É Hora de “Salve Jorge” Decolar

O que falta para Salve Jorge conquistar o público?

Salve Jorge

Há mais de um mês no ar, Salve Jorge, não tem mais o caráter de “a mais nova novela da Globo”. Com esse fato, o folhetim da autora Glória Perez assume certas responsabilidades, como por exemplo, atingir o “padrão Globo” de audiência, não alcançado até então.

Além do Ibope, a trama sofre para consertar problemas estruturais e conquistar o público. Tudo o que sua antecessora, Avenida Brasil, construiu (enredo ágil, menos atores, núcleos menores, momentos de clímax de tirar o fôlego) foi desprezado em Salve Jorge. Até o momento, o destaque, positivo ou não, é Roberto Carlos e seu novo hit, “Esse cara sou eu”.

Glória Perez garante que em breve vai dar um rumo, um sentido à trama, assim como fez em “Caminho das Índias”, primeiro folhetim brasileiro a ganhar o Emmy Internacional. A missão de fidelizar um público que não acompanha nem dá importância à novela será tarefa das mais difíceis, visto que já faz mais de um mês que a telenovela é exibida, sempre às 21h, hora de Brasília.

A repetição do “formato Perez” de fazer novela é um dos pontos a serem repensados. Ter muitos núcleos, por exemplo, não é necessariamente ruim, mas no caso da trama de Glória Perez é. Há momentos em que a cena se torna enfadonha e personagens que poderiam render boas interpretações apenas saem dançando pelas montanhas sem o menor sentido. Outro ponto fraco a ser reparado é o excesso de enredos e conflitos. Há histórias paralelas por todo lado, o que confunde o público de telenovelas. Haja paciência para acompanhar todas e se interessar por todas. O número grande de personagens também atrapalha o sucesso de Salve Jorge. Algumas são tão caricatas que parecem vilãs da Disney.

Quanto ao par romântico, não convenceu. Rodrigo Lombardi e Nanda Costa, nos papéis de Theo e Morena, não têm química nenhuma, o que acaba não gerando uma identificação com o público. Falta grave, pois o casal de protagonistas deve ser o ponto mais forte de uma novela.

Por fim, temos o problema da repetição. Glória Perez usa a mesma fórmula de “O Clone” e “Caminho das Índias”, novelas que foram sucesso de audiência e crítica. Porém, “Salve Jorge” ainda não obteve tal sucesso. As tramas da autora giram sempre entre o Rio de Janeiro e alguma cidade pitoresca do mundo, além dos atores serem, quase sempre, os mesmos de outras novelas da autora. A sensação de “já vi isso antes” é maior e a falta de Carminha, Tufão e companhia só aumenta. Está difícil para “Salve Jorge” segurar a audiência em frente à TV.