Fábrica de uniformes: compensa?

O brasileiro tem uma incrível capacidade empreendedora. Quando você menos espera, tem uma loja nova no seu quarteirão, ou uma nova empresa prestadora de serviço (os mais variados: limpeza, contabilidade, animadores de festinhas, etc.). Afinal, neste país que está constantemente entrando ou saindo de crises econômicas e/ou políticas, o cidadão busca sua estabilidade onde ele acredita que ela esteja – e às vezes é exatamente sendo seu próprio patrão.

E é assim que vemos algumas empresas novas aparecendo por aí, algumas oferecendo serviços já prestados por outras empresas abertas há mais tempo, e às vezes oferecendo produtos e serviços inovadores que ninguém havia oferecido antes. Sim, o brasileiro é perito em bolar soluções novas para problemas antigos! Porém a maioria ainda investe energia em abrir empresas que vão concorrer com outras, seja na qualidade do produto, seja na qualidade do serviço. Mas uma coisa todas elas têm em comum: todas precisarão padronizar a apresentação de seus funcionários, o que significa: providenciar uniformes profissionais, por mais simples que sejam. E é nessa necessidade dos outros que algumas pessoas enxergaram um grande potencial mercadológico: montar uma confecção de uniformes profissionais.

Parece tudo tranquilo…

“Hmm… ta aí… eu quero montar uma empresa pra mim, e muitos outros também… e uma coisa que todo mundo vai precisar é uniforme… então…  vou abrir uma confecção!” E assim começa a saga: a montagem da fábrica.

Esse é um empreendimento onde muita gente entra às cegas, sem saber exatamente como funciona. Afinal, o mundo do corte e costura, ainda que seja constantemente desmerecido por aí, é complexo e envolve uma série de detalhes que, se não forem observados, podem colocar tudo a perder.

É-preciso-de-muito-cuidado-para-seguir-os-primeiros-passos-que-ligam-a-montagem-de-uma-fábrica.A primeira coisa é o lugar onde a fábrica funcionará. Não pode ser qualquer um! Habitualmente – e não por acaso -, ela costuma ser montada em grandes galpões, com muitas janelas (das grandes). Esses galpões deverão abrigar, além de grandes mesas de corte e de passagem, várias máquinas de costura, sendo que existem vários tipos, cada um com uma função específica. Pelo teto do galpão é que correrão os fios elétricos onde as máquinas serão ligadas – sempre pelo alto porque a grande movimentação de pessoas pelo chão torna as instalações de solo perigosas. E como serão muitas máquinas ligadas ao mesmo tempo (além do ferro elétrico), a fiação do galpão deverá ser refeita e adequada para um grande aporte de energia elétrica. Do contrário, incêndios serão bastante prováveis.

O acesso ao galpão pode ser feito por uma porta comum, mas é importante que haja um portão largo – de preferência em mais de uma lateral – para possibilitar saídas de emergência em caso de problemas com eletricidade e fogo. Aliás, sem esta precaução, o alvará de funcionamento não é sequer expedido. Há que se lembrar também dos extintores!

As grandes janelas são para possibilitar a melhor ventilação possível. O trabalho como corte dos tecidos sempre lança no ar uma grande quantidade de poeira e fiapos de linhas e do próprio tecido, o que pode desencadear processos alérgicos perigosos em alguns trabalhadores do lugar. É um aspecto do lugar que não pode ser ignorado de jeito nenhum. Além do mais, o trabalho ininterrupto das máquinas acaba por lançar bastante calor no ambiente, e essa maior ventilação ajuda a controlar as temperaturas no interior do galpão. Se houver forma de instalar exaustores que lancem o ar do interior do galpão para fora, melhor ainda.

Também será necessário espaço para construir banheiros para os funcionários, uma pequena cozinha para os momentos de pausa e descanso e também uma área para estocar tecidos, linhas, peças de reposição para as máquinas e também para as peças já produzidas. Em geral, estas últimas não ficam mais que dois dias aguardando retirada.

… mas pode haver problema à vista

“Que tipo de problema pode haver?” A concorrência! Se todos os cuidados foram tomados na montagem da confecção de uniformes profissionais e a empresa está funcionando à toda e com segurança, então seu maior problema será, mesmo, a concorrência.

O mundo das confecções está sempre mudando porque constantemente lançam-se tecidos diferentes, mais resistentes, mais leves, mais frescos, mais nobres… enfim, sempre surge uma nova forma de oferecer o mesmo produto mas com uma apresentação nova, diferente, cativante. Isso obriga o empreendedor a ficar sempre atento a estas novidades e inovar sempre que possível, para ter sempre algo novo a oferecer. Algumas confecções inclusive, contratam profissionais de moda (sim, formados nessa área) para que estejam sempre pesquisando por estas novidades, criando novos designs de uniformes profissionais que sejam de uso prático e de aparência diferenciada. Com isso, garante-se que a concorrência é que terá que correr atrás, e não a sua empresa.

Deve-se-analisar-o-custo-do-profissional.Os custos de montagem de uma empresa assim, costumam ser um tanto quanto altos e isso pode ser um problema também. O maquinário profissional é caro e o pessoal que trabalhará com ele deverá já ter experiência, a fim de que os trabalhos já comecem com tudo. Eventualmente pode-se contatar trainees para aprenderem o ofício com os veteranos, mas convém que até 10% do quadro de funcionários estejam nessa situação (senão o ritmo de produção diminui e a empresa pode perder mercado). Ainda, o profissional de Moda também não costuma sair barato, já que não se trata de um amador mas, sim, de alguém muito qualificado para manter sua confecção atualizada e em sintonia com o resto do mundo. Portanto, a curto prazo a montagem pode assustar a carteira mas, a longo prazo, vence-se o valor investido e os lucros chegam volumosos.

Se você tem disposição para uma empreitada como essa e notou que o mercado local absorverá seus produtos regularmente: vá em frente!