Los Lunes al Sol

Javier Bardem disse que a sua intepretação em “Los Lunes al sol“de Fernando León de Aranoa é a de que mais se orgulha na sua carreira. Talvez lhe dê razão. Pensando na excelência de todos os seus papeis, está lá no topo, se calhar mais até que em “Mar Adentro”, “Antes que Anoiteça” ou “No Country for Old man”.

O seu personagem, Santa, é de uma ternura, revolta, inteligência, ingenuidade assumida e complexidade que nos deixa completamente rendidos naquela torrente lenta e perdida do filme. A mesma dos desempregados de meia idade. Santa tem 49 anos. Está cansado, desencantado e sem esperança. Tenta de certa forma carregar com os companheiros de infortúnio ás costas, mas eles estão ainda mais velhos, cansados e sem esperança. Ou desencantados. É o drama dos postos de trabalho que encerram, deixando á deriva vidas que muito dificilmente serão reformuladas. Por ser ou poder ser demasiado tarde.

Por já não haverem forças e mais ainda: paciência e perseverança para as “negas” constantes da vida. Então é andar de copo em copo por ali, como um barco à deriva. Sem horizontes e por isso sem tempo. Por isso é assim que acaba o filme, com um barco à deriva. E quantas vezes já haviam perguntado entre eles: que dia é hoje?