O homem é um ser destinado ao saber, pois é o único animal que pensa, raciocina e tem noção que está incluído no mundo. A educação é algo fundamental e necessária para entender o sentido metafísico que o faz pensar, e decorrente desta faculdade exclusiva de todos os seres humanos desencadeiam a criatividade.

A capacidade de decifrar enigmas está em todos os seres humanos, a capacidade de pensar e raciocinar é um atributo adquirido pelo saber, que é a causa de todo o processo educacional. Somente aquele que foi educado, pode alcançar a esta façanha, de um determinado problema encontrar a resposta e a solução, ora, as soluções de todos os problemas estão contidos no mesmo problema.

Um enigma clássico que a está exposto sob a luz da razão começa com a lenda de Édipo e a Esfinge. A Esfinge era um monstro, que a deusa Juno enviara a Tebas, por achar-se irritada com os tebanos. Este monstro tinha a cabeça e o peito de uma jovem, garras de leão, corpo de cachorro, cauda de dragão e asas de pássaro. Fantástico não é mesmo? Este personagem lendário supostamente ficava às portas de Tebas, e saía para atacar os viajantes, e propor-lhes enigmas difíceis, estraçalhando aqueles que não conseguiam a resposta desejada.

O enigma proposta pelo monstro era o seguinte: “Qual é o animal que tem quatro pés pela manhã, dois ao meio dia, e três à tarde?” A Esfinge perderia vida desde que alguém muito sábio pudesse decifrar o enigma. Muitas pessoas já haviam morrido vítimas do monstro, e a cidade vivia sob constante vigilância com medo do perigo.

Mas houve um homem chamado Creonte, que assumiu o governo de Laio, anunciou que entregaria a mão de sua irmã Jocasta, viúvo de Laio, e sua coroa, aquele livrasse Tebas das ameaças do monstro. Édipo apresentou-se para tentar decifrar o enigma: disse que o animal era o homem, que, em sua infância, portanto pela manhã da vida, sustentava-se com os pés e as mãos; ao meio-dia, na faze adulta, firmava-se sobre os dois pés; mas, à noite, ou seja, na velhice, tinha a necessidade de uma bengala supondo uma terceira perna. A Esfinge desarvorada lança-se pelo precipício e morre. Sob este fato mitológico, se pergunta: o que é então o homem?

Um dos pensadores mais influentes na área do saber, Pierre Teilhard de Chardin diz o seguinte: “Pela expressão fenômeno humano entendemos o fato experimental da aparição, em nosso Universo, do poder de refletir e de pensar.” Somente numa época relativamente recente, a espontaneidade e a consciência conquistaram sobre a Terra, na zona da vida tornada humana, a propriedade de isolarem-se diante de si mesmas. O homem sabe que sabe. Ele reflete, pensa e raciocina o mundo em derredor.

A ciência ainda não chegou a uma conclusão definitiva de onde o homem teria surgido, hipóteses acerca de que teria surgido do macaco, mas existe outra perspectiva interessante é aquela que coloca o homem ante as dimensões do universo, como faz o escritor Camilo Flammarion em sua obra Astronomie Populaire. Diz ele: “O universo visível, com seus cem milhões de sóis, representa apenas uma pequena parte infinitesimal do universo total, infinito; é uma vila numa província, ou menos ainda; por outro lado, milhões de anos ou mesmo milhões de séculos por que ensaiamos exprimir o desenvolvimento progressivo das nebulosas de sóis e dos mundos, representam apenas um instante rápido na duração eterna.”

Existe toda uma problemática que envolve o universo como tentativa de explicar a existência humana, o cosmo que se apresenta como infinito e com seus milhões de sóis, as teorias recentes demonstram que o universo é finito, que depois do universo está o caos, a desordem para os antigos gregos; o caos é uma grandeza em que a razão humana não consegue contemplar ou até mesmo imaginar. O caos aqui mencionado está fora dos limites supremos da imaginação.

Estas contemplações ajudam-nos a compreender verdades ainda desconhecidas a respeito da criação de todas as coisas, mergulhar nesse mundo de descobertas, desperta a imaginação para o senso criativo, de explorar e decifrar os enigmas que envolvem a nossa existência, perguntas filosóficas ainda persistem: “de onde viemos e para onde vamos?” Os físicos tentam explicar a matéria e suas formas, os cientistas de como o cérebro funciona. Não é de se estranhar que a maioria dos homens morre sem duvidar destas grandezas, sem ao mesmo sonhar a magnífica realidade que envolve o conhecimento do Cosmos.

