E Por Falar em Inclusão

Há mais ou menos 10 anos, quando a palavra inclusão estava começando a fazer parte do vocabulário das escolas (ainda com muita timidez), eu levantei a bandeira e aceitei o desafio de trabalhar com uma aluna portadora de síndrome de Down. Na época, a inclusão era realizada ao mesmo tempo em que se aprendia a duras penas a realizá-la…foi uma experiência interessante, a apartir desta minha prática e estimulada por uma amiga muito querida, fiz minha inscrição em um concurso que acontece na cidade em que moro, chama-se Doploma Paulo Freire, em que homenageava prátivas inclusivas a apartir da teoria de Paulo Freire. Eu me inscrive, fiz todos os registros e venci…fui a primeira a ganhar este concurso.Bom, por motivos que não vem ao caso agora, ganhar este DIPLOMA NÃO FOI ALGO QUE ME TROUXE ALEGRIAS…escola e colegas não acharam interessante eu ter ganho.

Mas, como eu estava “falando”, a partir daquela prática fundamentei minha pesquisa na graduação, realizando a monografia sobre a Inclusão de alunos com síndrome de Down em escolas regulares e, na pós-graduação, sobre a Inclusão de PNEE em escolas regulares. Li muito, estudei muito, comprei materiais sobre o assunto…enfim, abracei a causa…mas fui excluída, como professora, como pessoa, eu era simplesmente aquela que queria aparecer… e que tentando sem apoio…acabou humilhada, pisada…teve momentos que cheguei a acreditar que eu não era capaz de ser professora, que eu prejudicava meus alunos e que comigo ninguém aprendia.

Não vou esconder, ainda hoje luto para acreditar em minhas capacidades e no que sou capaz de fazer em relação a meus alunos….

Aí que tudo começou, pois abracei a causa sozinha…não havia amparo, apoio da instituição escolar e muita cobrança da família….esta queria a normalização de seu filho, não a inclusão. E , o que eu pensava não era ouvido, não podia ser realizado…enfim…tudo o que eu acreditava em termos de inclusão apaguei, desliguei…os materiais que eu tinha, joguei fora, minhas monografias, sequer tenho cópias delas para hoje relembrar o que escrevi. Procurei me afastar de todo e qualquer material em que o tema fosse inclusão de PNEE…

Mas este ano, este mês, mais especificamente algumas semanas atrás, o desafio voltou a minha porta…e não menos complexo do que das outras vezes, pelo contrário…é um desafio e tanto.

Mas agora, em outra escola (que me fez acreditar que o que faço é bom, que meu trabalho não prejudica os alunos), estou mais tranquila, recebo apoio da Direção, das professoras da sala de AEE (amadas), os pais são tranquilos, tem meninas que auxiliam durante a aula (sem elas seria mais complicado) e tudo está acontecendo como sempre pensei que a inclusão deveria acontecer NO COLETIVO da escola, afinal, quem inclui não é só o professor, é a escola em sua totalidade (escola inclusiva é isso) e eu…bom, eu percebo que ainda não superei tudo o que passei, que fiquei com muitos traumas, mas sinto que estou entre amigos…e isso me deixa feliz!