Literatura Fantástica Brasileira, O que tem de Novo?

Literatura Fantástica Brasileira, o que tem de novo?

Por Jossi Borges

Falar de literatura fantástica brasileira, ao que me parece, é provocar briga com críticos literários. O Brasil praticamente não teve autores de “fantasia”, como se convencionou chamar, no século XIX.

Segundo Nilto Maciel, dois únicos escritores se dedicaram a uma literatura onde se podem encontrar elementos fantásticos: Machado de Assis – em um ou outro conto – e Álvares de Azevedo, em Noite na Taverna. Agora, atentem ao que foi dito pelo historiador Sílvio Romero, referindo-se a grandes autores estrangeiros (Allan Poe, Teophile Gautier, Perrault): Tinham “imaginação ardente”… Nada de citar o “fantástico” como tema, muito menos dizer que existia um gênero, chamado “ficção fantástica”. E de Allan Poe? Disse que era “desequilibrado”…

Ainda hoje em dia os críticos não toleram o termo “literatura fantástica”, teimando em associar o termo a outros depreciativos, como “grotesco”, “bizarro”, “misterioso” e por aí vai.

Na fase do Modernismo, a literatura fantástica – embora tendo alguns representantes de peso, não teve “adeptos”. Estranho, para um movimento do qual se  dizia “seguir fontes autênticas da cultura”. Eu, como brasileira, entenderia que lendas e mitos, como os encontrados na nossa cultura popular, são um manancial incrível de temas para a literatura sobrenatural (ou fantástica). Mesmo assim, temos Jorge Amado com seu “Dona Flor e seus Dois Maridos”, onde o fantástico verte em abundância, e Mario de Andrade, com “Macunaíma”, onde o folclore, as lendas, a sátira e a crítica se misturam.

Murilo Rubião, escritor e jornalista mineiro, foi um dos mais significativos escritores brasileiros de literatura fantástica. Suas obras: O Ex-mágico, O Pirotécnico Zacarias e O Convidado. Outros nomes dignos de nota: Rubens Teixeira Scavone, Jeronymo Monteiro, Rachel de Queiroz, Dinah Silveira de Queiroz.

Atualmente, parece estar ocorrendo uma nova fase do que antes foi denominado “literatura fantástica”. Best Sellers internacionais como a saga “Harry Potter” (J. K. Rowling), “O Senhor dos Anéis” (R. Tolkien) e “Crepúsculo” (Stephanie Meyer) resgataram outras obras antigas da fantasia, como “Drácula (Bram Stoker),  “Carmilla” (Sheridan Le Fanu) e “O Morro dos Ventos Uivantes” (Emily Brontë). Sendo esta última obra, não exatamente de caráter fantástico, mas encaixando-se nos moldes da chamada “literatura gótica”, uma das vertentes do fantástico. Sim, você pode me perguntar… Mas e o que essa estrangeirada tem a ver com a literatura brasileira? O que tem, é que essa avalanche de Best Sellers internacionais revitalizou de tal forma o gênero, que no Brasil começaram a surgir, lenta mas inexoravelmente, novos e bons autores do gênero.

Nomes que despontam e fazem sucesso: Marcia Kupstas, Nazarethe Fonseca, Martha Argel, André Vianco, Giulia Moon, Adriano Siqueira, Simone O. Marques, M. D. Amado, Georgette Silen, Regina Drummond, para citar apenas alguns.

É difícil para um autor brasileiro disputar o seu lugar ao sol diante de uma concorrência estrangeira tão acirrada. Os próprios editores preferem dar espaço às obras estrangeiras, que fazem sucesso lá fora, do que investir em autores nacionais pouco ou quase nada conhecidos. Mesmo assim, a “nova onda” de fantasia brasileira está ficando cada vez mais forte, e vai depender apenas dos leitores brazucas darem mais força, optando, de vez em quando, por uma leitura verde-e-amarela ao invés das já tão difundidas obras estrangeiras. Aposto que vão se surpreender e tomarão “gosto” pela literatura fantástica nacional. Da próxima vez que for a uma livraria, esqueça um pouco os grandes destaques nas vitrines, e vá mais fundo. Procure pelas estantes de “literatura brasileira” ou pergunte aos vendedores pelo livro de determinado autor nacional… fique mais tempo folheando livros nacionais, leia mais resenhas, tente conhecer mais sobre aquele autor, seus temas, sua biografia. E leia trechos dos seus livros. Depois, adquira um exemplar. Vamos valorizar o que é nosso. Vamos fortalecer nossa cultura literária.

Jossi Borges

 

FONTES:

Wikipédia

Nilto Maciel, no site “Bestiário”[http://www.bestiario.com.br/14_arquivos/lit%20fantastica.html]

[Para citar este artigo favor citar as referências e os créditos como no modelo:

Jossi Borges.  “Literatura Fantástica Brasileira, o que tem de novo?”.  Artigo publicado em 25 de novembro de 2010 – no site http://murall.com.br ]

  • Jossi

    E acrescetando mais um nome, a amiga e escritora Laura Elias, autora da saga RED KINGS. Outro grande nome no cenário da literatura brasileira.