Fome na África – Vergonha Da Humanidade!

Dias atrás escrevi um artigo no meu blog onde falo dos problemas enfrentados pela França. O país vive uma as piores secas dos últimos tempos que, se continuar por mais tempo, põe em risco o funcionamento das centrais nucleares que produzem energia elétrica. Se o problema se agravar eles terão que desligar as usinas e racionar energia.

Tremendo, terrível, tristíssimo!

Mas a França é um país rico – um dos mais ricos do mundo! – e de um modo ou de outro irá superar o problema.

Infinitamente pior que ele, estão os africanos. Eles sim estão atravessando um prolongado período de seca agravada pela falta de infraestrutura e economia arrasada. Imagine que no Kenya e na Etiópia choveu apenas 30% da média registrada entre 1995 e 2010.

Vou repetir: choveu apenas, só, simplesmente, meramente 30% da média dos últimos cinco anos!

Em todo o continentes corre-se o risco de morrer de fome 38 milhões de pessoas (World Food Program – www.wfp.org)

Em todos os países da região se registra uma grave desnutrição difusa e a FAO www.fao.org estima que 8.000.000 de pessoas irão necessitar de ajuda de emergência na Etiópia, Kenya, Somália e Gibuti.

Somália

A taxa de desnutrição está entre as piores do mundo. A seca está atingindo todo o país, provocando a morte dos animais de corte e um aumento estratosférico dos alimentos. Atualmente 2.500.000 pessoas necessitam de ajuda humanitária, ou seja, 1/3 da população. Esse número tende a aumentar significativamente devido aos conflitos no sul do país.

Gibuti

A alta taxa de desemprego e um aumento sempre crescente de imigração interna – dos campos para as cidades – deve piorar a situação em todo o país. Se prevê uma falta geral de água nas cidades devido a forte demanda.

Sudão

Vinte anos de conflituo armado fizeram com que aumentasse para 3.000.000 de pessoas, a população daquele país que infelizmente deverá recorrer a ajuda humanitária para poderem sobreviver. A seca vem se repetindo por três anos consecutivo.

Kenya

Estima-se que quase 2.400.000 pessoas não tem o que comer e beber, principalmente na região norte/nordeste do país e não existe perspectiva de melhoras antes de outubro. As distancias necessárias para se atingir uma fonte d’água aumentaram consideravelmente: em algumas zonas é necessário percorrer de 30 a 40 km!

Etiópia

Por causa do efeito climático la niña por duas estações consecutivas as chuvas foram pouquíssimas. Isso provocou escassez generalizada de água, empobrecimento dos pastos e consequente piora das condições de saúde dos animais. Na fronteira com o Kenya morreram de inanição 22.000 cabeças de gado. No início do mês o número de pessoas que necessitavam de ajuda em caráter de emergência era estimado em 11.400.000 habitantes. E esse número tende tragicamente à subir!

E por aí vai: Moçambique, Malawi, Lesotho, Zambia, Sahel, Zimbabwe, etc, etc, etc… a lista é longa e catastrófica.

Os europeus, que foram (e são) os grandes colonizadores da África e que durante décadas e décadas sugaram daquele continente todos os recursos naturais que puderam pôr as mãos para depois, terra arrasada, irem embora, tem obrigação moral de ajudá-los! E em tal estado não são necessárias grandes tecnologias: coisas simples como ferramentas para plantio de alimento ou telas de mosquiteiro para combater as terríveis doenças transmitidas por insetos seriam de grande ajuda!

Porém pouco fazem efetivamente para evitarem a tragédia iminente. Preferem elaborar estratégias tortuosas para evitar a imigração clandestina dos infelizes que se arriscam na longa travessia. Diante disso, um apagão francês é apenas o piscar ligeiro das luzes de Natal.