Negócio novo, problemas de sempre

Tudo que esta no início possui duas forças totalmente opostas que ficam em nossa mente brigando entre si: a empolgação e a noção das dificuldades. Quando resolvemos mudar de emprego, por exemplo, vem a empolgação pela novidade e o “medo” do desconhecido. Quando vamos viajar para longe, ficamos animados com a viagem mas receosos sobre ‘o que vamos encontrar lá, será que vai dar certo’, etc. Igualmente, quando resolvemos montar um negócio, ficamos eufóricos com as possibilidades mas com aquele frio na espinha: será que vou dar conta? Será que vai dar certo?

Conheci uma pessoa absolutamente visionária em uma pequena cidade, alguém que pensava como se morasse num grande centro a vida toda – apesar de nunca ter nem mesmo visitado um. Essa pessoa, um jovem senhor, percebeu que um armazém fazia falta em sua pequena cidade; um armazém geral, destes onde encontramos de grãos até pregos. E resolveu montar um. Se informou sobre os procedimentos legais e contábeis, conversou com possíveis fornecedores, com a vizinhança em si e fez o cálculo até de quantos paletes ia precisar. Assim, com a cara e a coragem, resolveu criar o primeiro armazém da cidade.

Coragem é só o começo

Montar-o-próprio-negócio-toma-um-pouco-de-nosso-tempo-e-requer-bastante-atenção-especial.Montar um negócio requer, sim, uma grande dose de coragem. Afinal, a concorrência é rápida e, muitas vezes, ela chegou na nossa frente. E aquela que chega depois vem repleta de novas ideias (ao menos deveria, se os proprietários realmente quiserem ganhar mercado). É um ambiente feroz e impiedoso, que requer atenção constante mesmo aos domingos e feriados santos, tanto nos clientes quanto nas tendências e na concorrência em si.

Mas coragem, realmente, é só o começo. Montar um novo negócio requer, sobretudo, informações. Muitas informações. A primeira delas é: “um negócio como o meu tem chance de prosperar na cidade onde pretendo montá-lo?”. Porque não adianta abrir uma loja de bolsas de grife numa vila rural com 2.000 pessoas – elas não são um público com hábito (nem orçamento) para consumir aqueles produtos numa quantidade que mantenha o caixa da loja.

O jovem senhor do nosso exemplo começou d maneira correta: percebeu uma deficiência comercial em sua cidade e viu aí uma oportunidade. Em seguida investigou todos os procedimentos necessários, quanto gastaria no total para montar seu negócio e se haveria como manter o armazém suprido e um fluxo de caixa adequado (quando pesquisou junto aos moradores para ver se havia demanda para um negócio como aquele). Onde era possível, ele economizou (por exemplo, comprar paletes usados ao invés de novos, que têm uma grande diferença no preço). Vendo que tudo se encaixava, como se lê na internet, “foi lá e fez”.

É preciso calcular

É-preciso-ter-cautela-e-inteligência-nos-investimentos-do-próprio-negócio.Mas coragem e informação não são os únicos requisitos: também é preciso capital inicial. Afinal de contas, abrir uma empresa de qualquer tipo custa dinheiro! Mas quanto? Depende da natureza da empresa, do número de funcionários, da pré-existência de um local para montá-la ou não (você já tem um imóvel? Ou vai precisar alugar/comprar um?), entre outros. Os custos fiscais você descobre com um contador, mas para saber sobre a estrutura de que você vai precisar, uma boa conversa (ou mesmo um curso de empreendedorismo) em instituições como o Sebrae é o ideal.

É importante levantar todas essas informações ANTES de montar seu negócio. Muitas pessoas, na pressa e na empolgação, abrem a empresa sem estudo prévio de custos de abertura e de manutenção, nem de fluxo de caixa, e acabam tendo que fechar a empresa com um ano ou menos porque o dinheiro que entrou não foi suficiente para cobrir os gastos mensais – às vezes não cobrem nem os investimentos iniciais para abrir a empresa, tamanha foi a desorganização.

Como se diz, “o primeiro passo para uma boa continuidade é um bom início”.