Mas se pergunta o que é o homem diante da natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um meio entre nada e tudo. O mistério acerca da vida humana é ainda inexplorado, o homem é um abismo de mistérios, apenas com a visão de alguns pensadores, conseguimos desfrutar de um mínimo destas questões que envolvem a nossa existência e nosso ser.

Assim como escreve Pascal: “O pensamento faz a grandeza do homem. O homem é apenas um caniço, o mais frágil da natureza; mas é um caniço pensante”. Cogito, ergo sum. Penso, logo existo – diria Renè Descartes. O pensamento revela a existência do homem a si mesmo. Podemos duvidar da existência do mundo exterior, assim como adverte Descartes que o mundo externo é apenas um sonho, uma alucinação. Mas, se duvidamos, pensamos, pois para duvidar e necessário pensar; e, se pensamos, existimos como ser pensante.

Há idéias divergentes com o pensador dinamarquês Soren Kierkegaard propondo o seguinte: “Penso, logo não sou”, pois o pensamento humano se caracteriza fundamentalmente pela capacidade de colocar problemas. E o problema decorre exatamente do fato de o homem viver numa situação contingente. Segundo Kierkegaard, o homem constitui de um ser inacabado, que está em constante formação, o homem só deixa de conhecer quando morre.

Contemplando a uma resposta mais plausível o homem é, permanentemente, uma composição de sua natureza manifestada espontaneamente, e de suas idéias elaboradamente assentados. Somos, assim, em parte a expressão do que em nós está impresso pela natureza do nosso ser, e de nossa constituição, mas de outra parte somos igualmente o fruto daquilo que idealizamos ser. E aceitando estas considerações, podemos assumir uma nova consciência em relação ao homem e sua formação, impor no espírito a busca por novos conhecimentos é dar um passo adiante, em relação aos primórdios da humanidade, hoje podemos nos orgulhar com os níveis de informações que possuímos, recebemos uma educação de acordo com as nossas expectativas, ao contrário, dos medievais, principalmente, a educação era restrita somente aos nobres, ou aqueles que ingressavam na vida monástica.

A educação, do ponto de vista histórico, consiste no conjunto de técnicas e valores de uma cultura, que são transmitidos de maneira institucional às novas gerações. O problema começa a ser pensado quando passamos a ter noção do que o homem tem feito de si mesmo, no decorrer da História. Mas o homem de hoje não possui as mesmas características do homem medieval, assim como a mentalidade do mundo grego em relação aos orientais, da maneira de pensar dos romanos em relação com o Renascimento. Cada período da História apresentou um ideal predominante de educação, o que vale dizer, que em cada momento da História o homem procurou construir-se a si mesmo dentro de um ideal diverso.

Assim como as diferentes culturas, manifestam uma maneira inversa de expressar a herança de sua educação, e em vários níveis de manifestação como as civilizações do antigo oriente estavam dominadas pelo espírito do pessimismo, fundado na convicção da fatalidade. O culto religioso parecia à única evasão da submissão a todas as forças da natureza, e os caprichos dos soberanos e dos que tinham na força o argumento do poder. O sentimento de escravidão conduzia o homem a um misticismo do desprendimento absoluto, da atitude de mortificação da vontade, da negação do mundo. A felicidade estaria em não desejar, em não possuir vontade alguma, e fugir assim aos ciclos dos padecimentos a que se sujeitavam todos os que ousavam alguma coisa do mundo.

Portanto, a civilização grega passou a apresentar uma nova valorização do homem, procurou conciliar a convicção da fatalidade com o sentimento da liberdade. O homem grego, de um modo geral, tem o sentimento de que não lhe cabe o sucesso, pois o sucesso depende, para ele, do capricho dos deuses; ao homem cabe o esforço, aos deuses – o sucesso.

O homem grego não acreditava na fatalidade. Cultuava a fama assim como a vitória moral, há assim, um sentido de dignidade e de nobreza na concepção do homem grego, desde o período homérico, sendo que este testemunho dos primeiros tempos históricos da Grécia marcou os ideais da educação grega nos seus períodos posteriores.

