E no Silêncio a Minha Alma Falou!..

A tarde chegava lentamente trazendo as montanhas verdejantes ondulando com o vento para brincarem com os meus olhos, o sol brilhante e quente de verão já começava a adormecer se escondendo e pintando um pedaço de nuvem de dourado que aos poucos desaparecia no crepúsculo que chegava apressado… Meus olhos tristes sorriram com a tarde, admiraram a pintura do sol e deram boa noite ao crepúsculo…

A noite chegou escura e silenciosa, mas aos poucos as estrelas começaram a brilhar, permaneci imóvel correndo desesperado nas minhas lembranças e pensamentos, olhei o infinito da minha memória, fui ao horizonte da minha existência procurando saber e entender quem eu era, o caminho que percorri e por que, viajei solitário, sorri, chorei e exausto adormeci…

A lua clara e a melodia do vento me despertaram para falar comigo, o vento cantava suas cantigas balançando as árvores, e a Lua com sua cor prateada encantavam meus olhos falando seus segredos e mistérios, esqueci de mim por um momento e cantei com o vento, e meus olhos escutaram a lua, mas o vento foi embora e a lua se escondeu atrás das nuvens, cantarolei sozinho esperando o vento e procurei a lua, mas não voltaram, e um imenso silêncio chegou…

Escutei o silêncio por um longo tempo, quando de repente meus ouvidos escutaram uma voz suave que dizia. –O Vento já foi, e a lua também, mas voltarão amanhã!

Procurei para ver de onde vinha aquela voz calma e suave, mas não via ninguém apenas a escutava, que continuou. –Não irás me ver, por favor, escute… Sente-se e vamos conversar!

Sentei e a indaguei –Quem és tu?

Ela Falou. –É irrelevante saberes quem sou, mas vou falar depois. Por que essa ansiedade, e esses olhos tristes e cansados, vi você correndo por sua existência procurando alguma coisa, o que procuras?

Respondi. –Procuro a mim mesmo, meu caminho, meus amigos, minhas paixões, minha história, minha existência no tempo.

Falou ela. –O mar banha as praias com suas ondas sem parar, o vento também sopra sem parar, às vezes em tempestades ferozes outras em brisas suaves que acaricia sua face, mas nunca pára, assim é você, é… Existe no tempo, e sua história acontece nesse tempo, e sempre acontecerá.

E minha vida?

Ela respondeu. –É sua existência material: família, amigos, trabalho, medos, desejos, paixões.

E o amanhã, como será?

Respondeu ela. –O amanhã chegará com a aurora, e só saberemos quando chegar.

Fiquei um instante pensando, e perguntei. –Afinal quem és?

Ela respondeu. –Sou você, sua Alma, sempre estou contigo, sou o espírito, a sua a parte não material e atemporal. Quero que entendas quem és, e se acalme, lembre-se que a vida é muito mais que as paixões: um sorriso é mais que alegria, um abraço é mais que um gesto de carinho, um beijo é mais que amar, por que somos além das paixões, somos além do horizonte da vida material!…

Mas porque a lua sumiu, e o vento também, por que não amei quem deveria, porque perdi quem eu amava, por que chorei?

Disse ela. –Bem, depois continuamos, o dia está chegando e a Vida lhe chama para a rotina.

 

Petrópolis, 14 de Março de 2009.

Vanderlei Bogen