Da Análise à Síntese

Quantas vezes as pessoas dizem algo que para nós não faz o menor sentido e ficamos sem saber o que responder? Quando nossa intuição nos diz que tem algo errado partimos de imediato para o contra ataque. Tentamos encontrar pontos fracos no raciocínio do opositor, não para descobrir qual é o mais correto, mas para provar que eles estão errados.

Uma das habilidades requeridas pela selva globalizada é a capacidade de ler nas entrelinhas.  Outra é recuar quando o recado não nos parece suficientemente claro. O fato das colocações não serem aparentemente lógicas, não significa que não sejam verdadeiras. Mas que nos irritam instantaneamente, ah, isso irritam! Calma. O emissor pode só ter dificuldade de comunicação. Quis dizer uma coisa e foi entendida outra. Sendo assim, não compensa enfurecer-se por tão pouco. E se prezamos nosso interlocutor, tentaremos descobrir do que se trata. Sem contar que pode tratar-se apenas de uma leitura incorreta do cenário da nossa parte. Qualquer que seja a compreensão, se ela der margem para dúvida, que se dê meia volta, até que tenhamos informação suficiente e possamos voltar à carga.

Mas e naquelas horas que não dá para titubear? Quando nos deparamos mesmo com aqueles cri-cris que acham que somos obrigados a ler pensamentos e insistem que conversa inteligente é papo por metáforas e se o pobre mental não entender, tsc.tsc? Lá vem o ar de deboche e a risadinha irônica, assim, bem olhando de cima. Problema do sarcástico, claro, não nosso. Se quem conversa conosco não se dá ao trabalho de ser claro, sabe que está correndo o risco de ser mal interpretado.

Observações capciosas incomodam quem ouve e abrem a porta para os questionamentos.  Alguns podem dizer que é questão de estratégia. Pode ser. Mas quem que adotar tal postura como norma em suas conversas, em suas relações, tem que estar pronto para as opiniões alheias e aguentar no osso. Afinal, tudo bem que a análise não precisa ser feita ao pé da letra, mas síntese demais também não.