Eu Bebi, e Agora?

Se você estiver vendo este texto, suponho que você deve ter lido o texto nº 01 e concordou com o desafio proposto. No entanto se você não leu o primeiro texto, pare agora mesmo, e procure lê-lo, e se caso decidir beber da garrafa, volte. Para quem leu o primeiro e tomou a decisão de prosseguir, gostaria de lembrá-los que neste livro não servimos o bolo que corta o efeito da garrafa. Alice teve de comer o bolo, não por ter se arrependido, mas por ter se esquecido da chave, sem a qual não poderia prosseguir em sua jornada. Como nestes textos não temos chaves, mas sim portas abertas, não temos bolo. Seja bem vindo ao mundo maravilhoso das Ilusões!

Certa vez um filósofo grego chamado Sócrates, disse que o mundo em que vivemos, não é o mundo real, e o que víamos eram apenas sombras. Milhares de anos se passaram, fomos a Lua, temos sondas em outros planetas, construímos a bomba atômica, andamos sobre e sob a água, voamos como os pássaros, perfuramos o fundo do mar em busca de petróleo e achamos, no entanto, nem a famosa sombra que Sócrates mencionou não se vê mais. Talvez se não tivéssemos tantos plugs e Wireless, conectados em nossa mente, ainda teríamos chances de enxergar alguns resquícios da vida real. No entanto nossa realidade é totalmente diferente, trocamos as sombras de Sócrates, pelas televisões de Led das Casas Bahia. A pelada com os amigos pela última versão do FIFA para vídeo games. Os encontros com os amigos pelas salas de bate-papo, enfim, ainda que não sejam mais sombras, o mundo que vemos ainda, não é real. Apenas o pensamento de achar que o que vivemos é real. Até mesmo as correntes que nos prendiam na caverna, não existem mais. Então por que não saímos? Acostumamo-nos a não sair da posição de conforto, por isso as correntes não são mais necessárias, pois ficar é uma opção.

Feliz foi Alice, pois, enquanto todos se distraíam com os resquícios da sombra, ela ousou levantar-se e seguir o coelho de colete. Atualmente nada mais nos espanta, pois garanto que muitas pessoas até observam o coelho, mas não percebe que ver um coelho, andando de coletes, com um relógio de bolso, não é normal. Esta falta de percepção é uma espécie de transe, que deixa a humanidade totalmente entorpecida e tudo parece ser normal. Por isso é normal observar famílias inteiras almoçando ou jantando em frente ao televisor, acompanhando as notícias do dia, cujas manchetes são: filha usa o namorado para matar os pais por causa de herança; Pai joga filha pela Janela do prédio a pedido da madrasta; Câmera escondida flagra crianças usando crack em plena luz do dia; Turismo sexual da Pedofilia cresce em todo país. O engraçado é que estas notícias não nos impressionam mais! A nossa mente está tão anestesiada pelos atropelos do dia-a-dia, (cartão de crédito para pagar, prestação de carro, aluguel, colégio particular para os filhos, viagens de férias, aquela promoção que não vem o risco de perder meu emprego, a concorrência desleal precipitando minha empresa a falência, entre outros), contribuem para esta insensibilidade dos dias de hoje.

Que saudade do tempo em que parávamos para ouvir o canto dos pássaros, contudo não nos admiramos mais nem com o tal coelho de colete que apressado seguia olhando para o relógio. Porém, você ainda está lendo, é porque percebeu a presença do coelho e quer descobrir aonde ele vai com tanta pressa. Mas antes de continuarmos nossa viagem é importante dizer que não podemos ir com tanta pressa, afinal, por muitos anos ficamos parados apenas vivendo o virtual, por isso muita calma nesta hora. Com certeza iremos avançar, contudo temos que atravessar muitas portas, a primeira é a porta das conexões. Não sei por quanto tempo você viveu conectado, não queremos causar um Bug existencial, esta desconexão tem de ser lenta e gradual. Eu te convido a estar comigo no próximo texto, onde iniciaremos nossa Viagem ao “Mundo Maravilhoso das Ilusões” pela Porta das Conexões.