Emanuel fazem isso muito bem. Como numa espécie de minissérie, os 15 primeiros capítulos são suficientes para fidelizar boa parte do público. A outra parte, não tão fiel, se vê envolvida pela trama assim que se iniciam os clímax. Depois, a novela pode até cair no lugar comum, mas o espectador já está preso à história e aos personagens. O maior exemplo: Avenida Brasil. Fidelizou um grande público de imediato e, mesmo caindo na lenga-lenga de sempre, soube alternar com clímax, daqueles de parar o Brasil na frente da televisão.

Em Salve Jorge isso não tem acontecido. Os índices de audiência atingem média de 31 pontos no Ibope, abaixo da meta que a Globo estabelece para o horário nobre, são reflexo do mau desempenho. Por outro lado, Glória Perez sustenta o seu argumento. A trama tem mais de 80 personagens e, segundo a autora, esse número elevado é parte de sua estrátegia de dar um rumo ao folhetim conforme as personagens vai caindo no gosto popular. A fórmula de Perez já deu certo em alguns casos, como, por exemplo Caminhos das Índias. Será que vai funcionar dessa vez?