Fim de período, cabeças loucas

Fim de período na faculdade é sempre uma confusão. Todos os professores resolvem aplicar provas, cobrar apresentação de trabalhos e seminários, participação em congressos e simpósios, leitura de livros, entrega de listas de exercícios, relatórios de estágios… e a prévia da monografia. É a época em que, andando pelo corredor, você vê centenas de alunos apressados e com os olhos assustados, preocupados até o fundo da alma – principalmente aqueles que deixam tudo pra última hora e agora precisavam que os dias tivessem NO MÍNIMO 48 horas.

As reclamações são quase sempre as mesmas: “eles acham que a gente tá por conta?”, “esse professor acha que só faço a matéria dele?”, “esse povo acha que a gente é mais de um?” e por aí vai. Mas de todas as cobranças, geralmente a da monografia é a que causa mais temor. Por ser um trabalho com rigor científico (costuma ser o primeiro do tipo para a maioria dos alunos) e ser muito detalhado em termos de normas ABNT, ela costuma tirar o sono de muitos estudantes.

Com boa orientação, vai

Uma boa ajuda sempre caira bem.Um aluno, nessa altura do curso, precisa de um orientador compatível com seu jeito de ser e ao mesmo tempo com a ideia do trabalho. Isso facilita as conversas e o entendimento das informações trocadas entre eles, que serão muitas – e para que sejam compreendidas e aceitas, a ligação entre orientador e orientado deve ser muito bem feita e sincronizada. Isso é praticamente impossível de conseguir caso a relação entre os dois não seja boa, seja por diferenças de personalidade, seja por algum atrito prévio surgido na vivência acadêmica entre eles.

Na verdade, durante a fase da monografia, o orientador pode acabar atuando como uma espécie de psicólogo do aluno orientado. É nesta altura do curso que ele está mais estressado, com mais carga para lidar e se sentindo muito pressionado, sem tempo nem energia para gastar com máscaras de posturas falsas. É agora que ele vai se revelar de verdade, se é o mesmo aluno do período passado ou se é outro totalmente diferente. E haja sensibilidade do orientador! Além de perceber essa mudança (se ela ocorrer), ele vai precisar se adaptar a ela, entendendo o novo e inesperado aluno que surgiu em seu gabinete. É difícil para os dois lados. Mas quando esses ajustes e adaptações são bem sucedidos, ambos encontram um meio-termo entre suas novas realidades e conseguem trabalhar harmonicamente.

Confiança é indispensável

O orientador facilitar o desenvolvimento por já ter experiencia com trabalhos científicos.Ao entrar nos meses da monografia, o aluno precisa ter muito clara em mente uma coisa: ele não é um expert nessa área e provavelmente vai dar algumas sugestões inadequadas para o trabalho e ter ideias que, isoladamente, parecem boas – mas na verdade, podem não ser. Ele precisa entender que o orientador está ali por um motivo, e não é para “atrapalhar o trabalho” do aluno mas, sim, para orientá-lo sobre quais caminhos seguir. Ele já tem experiência com trabalhos científicos e conhece a forma de pensar de outros pesquisadores (principalmente os da área do trabalho) e sabe exatamente o que pode colar e o que pode atrapalhar tudo.

Para admitir que sua ideia não foi tão boa, o aluno precisa ter humildade e reconhecer que está diante de alguém que sabe mais do que ele – e nem todo aluno é assim. Isso cria grandes conflitos com o orientador e, muitas vezes, força a faculdade a escolher um outro professor para orientá-lo naquele trabalho – não por incompetência do primeiro (ainda que o aluno ache isso), mas por incompatibilidade de gênios. Afinal, que monografia consegue evoluir num clima de guerra assim?

Entretanto, o orientador também precisa ter a humildade de reconhecer quando seu orientado dá uma boa sugestão que ele mesmo não havia nem imaginado. Muitos professores, guiados por vaidade, rejeitam qualquer ideia de seus orientados para fazer valer apenas as suas, e isso é um erro. Esta época é perfeita para troca de ideias e experiências, e pode ser edificante para os dois lados. Assim, cabe ao professor reconhecer as boas ideias de seu orientado – e mais: estimulá-lo a continuar inovando (e claro, freando os ânimos exaltados quando ele se empolgar demais).

Essa época é uma loucura mesmo, não é?