A filosofia que é fruto do solo grego, conhecido também como o milagre grego, elaborou uma nova visão do mundo e da natureza de uma forma geral, o homem mais uma vez entra na sua concepção reflexiva, agora o antropos é uma preocupação essencial dentro da filosofia que caminha em direção do senso crítico e reflexivo de todas as coisas. Este é o verdadeiro legado cultural, que envolve toda a manifestação de educação e criatividade que os gregos nos deixaram. Assim como escreve Ravaisson, a filosofia deu um novo sentido de dignidade, um passo de liberdade, o desejo supremo de conhecer os princípios universais diretores da ordem do universo é o mesmo desejo de ser livre, que, desta forma, na contemplação deste princípio, desliga o homem da prisão do simples imediato, e lhe dá a experiência da liberdade na medida em que ele consegue compreender a realidade, consciente de sua posição no cosmos.

A História toma um novo rumo. A civilização romana foi à civilização do Direito. As primeiras povoações romanas forma constituídas de lavradores: a vida no campo, o trabalho junto à natureza, a paciência diante das variações de clima, a humildade diante das incertezas da colheita, tudo isto contribuiu para a formação de um caráter vigoroso, marcado pela sobriedade, simplicidade e persistência.

Quando se realizou o desenvolvimento cultural romano no setor intelectual, o homem romano haveria de informar este desenvolvimento no sentido de uma especulação que atendesse a este espírito de justiça e equidade: da conjunção destes dois elementos surgiu este monumento da cultura, que é o Direito Romano.

Na Idade Média, por longos séculos, procurou conduzir o homem para seu destino sobrenatural. Crescia uma preocupação com a salvação do homem, esta idéia defendida pelo cristianismo. E isto fez com que a atenção do mundo cristão se deslocasse da idéia de Deus para a idéia de homem. A princípio, o culto de Deus centralizava tudo, e a salvação do homem seria uma conseqüência.

O Renascimento aparece, com um novo modo de pensar as condições do mundo, deixando para trás as aberrações medievais, em que o homem não podia expressar sua criatividade pela censura vingativa da Igreja Católica. É no Renascimento que há uma verdadeira rebelião contra o sobrenatural, ao mesmo tempo em que se firmava a confiança nas forças exclusivas da natureza humana. O homem pensa, então, em construir sua salvação num plano meramente natural e não sobrenatural. O primeiro passo é a exaltação da razão humana, a crença que a razão humana possui poderes ilimitados de criatividade.

Após este rompimento com a idade das Trevas, assim considerada por alguns eruditos, o que foi a Idade Média, reacende uma nova visão dentro do mundo intelectual que é marcado pelo Renascimento, que favoreceu a cultura e ao progresso da criatividade que viria a trazer uma nova forma de contemplar o mundo.

A educação renascentista voltada para o prático viria a desempenhar a tecnologia. A crença nos poderes ilimitados da razão desenvolveu máquinas que pudesse substituir todo o esforço humano. A educação caminha para as novas invenções que pudessem favorecer a vida do homem. Sobretudo, na Idade Média se cogitava a construção de uma máquina que deixasse de lado o árduo trabalho do homem para gozar da liberdade e do lazer.

Rompendo com a grade curricular, agora um pouco defasada para o progresso educacional que o Renascimento despertou nas mais variada classes, o trivium e quadrivium foram extintos, a ciência ocupa um lugar especial e novas áreas do saber surgem facilitando e favorecendo o os níveis da criação humana.

As escolas públicas surgem e todas as pessoas possuem o acesso ao saber, surgem grandes pensadores que torna mais acessível o saber, a exemplo de Voltaire e Diderot, que compuseram as primeiras Enciclopédias. O uso do latim colocado em segundo plano, a educação era mais acessível na língua vernácula. O Renascimento trouxe uma nova perspectiva no desenvolvimento cultural que reflete até na Era Contemporânea, abrir os olhos da razão, para a criatividade e o interesse educativo para mentes brilhantes despertou um pouco tardio, o que poderia ter começado bem antes, se não tivesse o intrometimento da Igreja, que estava voltada para a salvação do homem, deixando escondidos os poderes criadores da razão humana.

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