Glória Perez Repete em “Salve Jorge” Elementos de “América”

Novela "Salve Jorge" possui elementos de "América"

Novela “Salve Jorge” possui elementos de “América”

Não é de agora que a novela Salve Jorge vem sendo comparada a outras tramas escritas por Glória Perez. A ponte área Rio-Turquia chamou a atenção do espectador logo de cara, e a sensação de já ter visto isso antes era inevitável. Logo a novela começou a ser apontada como uma mistura de O Clone, que foi ar em 2001, e Caminho das Índias, exibida em 2005. Mas o que ninguém tinha percebido no início é que, na verdade, o núcleo principal de Salve Jorge, o do tráfico de pessoas, tem muito mais semelhanças com outra novela da autora, “América”, exibida em 2005.

Para quem não lembra, um breve resumo da novela: a protagonista Sol, vivida por Deborah Secco, tinha o sonho de melhorar de vida nos Estados Unidos. Sem ter condições de entrar no país pelos meios legais, Sol era capaz de praticamente qualquer coisa para pisar em solo americano. Com muita determinação e uma boa dose de ingenuidade, a moça se arriscou em travessias no deserto, caiu nas mãos de uma quadrilha de coiotes, virou dançarina de boate e ainda foi usada para traficar drogas.

Será que essa sequência de acontecimentos lembra em alguma coisa a saga de Morena, interpretada por Nanda Costa? Vejamos: tal qual Sol, Morena foi ingênua o bastante para acreditar que estava diante de uma oportunidade única de melhorar de vida no exterior. A jovem moradora do Alemão aceitou o convite para trabalhar como garçonete da Turquia e acabou caindo nas mãos de uma quadrilha cuja especialidade é traficar mulheres para exploração sexual. Quer semelhança mais óbvia que essa? Basta observar que a boate em que Morena trabalha é muito parecida com aquela em que Sol dançava.

O tráfico de drogas não fica de fora em Salve Jorge. Glória Perez já providenciou uma forma de Morena passar pelo mesmo drama, mas dessa vez a protagonista sabe o que está acontecendo. Diferente de Sol, que foi enganada, Morena será obrigada a engolir cápsulas com droga para trazer o material para o Brasil. Em termos de vilões, Vera Fischer é figurinha repetida: se em América ela só apareceu mais perto do fim da trama, como a megera Úrsula, em Salve Jorge ela é Irina, peça fundamental do núcleo do tráfico humano sediado na Turquia.

Novela América

Novela América

Outro ponto em comum entre as duas protagonistas é a absoluta falta de domínio do idioma falado no país de destino. Era difícil para o telespectador acreditar que Sol, que tinha a vida nos Estados Unidos como o seu maior objetivo, foi trabalhar no país sem nem se preocupar em saber falar inglês. Morena, por sua vez, sabia que estava indo ser garçonete no exterior, mas nem pensou em como faria para entender os pedidos dos clientes sem saber falar a língua. E, de qualquer forma, ninguém cobrou isso dela no momento da contratação. Provavelmente não seria necessário, não é mesmo?

Por mais absurdo que possa parecer, isso não é tudo. O maior problema se mostra quando as moças precisam pedir ajuda no exterior. Embora se comuniquem em português o tempo inteiro, mesmo com quem não é brasileiro, sempre que têm a oportunidade de falar com alguém que pode tirá-las de grandes apuros as protagonistas se vêem limitadas pela barreira do idioma. Curioso, não? Quem criticava Salve Jorge por ser a mistura de duas novelas agora vai poder incrementar seus comentários: não são duas, mas três.