O Físico Hawking alerta sobre os riscos que envolvem nosso ego

Falando como se fosse o Profeta Nostradamus, o respeitado físico britânico Stephen Hawking afirma que “Será difícil evitar desastres nos próximos cem anos, sem falar nos próximos mil ou milhão de anos. Nossa única chance de sobrevivência em longo prazo é não permanecer aqui na Terra, mas nos espalharmos pelo espaço”. A declaração é do renomado físico britânico Stephen Hawking, conhecido por obras como “Uma Breve História do Tempo” e “O Universo numa Casca de Noz”. Hawking defendeu a emigração do planeta em uma entrevista concedida Segundo o cientista, a sobrevivência da humanidade até hoje “foi apenas uma questão de probabilidade”, já que diversos eventos poderiam resultar em catástrofes mundiais, como a crise dos mísseis de 1963. Ele afirma que a frequência desse tipo de evento crescerá com o passar do tempo e que só sobreviveremos se conseguirmos evitar desastres pelos próximos dois séculos e passarmos a nos espalhar pelo espaço.

Ocupando desde 1979 a cadeira que foi de Isaac Newton na Universidade de Cambridge, Hawking é considerado um dos que mais contribuem para os estudos de buracos negros. Portador de uma rara doença degenerativa que paralisa os músculos, o físico se locomove por meio de uma cadeira de rodas e se comunica com um sintetizador de voz. É defensor de idéias como a de que um dia será possível viajar no tempo, avançando anos em alguns dias, embora despreze a teoria de viagens ao passado.
No início do ano, ele disse que o ser humano deve evitar contato com formas de vida alienígena, se estas existirem, uma vez que não há a certeza de que elas seriam amigáveis. “Se os alienígenas nos visitassem, as consequências seriam semelhantes às de quando Colombo desembarcou na América, algo que não acabou bem para os nativos”, afirmou em uma série de documentários exibidos no Discovery Channel.
Em entrevista ao próprio site Big Think, responsável pela entrevista com Hawking, a astrofísica da Universidade de Michigan Katherine Fresse ressalta que com a tecnologia atual não há qualquer possibilidade de a humanidade encontrar outro planeta para habitar. “A estrela mais próxima da Terra é a Próxima Centauri, que fica a 4,2 anos-luz de distância. Ou seja, se você fizesse uma viagem à velocidade da luz, seriam necessários 4,2 anos para chegar lá”, disse.

Como a velocidade máxima que o homem consegue viajar atualmente chega a um décimo milésimo da velocidade da luz, o trajeto levaria cerca de 50 mil anos, isso se fossem utilizados foguetes de combustível químico similar aos utilizados na missão Apollo. Mesmo que alguém sobrevivesse por 50 milênios, a radiação cósmica acabaria sendo fatal, explicou a astrofísica.
Caso a ciência supere esses entraves, a orientação de Hawking poderia ser seguida. “Uma viagem de cinco anos à velocidade da luz pode fazer um astronauta avançar 1000 anos terrestres”, disse Katherine ao Big Think, “Se ele quisesse, ainda poderia ver se os seres humanos ainda estão por aqui”.
Confira a declaração de Stephen Hawking na íntegra:

“Eu vejo um grande perigo para a raça humana. Houve vários momentos no passado em que a sobrevivência foi apenas uma questão de probabilidade. A crise dos mísseis de 1963 foi um deles. A frequência de eventos como esse deve aumentar no futuro. Teremos que ter cuidado e juízo para lidar com todos eles com sucesso. Mas sou otimista. Se pudermos evitar desastres pelos próximo dois séculos, nossa espécie estará segura, assim que nos espalhamos pelo espaço.
Se formos os únicos seres inteligentes na galáxia, devemos assegurar nossa sobrevivência e continuidade. Mas entramos em um período cada vez mais perigoso de nossa história. Nossa população e o uso que fazemos dos recursos finitos do planeta Terra estão crescendo exponencialmente, junto com nossa capacidade técnica de mudar o ambiente – para o bem ou mal. Mas nosso código genético ainda carrega os instintos egoístas e agressivos que garantiram nossa sobrevivência no passado. Será difícil evitar desastres nos próximos cem anos, sem falar nos próximos mil ou milhão de anos. Nossa única chance de sobrevivência em longo prazo é não permanecer aqui no planeta Terra, mas nos espalharmos pelo espaço. Fizemos progressos memoráveis nos últimos cem anos. Mas se queremos continuar além dos próximos cem anos, nosso futuro é no espaço.