Crack – Uma das Drogas Mais Avassaladoras e Terríveis de Nossa Sociedade

O crescente consumo do crack nos últimos anos no Brasil vem demonstrando o grande desafio de toda sociedade em construir uma intervenção integrada no solucionamento do problema.

O rápido consumo desta substância desde a década de 1990, vem a demonstrar a gravidade dos problemas impostos, ampliando sobremaneira as condições de vulnerabilidade, especialmente para parcelas carentes da população brasileira.

Assim o objetivo proposto é dar enfoque a uma compreensão de que o consumo e os problemas relacionados ao crack devem ser entendidos e determinados por múltiplos aspectos da existência humana, incluindo as dimensões biológicas, psíquicas e socioculturais, tanto na origem dos problemas como nas respostas de sua abordagem.

O que é o crack?

O crack é a forma impura da cocaína. Sabe-se que a cocaína é uma substância encontrada em um arbusto originário da região dos Andes, cujos principais produtores atualmente são a Bolívia, o Peru e a Colômbia.

A cocaína é o principal alcalóide – classe de substâncias orgânicas nitrogenadas – existente nas folhas de algumas espécies do vegetal pertencente ao gênero Erytroxylum Coca Lamarck, podendo ser extraída e purificada através de procedimentos químicos adequados.

Portanto, o crack é a cocaína em forma de pedras, cristais ou barras que se apresentam de diversos tamanhos, tendo como coloração que varia do branco-marfim ao bege, ou bege-pardacento; sendo este último o mais comum. Pode conter um teor de pureza que varia de 70% a 90%.

Após o processo químico das folhas de Coca, têm-se a pasta base da cocaína que é a matéria prima para fabricação de outras drogas; tais como: Merla, Cocaína Base, Cloridato de Cocaína (pó) e o Crack.

Para o processo de fabricação do Crack são incrementados na pasta base de cocaína, diversos outros produtos – ácido sulfúrico e/ou ácido clorídrico, água, carbonato de sódio, dentre vários outros produtos.

Comumente são também incrementadas durante a fabricação do crack as substãncias – pó de ardósia, gipsita em pó (gesso), querosene, solventes diversos, etc.

Assim, através do processo de mistura destas substâncias, principalmente o gesso, temos, portanto, o formato solidificado do crack em barras que geralmente pesam entre 500 gramas e 1kg. A partir daí estas barras são fracionadas em pequenas pedras que possuem geralmente 01 grama, e são comercializadas por preços que variam de região para região do Brasil, sendo costumeiramente encontrado o preço de R$10,00 por pedra da droga.

O crack é absorvido pelo organismo humano através de inalações, ingestões, induções através de agulhas e seringas. Contudo, na maioria dos casos, os usuários absorvem a droga através de inalações – fumaça.

Durante o processo de inalação, os usuários utilizam diversas ferramentas para realização do processo – utilização de caximbos, cigarros são comuns. Não raras vezes vislumbramos que os usuários utilizam materiais encontrados facilmente pelas ruas, lixos ou em casa.

Latinhas de cerveja e/ou refrigerantes são costumeiramente utilizadas pelos usuários como cachimbo improvisado. Após adquirir a lata é realizado vários furos com pregos na parte lateral/central do objeto. Posteriormente é colocada a pedra de Crack em cima dos pequenos furos, em seguida os usuários adicionam um pouco de cinza de cigarro para que a queima do entorpecente seja desacelerada.

Ao ser ateado fogo na pedra de Crack, ela começa a incinerar lentamente em forma de brasa. O usuário utiliza a entrada de ingestão da bebida da lata como cachimbo, sugando o ar de dentro da lata, que por sua vez é puxado através dos furos inseridos pelo usuário e consequentemente a fumaça da queima do Crack entra pelos orifícios, chegando até os pulmões do usuário.

Vale lembrar que durante a queima da pedra de Crack, um barulho em forma de estalos é produzido – “crack, crack, crack”. Daí, o surgimento do nome da droga – Crack.

Ação do Crack no Sistema Nervoso Central

A dependência é a complicação que, em muitas vezes ocorre entre os usuários. É caracterizado pela perda de controle do uso e por prejuízos decorrentes do consumo, obtenção e recuperação nas diversas esferas da vida – pessoal, familiar, trabalho, lazer, etc.

Quando o crack é fumado, o vapor aspirado pelo usuário é rapidamente absorvido pelos alvéolos pulmonares, levando em torno de 05 a 15 segundos para os efeitos do entorpecente alcançar o cérebro.

