Nietzsche e a Crítica da Arte

É a partir do rompimento com Wagner e Schopenhauer que Nietzsche busca fazer uma crítica ao tom metafísico com que a arte comumente aparece – sobretudo durante o romantismo – e estabelece os procedimentos sob os quais o trabalho artístico deveria ser realizado, não para suprir ou gerar uma necessidade metafísica, mas, ao contrário, revitalizar e intensificar a beleza contida na própria vida, que fora há tempos posta no esquecimento em virtude da vontade do inexistente, da tentativa de sobreposição do empírico pelo imaginativo. Para isto seriam necessários hábeis artistas, com os olhos treinados e a ousadia para observar o mundo e o homem e retratá-los como são de fato.

Remanescentes dos sistemas religiosos e metafísicos, o descontentamento com o mundo, o homem e o corpo fizeram-se evidentes na produção artística, que surgira como porta voz dos idealismos, apresentando ao mundo tudo aquilo que ele nunca poderá ser, mas deveria. Neste sentido, “a arte torna suportável o aspecto da vida” (HHI 146), uma vez em que a veste de uma conotação depreciativa e surge como uma bela utopia ou uma alternativa. Tal maneira negativa de posicionar-se em relação à vida é evidente nas religiões ocidentais, que se caracterizam pelo ascetismo e culto à morte.

Nietzsche critica o fato de o talento dos artistas ser atribuído a causas supersticiosas, quando, na verdade, deve-se ao procedimento utilizado por eles para o aprimoramento das habilidades artísticas e a perspicácia para produzir, compilar e selecionar os melhores dentre seus trabalhos. Contudo, é necessário, também, um mínimo de perspicácia para criar aquilo que resulte em um forte sentimento nas pessoas, a um nível tal em que utilizem de tal arte como refúgio do mundo.

Vê-se a necessidade da adoção de um método para a produção artística, tanto para o aprimoramento do engenho artístico quanto para o afastamento da idealização metafísica na produção.