Crônicas Marcianas (Ray Bradbury)

As Crônicas Marcianas - Capa

Crônicas Marcianas é um livro de contos de ficção científica de 1950, de autoria do escritor estadunidense Ray Bradbury, cujo tema é a colonização de Marte por humanos vindos de uma Terra sob a iminência de ser devastada pela Guerra Atômica. Há também conflitos entre aborígenes marcianos com os novos colonizadores. O estilo do livro varia de contos a novela episódica, com histórias de Bradbury originariamente publicadas nos anos de 1940 em revistas de ficção científica.

Bradbury imagina Marte como um planeta semelhante ao nosso, habitado por seres que não são fundamentalmente muito diferentes de nós.

O planeta Marte de Ray Bradbury é um espaço onírico, quase surreal, onde percepções alteradas coexistem com exotismos sonhadores, A colonização de Marte é uma colonização sonhadora, onde se reflete o que há de melhor e de pior na humanidade. Os aventureiros que colonizam Marte são sonhadores inveterados, que procuram novos horizontes; os marcianos são fiapos de uma civilização milenar que se encontra num gentil e elegante declínio.

Bradbury imagina os marcianos como sendo detentores de poderes telepáticos, o que se traduz em visões surreais: a primeira expedição terrestre é aniquilada por um marido marciano, ciumento dos devaneios com astronautas sonhados pela sua mulher. A segunda expedição é aniquilada como uma forma de eutanásia – os marcianos acreditam que a tripulação e a nave terrestre não passam de uma elaborada alucinação incurável. É curiosa a passagem em que os astronautas, após serem recebidos indiferentemente pelos marcianos, que parecem pouco impressionados com a viagem de milhões de quilômetros que afirmam fazer, são recebidos em triunfo por marcianos.

A terceira expedição é eliminada com requintes oníricos – os exploradores humanos, ao aterrarem em Marte, descobrem que chegaram a uma versão da terra dos anos vinte, a uma cidadezinha do interior americana povoada pelos seus entes queridos já falecidos. Encantados com a companhia dos seus pais, avós e irmãos, percebem que caíram numa armadilha e são eliminados por aqueles que acreditavam ser seus familiares. Só a quarta expedição consegue obter sucesso – os marcianos haviam sido eliminados pela mais insidiosa das doenças, o sarampo, uma doença que na Terra mal faz mal a uma criança, mas que em Marte aniquilou uma civilização milenar.