O Homem que Queria ser Deus

Quando pisamos neste planeta, pela primeira vez, já encontramos tudo pronto. Não havia a necessidade de se fazer mais nada, nem de se criar mais nada, e tampouco de se modificar alguma coisa. Poderíamos viver perfeita e harmoniosamente com tudo o que já existia, por que fomos integrados a um mundo que já existia antes de nós.

O Homem que Queria ser Deus

Acima de tudo isto, fomos criados à imagem e semelhança do Criador, portanto o que mais poderíamos desejar? Mas, ainda que vendo toda a perfeição da criação, entendendo um pouco das leis da natureza e a sua beleza magnífica, quando nos olhamos no espelho achamos que tem algo em nós que não está tão bom assim. Então, pegamos um bisturi e cortamos um pedaço daqui, tiramos uma pele dali, injetamos um produto estranho acolá e, depois de algum tempo, olhamos novamente no espelho e falamos: “Ainda está um pouco inchado, mas, daqui a pouco vai ficar muito melhor do que era antes!”. Quando nos recuperamos do estrago que fizemos em nós mesmos, saímos às ruas e não deixamos passar despercebido nenhum olhar à nossa volta, para que possamos avaliar o resultado da “nossa obra”, pois “melhoramos” um pouco o que Deus fez.

Dali mais um pouco, e observamos o curso de um rio caudaloso e pensamos conosco mesmo: “Este rio poderia nos trazer um benefício maior se mudássemos um pouco o seu curso natural, bloqueássemos a sua passagem e fizéssemos uma barragem para uma usina hidrelétrica!” Neste diapasão, desenvolvemos novas técnicas para as cirurgias plásticas, para tirar daqui e por ali, para ficarmos “mais bonitos e melhores” do que quando fomos criados, só que isto também já nos cansou e agora colocamos orelhas nos braços – um artista plástico fez isso, não sei por que motivo – e nas costas de ratos, isto também nos é possível fazer. Além do mais, agora não dependemos mais dos espermatozóides que nosso próprio corpo produz, por que recentemente os japoneses descobriram uma maneira de produzi-los in vitro e isto agora se torna em uma preocupação a menos para os homens.

Animais, plantas e até mesmo bebês humanos podem ser criados por meios antinaturais e os louros desta realização são requeridos pelos homens, que não mais glorificam a Deus pela Sua criação. Não precisam mais dEle, assim eles pensam. Agora, procuramos novos planetas para morar por que aqui não está dando mais, estamos à beira de sermos torrados pelo sol, devido ao tamanho do buraco que abrimos na camada de ozônio, e já não há espaço suficiente para a agricultura. Mas, não queremos ser iguais a Deus? No entanto, ainda que tenhamos alcançado grande conhecimento e ciência, nada podemos diante da força da natureza, quando um enorme tsunami devasta todas as nossas construções de concreto armado e aço, como se de papel fossem.

Quando um vulcão explode, salvem-se quem puder e, quando o chão abre e nos engole vivos num baita terremoto, apenas gritamos. Na busca por ser Deus, enviamos algumas sondas para explorar o planeta Plutão, mas, nenhuma delas voltou ou sequer mandou notícias. Ainda há tempo de nos colocarmos em nosso próprio lugar de barro, e não de oleiro. “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura.” Não dá para brincar de ser Deus, esqueçamos isso. É muito perigoso.