Estoque longe da umidade

O Brasil vem enfrentando, desde o início de 2014, um longo e assustador período de estiagem. Os noticiários trazem a todo instante notícias dos reservatórios de água principais das grandes cidades, e as notícias são quase sempre alarmantes. Vídeos, fotos e testemunhos dão conta de que muitos rios, antes caudalosos e imponentes, estão agora secos, com o leito barroso rachado – cenário que habitualmente se via apenas nas regiões invariavelmente secas do nordeste. Talvez daí venha tanto susto e receio:> este cenário agora fez parte da região sudeste, a qual classicamente tinha um período de chuvas bem demarcado.

Mas nos últimos meses, e a despeito do que se pensava nas salas de climatologia e meteorologia pelo país, as chuvas vieram para propor uma estratégica trégua em tanta seca. Porém, a chuva reparadora, que restabelece os rios e os lençóis freáticos, deveria cair com intensidade modesta e contínua, mas o que se tem visto é uma dança de nuvens de tempestades fortes, que trazem grandes alagamentos – e pouco fazem para recuperar rios e reservatórios. Mas diante de tanta seca, ninguém reclama de nada disso! Bom… algumas pessoas sim. Os alagamentos são especialmente daninhos para comerciantes que mantém estoques de produtos em seus estabelecimentos afetados pelas chuvas torrenciais. A umidade concentrada no chão e também próximo dele pode acabar colocando a perder grande parte deste estoque, obrigando o proprietário a tomar atitudes como empilhar os produtos acima do solo, utilizando paletes ou qualquer outro recurso que seja de ajuda.

Sobe com tudo!

O-armazenamento-em-paletes-é-fundamental-para-estoques-alimentícios.Este cuidado é especialmente importante quando o estoque é composto por produtos de gêneros alimentícios, os quais costumam ser rapidamente perdidos pela ação da umidade – principalmente quando estes encontram-se embalados em sacos de tecido, como arroz, feijão e milho. Os alimentos já processados e embalados em sacos plásticos sofrem menos, já que as embalagens são lacradas, mas este plástico pode se romper caso algum objeto que esteja flutuando na enchente o atinja.

Alguns comerciantes adotaram prateleiras suspensas, tanto feitas em metal quanto em madeira, ou mesmo em alvenaria. A vantagem dessa última, de alvenaria, sobre as demais é que não se deteriora tão rapidamente como a madeira, nem enferruja como as estantes metálicas. Apesar de ser mais cara, é uma solução que a longo prazo justifica o investimento.

Independentemente do material de que é feita a prateleira, o espaço debaixo delas não precisa ficar necessariamente vazio – o que significaria um grande desperdício de espaço e forte limitação na capacidade do estoque. Pode-se colocar itens mais protegidos neste espaço como enlatados. Para protegê-los da umidades, bastará empilhá-los sobre paletes, que inclusive facilitarão o trabalho caso uma enchente aconteça e o proprietário queira remover estes produtos dali rapidamente. Com o palete, uma grande quantidade deles é deslocada de uma vez só, poupando um precioso tempo.

Dá pra evitar esse aborrecimento?

Existem-algumas-soluções,-porém,-nem-todas-dão-conta-de-todas-as-enchentes.Na verdade, alagamentos ocorrem sempre próximos a leitos de rio ou em ruas muito urbanizadas mas com pouco escoamento. Na primeira situação, o problema é construir muito próximo às margens pois o rio sempre vai transbordar naquela região, não importando se as margens têm mata ciliar preservada ou ocupação urbana. Na segunda situação, o problema é que muitas prefeituras constroem novas ruas mas não realizam obras de escoamento de águas pluviais (as tradicionais “bocas de lobo”). Com isto, a água da chuva não tem por onde escorrer, ficando retida sobre a superfície impermeável da cidade. É só o necessário para a enchente aparecer.

Como os erros já foram cometidos, ou seja, a cidade já ocupou as margens dos rios e as ruas já foram construídas sem escoamento suficiente, a solução é adaptar as casas e os comércios para as enchentes que virão – e certamente virão.