O Espetáculo da Aurora Boreal

A aurora boreal sempre atraiu a atenção das pessoas. Os indígenas da Escandinávia já tentavam explicar a ocorrência das luzes coloridas no céu, atribuindo o fenômeno a manifestações de sinais divinos, de espíritos de antepassados e até de forças do mal.

Aurora Boreal

Aurora Boreal

Hoje a ciência ainda não desvendou por completo a aurora boreal, mas já se sabe que ela tem como matéria-prima a imensa quantidade de partículas atômicas que o Sol lança. Essas partículas são elétrons, prótons e partículas alfa. Juntas, elas compõem o chamado vento solar, que chega à Terra e também a outros planetas. O vento solar leva muito mais tempo para chegar ao nosso planeta que a luz do Sol. Enquanto a luz atinge a Terra em 8 minutos, o vento solar demora cerca de três dias para fazer o mesmo caminho até nós.

Quando as partículas atômicas se aproximam da Terra, chocam-se contra a atmosfera, se dispersam e são atraídas de imediato pelo magnetismo dos pólos terrestres, sendo rearrumadas em seguida em forma de anéis ao redor das regiões polares. O impacto do vento solar contra os gases da atmosfera causa a liberação de energia em forma de luzes coloridas. É um processo parecido com o de emissão de imagens nos tubos de televisão. A aurora boreal também ocorre em Saturno, Marte, Vênus, Júpiter e até em luas de Júpiter. Vênus não possui campos magnéticos, mas as partículas de sua atmosfera são ionizadas pelos ventos solares, o que torna possível a ocorrência do fenômeno.

No nosso planeta, a aurora boreal ocorre geralmente a uma altitude de 200 km, em média. A cor mais comum que as luzes apresentam é verde, devido aos átomos de oxigênio que são emitidos nas altas camadas atmosféricas. O oxigênio também é responsável pelos tons vermelhos e alaranjados. Camadas mais baixas da atmosfera são envolvidas no fenômeno quando o vento solar é mais intenso. Nessas altitudes menores ocorre a emissão de átomos de nitrogênio, o que resulta em colorações entre o azul e lilás. Às vezes a aurora boreal é uma névoa de apenas uma cor, outras vezes todas as cores podem ser vistas ao mesmo tempo, e o céu fica riscado de vermelho, laranja, lilás e verde. Pode se apresentar em forma de arcos, raios, faixas extensas ou véus. Às vezes movem-se lentamente, como uma cortina, outras vezes parecem pulsar.

Ao mesmo tempo em que acontece no Pólo Norte, o fenômeno está ocorrendo também no Pólo Sul, onde é chamado de aurora austral. O nome aurora boreal foi dado às luzes do Norte por Galileu, em 1619. A expressão original é Aurorae borealis, que homenageia Aurora, deusa romana do amanhecer, e o filho dela, Bóreas, que representa os ventos do norte. Um século mais tarde foi a vez do navegador inglês James Cook batizar de aurora austral o fenômeno luminoso que testemunhou durante sua circunavegação global, ao cruzar pela primeira vez o Círculo Polar Antártico.

Quanto maior a intensidade da erupção solar, mais intenso é o vento solar que atinge a atmosfera terrestre e mais amplo a abrangência da aurora boreal em torno das regiões polares. Nesse caso, o fenômeno pode ser observado a latitudes mais baixas. Os melhores meses para aqueles que desejam visitar regiões onde a aurora boreal acontece são os meses de fevereiro, março e outubro. Alasca, Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega e Finlândia são os destinos mais recomendados para quem deseja apreciar o fascinante espetáculo das luzes do Norte.