Fla x Flu

Fla-Flu

Fla-Flu

Um milagre, um recorde, um estádio que não cai: o Fla-Flu de 1963

Registro oficial é de quase 200 mil pessoas, incluindo Zico e Junior. Marcial dá título ao Fla, e torcedores voltam ao Maracanã para resgatar a história.

Diziam os otimistas que o Titanic jamais afundaria. E afundou. Temiam os pessimistas que o Maracanã um dia desabasse. E se ele não desabou em 15 de dezembro de 1963, não desaba mais. Faz quase 50 anos que o estádio recebeu aquele que é considerado o maior público de um jogo entre clubes na história do futebol. Na prática, sabe-se lá quantas pessoas criaram um bloco humano para ver Marcial parar Escurinho, para ver o 0 a 0, para ver o Flamengo campeão sobre o Fluminense. Na semana em que se completa um século do Fla-Flu, lembrar daquele jogo é lembrar da grandeza do clássico.

O público pagante naquela decisão de Estadual foi de 177.020 pessoas. Oficialmente, o total de torcedores chegou a 194.603. Mas não são números realistas. Multidões de rubro-negros e tricolores, naquele empurra-empurra tradicional dos estádios (especialmente no passado), entraram sem ingresso. Duas pessoas ocupavam o mesmo assento. Milhares viram o jogo de pé.

Não cabia mais um mosquito sequer ali. Se chovesse, os pingos correriam o risco de não molhar as arquibancadas – parariam nas pessoas, grudadas umas às outras. Os relatos de quem viveu aquele dia, dentro e fora de campo, indicam uma partida histórica. Dois deles, um torcedor de cada clube, voltaram ao Maracanã em 2012, com o estádio em obras, para contar ao GLOBOESPORTE.COM como foi aquele domingo. As lembranças deles são complementadas pelas recordações de duas personagens daquela tarde: o goleiro Marcial, herói do título rubro-negro, e Carlos Alberto Torres, na época um menino, sete anos antes de capitanear o tricampeonato mundial da seleção brasileira. E de dois anônimos, ainda crianças, esmagados no meio da multidão: Zico e Junior.