Monografia: o monstro dos graduandos

Quem está na segunda fase da graduação já deve ter parado, pelo menos uma vez, pra pensar na monografia – e a maioria deve ter ficado meio assustado. Afinal, é um trabalho rigoroso, com caráter científico e cheio de regras enjoadas e mega detalhadas que ninguém sabe muito bem como fazer. E aí começam as assombrações, pesadelos e pitacos de palpiteiros que talvez entendam tanto quanto você nesse momento: muito pouco.

Mas a verdade é que uma monografia não é esse dragão de sete cabeças que pintam por aí. Na verdade, ela pode ser até divertida de se fazer! Ela é como qualquer outro trabalho que se deve apresentar durante a graduação – lembre-se dos seminários. Eles também tinham várias regras de formatação, não é? Ela talvez não esteja tão distante disso, como você já vai ver.

O tema ideal

A-liberdade-para-trabalhar-com-a-monografia-diferencia-ela-de-qualquer-outro-trabalho.Ao contrário dos seminários, a monografia costuma dar mais liberdade quanto ao tema. Nos seminários, o tema normalmente era determinado pelos professores, você gostasse ou não; já na monografia, é você quem escolhe a idéia central, e o professor orientador poderá dar dicas sobre o enfoque que você dará sobre aquele tema – mas a idéia central é a sua. Ou seja, você vai fazer um trabalho sobre um assunto do qual você gosta. Já começou a melhorar, não é?

Uma monografia é um trabalho com rigor científico mas que será feito num prazo curto – ou seja, você não terá tempo suficiente para grandes experimentos, nem para a análise de um volume muito grande de dados. Assim, quando escolher o tema, pense num trabalho que possa ser realizado no prazo padrão de seis meses; caso você consiga iniciá-lo mais cedo (por exemplo, no semestre anterior), tanto melhor, pois você poderá encorpá-lo mais.

Vamos dar um exemplo: você quer falar sobre os impactos sócio-ambientais da extração de minhocas no interior do estado de São Paulo (eu sei, exemplo estrambótico, mas é só pra ilustrar). Ocorre que aí já existem três assuntos grandes sobre um mesmo tema: impactos sociais, impactos ambientais e local de estudo geograficamente grande demais. Nesse caso você pode reduzir (os professores chamam de “fechar o leque”) para algo como “impactos ambientais OU sociais OU econômicos da extração de minhocas no vilarejo de Sococó da Ema, SP”. (não, esse lugar não existe. eu acho) Assim, você determina um foco de estudo e um local de estudo específico, o que vai facilitar muito seu trabalho. Se fosse em todo o interior do estado de São Paulo, seria uma área grande demais para pesquisar – e em apenas seis meses.

O professor orientador ideal

Tenha em mente de que há uma boa probabilidade de aquele seu professor favorito não ser o mais adequado para orientá-lo em sua monografia, dependendo do tema. Aliás, pode ser que o professor ideal para o tema que você escolheu (que deve ser um tema que você goste) seja exatamente aquele mais chato, mais grosso, com a pior didática de todo o curso – mas manja sobre o seu tema como ninguém. Aí você tem duas possibilidades: escolhe um tema que pode ser orientado por um professor que você curta mais ou… prende a respiração e vai na fé com aquele chatão, mesmo.

Apesar da gozação, é claro que desenvolver a monografia sobre um tema que gosta é importante, mas ser orientado por um professor do qual se gosta e pelo qual tem muito respeito também é importante. Quando o orientador não nos agrada, qualquer sugestão que venha dele fica parecendo implicância ou sugestão sem sentido; nossa rusga com ele mascara suas qualificações e isso é muito prejudicial pro trabalho. Por isso, se você conseguir conciliar tema e orientador, tanto melhor!

E a formatação, no fim das contas?

A-formatação-ABNT-introduz-um-modelo-padrão-de-escrita-técnica.Ah, sim… a formatação. O verdadeiro terror dos estudantes. De fato, as regras ABNT podem ser um verdadeiro tormento para o estudante pois elas são extremamente detalhadas. Habitualmente existem duas possibilidades: a primeira é você estudá-las e aplicá-las uma a uma (as que forem necessárias, claro). Vai ser chato agora mas, quando você partir para o mestrado, vai ver como esse conhecimento ajudará, A segunda possibilidade é simplesmente contratar um revisor que possa colocar seu trabalho na formatação correta, de espaçamento entre linhas até organização das referências bibliográficas. E pode se tranqüilizar, pois isso não é contra a lei – contra a lei é encomendar o trabalho inteiro.

A formatação é importante porque padroniza todos os trabalhos científicos – e já que monografia também é trabalho científico, entra nessa roda. Assim evita-se “forçações” de barra como aumentar o tamanho da fonte pra parecer que o trabalho ficou maior, por exemplo. Ainda, quando as referências bibliográficas são padronizadas, é muito mais fácil pesquisar entre elas porque, com um simples olhar, você já sabe se aquela referência é de um livro, ou artigo solto, ou revista, ou site, etc..

Viu como a monografia não tem segredos? É só ter paciência e julgamento bastante crítico para fazer as escolhas corretas – e levar o trabalho até o fim. Boa sorte!