Efeitos

  • Sensações de aparente bem estar;
  • Aumento da capacidade física e mental;
  • Indiferença a dor e ao cansaço;
  • Rápida e intensa agitação, acompanhado de euforia e êxtase, o qual pode perdurar de 02 a 20 minutos;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Dilatação das pupilas;
  • Sudorese intensa;
  • Excitação acentuada;
  • Forte aceleração dos batimentos cardíacos;
  • Aumento da temperatura do corpo;
  • Tremor muscular;
  • Aumento da capacidade visual, auditiva e ao tato;
  • Tonteiras;
  • Síndrome paranoide – ideias de perseguição.

A euforia diminui rapidamente, sendo que nos casos de uso ininterrupto, é comum aparecer um estado de depressão pós-eufórica.

A ânsia pela droga resultante de alterações entre a euforia e depressão, tende a tornar o fumante compulsivo e menos apto para controlar a quantidade de droga usada. A dosagem e a fequência no uso tendem a aumentar rapidamente.

Para os usuários do crack é muito comum haver desenvolvimento de extrema dependência em curto espaço de tempo, traduzido por um sintoma conhecido como “fissura” – incontrolável vontade de fumar cada vez mais e mais. Daí o surgimento etimológico da palavra “Noiado”, comum e usual em nossa sociedade.

Abstinência

Os sintomas da abstinência começam a aparecer cerca de 5 a 10 minnutos após o uso. São frequentes os sintomas de fadiga, desgaste físico, tristeza, depressão intensa, inquietação, ansiedade, irritabilidade, sonhos vívidos e desagradáveis e intensa vontade de usar novamente a droga – “Fissura”.

Vias aéreas

Os sintomas respiratórios agudos mais comuns são: tosse com produção de catarro enegrecido, dor no peito com ou sem falta de ar, presença de sangue no escarro, ascentuação de asma.

Coração

O uso e/ou abuso do crack provoca o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, podendo ocorrer isquemias, arritmias cardíacas, problemas no músculo cardíaco e infartos agudos do coração.

Sistema Nervoso

São inúmeras as complicações causadas em decorrência do uso/abuso do Crack, sendo que as principais complicações neurológicas incluem o acidente cerebral vascular “derrame celebral”, dores de cabeça, tonteiras, inflamações dos vasos cerebrais e convulsões.

Danos Psíquicos

Dentre os vários efeitos maléficos causados pelo Crack, no que tange as alterações cognitivas, isto é, os efeitos avassaladores afetos ao cérebro; verificamos a ação vasoconstritora “contração dos vasos sanguíneos”, diminuindo sobremaneira a oxigenação cerebral, alterando a estrutura e funcionamento do cérebro. A inteligência é comprometida, principalemente as funções de planejamento, tomada decisória e atenção; prejudicando intensamente a habilidade do solucionamento de problemas, a flexibilidade mental e principalmente a velocidade de processamento de informações – manutenção de emoções distorcidas associadas ao controle de impulsos.

Tratamento e Abordagens Terapêuticas

O tratamento da dependência da droga é em maior parte realizada em abordagens psicoterápicas e psicossociais. Em relação ao uso de medicamentos para controle da dependência até o momento esta opção sofre várias limitações, as quais aliadas à insuficiências hospitalares, quando necessárias, prejudicam os resultados almejados neste contexto, devido a falta de estruturação da saúde pública em nosso país.

Ademais, deve ser feita uma avaliação profunda do quadro de cada paciente, levando em conta sua motivação ao tratamento, seu padrão de consumo da droga, seus comprometimentos funcionais e problemas clínicos e psiquiátricos associados.

A família é fundamental neste contexto, pois é a base, pilar fundamental de nossa sociedade, e, por conseguinte do recuperando. A aceitação do paciente durante o tratamento torna a efetividade mais próxima e real. Não raras vezes este processo é difiícil no tocante a quebra de paradigmas e formas de conduta educacional inseridas no seio familiar a que o paciente está associado.

Mudanças comportamentais são muitos importantes para o êxito da conquista do recuperando e sua família. Assim a abordagem terapêutica, que inclue os aspéctos médicos, biológicos e socioemocionais aliadas a abordagem psicossocial, que se trata da indispensabilidade e vinculação dos profissionais e serviços de saúde que acompanham a evolução do recuperando em seu âmbito familiar, diagnosticando, prevenindo e servindo de elo entre a família e seu ente querido.

  • Angela Almeida

    Este é um assunto muito delicado e importante e seu artigo esclarece várias dúvidas. É muito relevante.

    • Renato Portes Barbosa

      Olá Angela Almeida, boa tarde !

      O assunto proposto é sem dúvida nenhuma de suma importância a toda coletividade. Neste contexto abordei assuntos controversos, expondo a dinâmica dos usuários/dependentes inseridos neste cotidiano do mundo da droga “Crack”. Obrigado por seu comentário e espero retribuir nestas simples palavras o meu agradecimento.

      Um grande abraço 1

      Atenciosamente !

      Renato Portes Barbosa