O Império da Violência

Ele vem com sapatinho de veludo, suave e sem fazer barulho. Quando você menos espera, está instalado dentro de seu próprio lar, como uma larva depositada e que se alimenta de sua própria vítima. Esta é uma pequena descrição de um império que cresce a cada dia, a cada minuto em todo o mundo, não existindo uma comunidade neste planeta que ele não tenha já alcançado. Há alguns anos atrás, ainda existiam alguns canais de televisão que se abstinham de transmitir imagens que contivessem cenas de violência ou morte, mas, atualmente, isto mudou e agora não só mostram os rostos dos culpados, como também mostram os corpos dilacerados das vítimas.

Alguns mostram, ainda, o exato momento em que o assaltante dispara sua arma contra a cabeça de sua vítima. Além deste canal de penetração da violência em nossos lares, temos um famigerado e poderoso inimigo, já não tão oculto em sites na internet. Baseados em verdadeiras e horrendas tragédias, acidentes, crimes de guerra, assaltos e roubos a mão armada, os jogos de vídeo game agora se inspiram em recentes acontecimentos dolorosos para muitas famílias, e reproduzem as cenas, que todos querem esquecer, nas telas dos computadores, com um realismo de fazer inveja ao inferno. Pode crer, até mesmo a tragédia de Realengo, no Rio de Janeiro, pode se transformar em um “game”, e ir parar dentro da casa de um dos familiares das pequenas e indefesas vítimas de um alucinado, amante de “games” violentos, como o era Wellington. O trabalho gigantesco da polícia do Rio, contra os traficantes dos morros, já foram para as telas dos pc’s e circulam por todas as Lans Houses deste país, e quiçá do mundo. Esta verdadeira praga se alastra de tal forma na alma de seus amantes, que chega a um ponto inacreditável em que uma norte-americana, apaixonada com seus “games”, saiu de órbita quando um de seus filhos de apenas três meses de idade tirou a sua atenção da tela, e o sacudiu com tanta violência que a criança morreu.

 Os aficionados estão se matando diante dos jogos, e isto é literal, na China, por exemplo, um sujeito ficou três dias inteiros sem comer, beber ou dormir por causa de um “game” que bateu as botas. Um jovem nos Estados Unidos, assassino de sua própria mãe, que o havia proibido de continuar com os jogos, teve a sua pena abrandada pelo juiz alegando que o garoto era viciado em “games”. E por aí vai, nossas próprias portas de sala vão sendo abertas para o crescimento do império da violência, e nós não podemos culpar a ninguém, a não ser a nós mesmos. Se o Guarda de Israel não vigiar, em vão vigiam as sentinelas. Que espécie de sociedade poderemos esperar ver nascer, conseqüente desse nosso comportamento de concordar com tudo? Creio que o assunto merece a atenção do Ministério da Justiça brasileiro, sem deixar de lado a imensa responsabilidade dos pais, aos quais cabe definir aquilo que seus filhos podem acessar ou não, pela internet, ou por qualquer outro meio de comunicação. Impossível? Não creio.