Cuidado, Bebê a Bordo

Quando estamos jovens, não imaginamos uma série de possibilidades. Nossa cabeça inquieta imagina vários cenários, várias cenas, mas quase nenhum perigo. Somos “audazes e temerários” (como diziam os piratas do Chapolin) e nos dispomos a enfrentar (quase) qualquer coisa. Mas aí acontecem os filhos, e essas criaturas de meio metro de altura jogam a verdade na nossa cara com uma brutalidade inesperada. Como pode aquela coisinha gorducha, redondinha e de olhinhos brilhantes ter tanta capacidade de nos embaraçar perante a vida?? É, meu amigo… eles têm. Se você ainda não tem filhos, quando tiver vai entender do que estou falando.

Minha companheira e eu não somos casados na igreja nem no cartório; resolvemos juntar as escovas de dente (ela odeia quando falo isso, acha nojento) e pronto. Sem festa, sem pompa, sem convite, nada disso. E sem aquela casa de casal casadinho no papel e na grinalda, sabe? Durante os três primeiros anos juntos, nossa cama era um colchão de casal colocado sobre dois paletes de madeira comuns; no início era por falta de grana, depois passou a ser “por estilo”. Nosso sofá eram almofadas pelo chão e o rack era uma tábua de um móvel de cozinha desmontado, sobre tijolos. Aí a Soraia sentiu náuseas quando eu estava preparando um macarrão à bolonhesa. Estávamos grávidos. E tudo mudou.

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Preparando o terreno

A primeira coisa que fizemos foi providenciar um plano de saúde, que não tínhamos porque felizmente nossa saúde sempre foi de inox (ferro enferruja). Mas como havia agora um novo participante chegando, precisávamos estar preparados pra qualquer eventualidade – e sabe como e planos de saúde tem carência de alguns meses. No caso do nosso, eram seis. Não ia ter jeito, as consultas e exames seriam por nossa conta.

Não precisamos mudar de casa porque a nossa tinha três quartos – o nosso, um escritório e um de bagunça. Descartamos o máximo do quarto de bagunça, realojamos o que não deu pra descartar e transformamos aquele no quarto do bebê. O berço foi decorado com protetores cheios de fitinhas e bordados, escolhidos a dedo pela Soraia – a contragosto da mãe dela, que achava perigoso. Aliás, as fitinhas do berço e a nossa cama de paletes, que ela achava que devíamos trocar por uma cama normal. Implicância danada…

Passaram-se os meses e, depois de uma gestação sem problemas e um parto que durou pouco mais de 10 horas, Gabriel nasceu saudável, gordinho e chorão. Não mais que eu, mas era bem chorão! Chorão e curioso, porque os olhos espiavam tudo que se movia. Meu garoto…

Testando o terreno

Na segunda semana do Gabriel em nossa casa, entendemos o que minha sogra quis dizer quando implicou com as fitinhas dos protetores de berço. O danadinho enrolou um dos braços nas fitinhas da lateral, e enrolou tão bem enrolado que chegou a deixar o bracinho roxo por falta de circulação. Como ele fez a gente não sabe até hoje, porque ele estava dormindo! Ele começou a chorar quando começou a doer. De imediato, desenroscamos o braço dele e cortamos as fitinhas fora.

Mas não parou por aí. Sogra é sogra, e elas têm um poder de vidência impressionante. Aos nove meses, Gabriel já engatinhava e se arrastava por todos os cantos e, numa dessas, foi até nosso quarto. Adivinhem? Sim: ele prendeu uma das perninhas gordas entre os estrados do palete da nossa cama e eu sinceramente não sei como foi que ele não quebrou! Só de lembrar a posição da perna dele agarrada naquelas tábuas me dá arrepios. Não quebrou, mas arranhou e sangrou um pouquinho, e ele chorou à beça. Nos sentimos os piores pais do mundo. A sogra não disse nada – nem precisava.

Você deve star pensando nas tomadas, não é? Disso a gente se lembrou: colocamos protetores em todas elas. E quando o Biel começou a andar, minha sogra nos deu de presente um conjunto de protetores de quina, pra colocarmos nas mesas e estantes. Bem a tempo, porque ele tinha o péssimo hábito de dar cabeçada nas quinas.

Hoje, fico pensando se a equipe de teste de segurança do Inmetro é formada por adultos ou bebês. Eta criaturinha pra testar a casa!