Filosofia, Razão e Fé

De acordo com o Filósofo Platão, existe 4 estados de consciência distintos, nos quais se diferem os seres humanos, conforme suas capacidades de pensamento.

O primeiro estado de consciência chama-se Eikasia e caracteriza-se pela barbária humana. O ser humano manifesta-se neste estado de consciência quando perde totalmente o controle sobre suas funções mentais.

O segundo estado de consciência chama-se Pistis e caracteriza-se pelas crenças e opiniões. De acordo com Platão, este é o estado de consciência onde a maioria da humanidade se encontra. Normalmente, alguém centrado em Pistis, satisfaz-se com aquilo que lhe informam, entabulando sua própria “verdade” pessoal a partir de uma crença ou opinião construída. Esta pessoa não busca comprovar e não se preocupa em rever tais crenças ou opiniões.

O terceiro estado de consciência é chamado de Dianóia e caracteriza-se pela capacidade de reflexão. É o estado do Filósofo que questiona, analisa e sintetiza suas próprias opiniões, buscando uma compreensão mais profunda. O Filósofo está constantemente revendo e revalorizando suas próprias crenças no sentido de alcançar o chamado “mundo das idéias”. Além disso, não se satisfaz com a simples crença, buscando comprovar a Verdade de tudo o quanto acredita e opina. Ao alcançar o nível dianoético o Filósofo prepara a si mesmo para o objetivo final. O Estado de Nous.

O quarto estado de consciência é chamado de NOUS e caracteriza-se por alguém que atingiu a Verdade acima de qualquer opinião ou crença. O Estado de Filosofia Perene e Sabedoria, a Razão Pura, enfim. Nous é em si mesmo, o estado do Ideal Filosófico onde o correto equilíbrio entre o mundo físico e o mundo das idéias se estabelecem.

A razão da filosofia ser uma ameaça aos que estão no poder está justamente na forma em que este poder é estabelecido. O poder sempre foi estabelecido em regras, padrões, códigos e mitos impostos. Onde faz-se necessário que o que está sendo dominado “acredite” em quem está no poder, e a partir desta crença, aceite a opinião do dominante.

A Filosofia liberta o Filósofo das amarras conceituais, dos significados impostos para significantes específicos. Sócrates foi o primeiro exemplo clássico do “problema gerado pelo filósofo”, quando não compartilhava com os conceitos implantados arbitrariamente pelos líderes da época.

Sócrates revolucionou o processo de filosofar, pois não se encaixava nos padrões impostos e portanto ameaçava a linha tradicional da época. Pela sua forma peculiar de ver o mundo (sua cosmo visão própria), Sócrates não se deixava “ameaçar” e não tinha “medo”..

Medo e ameaça, formam a base triangular do poder imposto. Um Mito, combinado ao medo da ameaça, resultando uma falsa esperança de “não sofrer um castigo”, ou de “atingir salvação” para si e sua família, sociedade, país, e etc. Uma característica digna de alguém que possui o estado de Pistis (crenças ou opiniões)

O uso da razão e da filosofia não ameaça a Fé Autêntica, ameaça apenas as crenças cegas e insubstanciais, as opiniões mais ingênuas, que caem em fanatismos e ilusões irreais.

Fé Autêntica está localizada no estado de consciência de Dianóia e não, como muitos acreditam, em Pistis. Alguém que tem a mente livre, pode estabelecer em si mesmo, as bases para uma Fé correta, seja qual for a forma ou linha de pensamento, escola, religião, e etc. Estabelecendo um “Deus” (ou qualquer outro termo que quisermos empregar) de forma equilibrada e libertadora.

A Razão e a Filosofia confere liberdade de pensamento e inteligência ao filósofo, uma sabedoria superior conferida por Deus ao Ser humano. A Fé Autêntica e´ a profunda confiança em Deus, confiança em seus atributos de Amor, Sabedoria, Paternidade, Proteção, Provisão, Cura, enfim. Esta confiança não separa a razão ou a capacidade de filosofar, muito pelo contrário. Deus é o Potencial Primário que permite ao Homem a Inteligência e a Filosofia. Filosofia e Razão são ameaças ao Mito, isso sim, mas não a Fé Autêntica.

Fé Autêntica está acima dos mitos, dos conceitos, e é estabelecida pela confiança legítima no “superior”, que está presente em todas as formas religiosas. No cristianismo, a Fé Autêntica está na profunda confiança nas palavras de Jesus, nos critérios estabelecidos pelo Novo Testamento, e nos princípios que norteiam a vida cristã. Estes princípios não são ameaçados pela Razão e pela Filosofia, e vice versa, não ameaçam a fé de ninguém.