Filme Mentes Perigosas, do Diretor John N. Smith

Michelle Pfeiffer vive as memórias da professora do Ensino Médio LouAnne Jonhson, uma ex-fuzileira naval que demonstra o verdadeiro valor da educação para um grupo de delinqüentes. Sua trajetória em uma escola norte-americana de Ensino Médio para alunos muito capazes, porém, com grandes problemas sociais é abordada no texto do filme. Em ‘Mentes Perigosas’, o problema apresentado está fundamentalmente relacionado à indisciplina dos alunos.

Filme Mentes Perigosas

Filme Mentes Perigosas

A maioria deles é de origem latina, tendo dificuldades financeiras e marginalizadas, além disso, fica evidente que a prática que o professor optou para ensinar os alunos tem um impacto positivo na vida pessoal de alguns. Mesmo não sendo esta questão explorada no filme, este fato reflete sobre a representação que o professor exerce na sociedade em geral com relação a sua percepção sobre desenvolvimento de projetos, pode-se afirmar que o docente é repetidamente visto enquanto aquele “mágico salvador”, sendo o principal responsável pelos sucessos e fracassos na sala de aula. Ao discutir a representação sobre “o bom professor como é a professora representada no filme “Mentes Perigosas, percebo dificuldade de profissionais em conquistar os alunos, pois tudo que se tem a fazer é chamar a atenção deles conquistá-los ou desistir.” A ação dos professores acredita-se deve centrar nas ações lutar, conquistar, insistir ou desistir, abandonar. Apesar das alternativas da professora estar relacionada a processos materiais a ação propriamente dita tem relação com permanecer na escola e investir/acreditar na educação de seus alunos ou partir e não se “importar” com o comportamento daqueles alunos rebeldes, pois é o que devemos fazer insistir e tentar mudar e integrar os alunos.

No filme um aluno ironicamente indaga a professora: “O que temos para a aula de hoje?”, Louanne responde: “Minha própria arma secreta”. A partir desta situação, fica evidenciado que a professora não irá desistir, mas sim resistir e investir no potencial de seus alunos. A professora, além de ser mostrada como aquela que enfrenta adversidades, é também uma profissional mal remunerada. Este fato é evidenciado no seguinte diálogo quando uma aluna questiona: “Por que se importa? Você só está aqui pelo dinheiro.” Professora: “Porque eu escolhi me importar. E não é tanto dinheiro assim.” Nesse trecho, Louanne salienta a escolha profissional que fez: ser professora. Ela faz uma diferenciação entre “ensinar/sentir” sua escolha foi “ensinar/cumprir uma função”. A escolha afetiva parece ser mais valorizada pela professora neste momento, pois nos afeiçoarmos a pessoas e ao trabalho que fazemos como professor ou em qualquer atividade é fundamental. Em pelo menos dois outros trechos, o fato de professores serem mal remunerados é salientado. Situação muito semelhante a que vivenciamos em nosso cotidiano, pois a escola pública é sinônimo de medo e descrença para os professores e as particulares de que os alunos por pagarem querem se impor e ditam as regras, não generalizando, pois em ambas as situações existem muitas exceções.

O fato da má remuneração poderíamos entender que os alunos não encontrem novidade no fato dos professores em geral serem mal remunerados, nesse caso do filme nos parece que sim, mas no nosso dia a dia não é isso que percebo…

Uma questão passa no filme é a ação do professor enquanto sendo determinada por relações de poder exercidas, principalmente, pela direção da escola e pela Secretaria de Educação. Esta questão pode ser ilustrada pela repreensão dada à professora pelo diretor da escola controle e a regulagem, exercidos pela direção da escola, sobre o conteúdo a ser ensinado/aprendido em sala de aula.

Uma outra questão interessante, presente na fala do diretor, é que professoras novas são ‘mais espertas’, entendi como, ‘perigosas’. Implícito, nesta situação, está o fato de que professoras com mais experiência podem ‘já ter desistido’ de tentar, talvez elas não discordem mais, mas sim aceitem/sigam o currículo imposto pela Secretaria de Educação, sem questionar a direção da escola, é possível melhor entender os espaços sociais enquanto construtivos, pois professores mais ou menos experientes de alguma forma pode e devem construir, pois somente assim obteremos sucesso no aprendizado em qualquer faixa etária. Ao confirmar que “tanto o discurso como as identidades sociais são construídos socialmente”, precisamos compreender que o significado é dialógico, sendo a conversa com os professores envolvido no processo de construção é fundamental. Uma outra questão também fica evidenciada: que além de precisarmos aprender a usar a linguagem para agirmos no mundo social, devemos também ter consciência – e auxiliarmos outros a desenvolvê-la – de que “os significados que as pessoas constroem quando agem nas práticas discursivas são reveladores de como compreendem o mundo a sua volta, a si mesmas e os outros como participantes desse mundo.” É possível perceber que nossas representações discursivas estão sempre em movimento, e que, portanto, são alteradas e divididas.

Numa tentativa de contribuir para uma prática docente numa “atitude reflexiva inserida em sua identidade profissional” é necessário investir em formação inicial e continuada de professores com o intuito de despertar futuros professores para o compromisso profissional. Portanto, enquanto professores preocupados com a construção discursiva sobre nossa profissão cabem-nos o papel de leitores críticos sobre como professores são representados no cinema e a missão de compartilharmos criticamente tal representação para que ela não seja naturalizada.

Tendo essa consciência crítica para com os diferentes gêneros textuais que nos representam discursivamente, seremos membros de uma profissão e assumiremos uma atitude responsável para com ela. Sobre a representação de expor benefícios para uma educação reflexiva de professores engajados com sua construção diferenciada, estabelecer, por exemplo, o impacto que o professor e o ensino exercem sobre a sociedade em geral pode ser fundamental para investir no processo de reconstrução profissional docente. Essa tarefa requer dos professores, com maior ênfase na sua responsabilidade política.

Esse filme me fez ver que podemos mudar o ponto de vista de cada pessoa, não importa quem essa pessoa seja e sim o que ela pode se tornar. Esse filme é um exemplo para quem está sem rumo na vida, mais valor a quem te ensina a ao educador.  É muito forte ver jovens se perdendo em drogas no tráfico e outras coisas mais nos fazem despertar para esta realidade, aprendi muito…