Comentário sobre o Filme “A Ilha”

Filme: A Ilha

Filme: A Ilha

Lincoln Six-Echo (EWAN MCGREGOR) é um morador de um ilusório, porém rigorosamente controlado complexo, em meados do século 21. Assim como todos os habitantes deste ambiente cuidadosamente controlado, Lincoln sonha em ser escolhido para ir para “A Ilha” – dita o único lugar descontaminado no planeta. Mas Lincoln logo descobre que tudo sobre sua existência é uma mentira. Ele e todos os outros habitantes do complexo são na verdade clones cujo único propósito é fornecer “partes sobressalentes” para seus humanos originais. Percebendo que é uma questão de tempo antes que seja “usado”, Lincoln faz uma fuga ousada com uma linda colega chamada Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson). Perseguidos sem trégua pelas forças da sinistra instituição que uma vez os abrigou, Lincoln e Jordan entram em uma corrida por suas vidas e para literalmente conhecer seus criadores. A história em si é muito boa, pois aborda as conseqüências que a clonagem humana pode trazer, mas o filme tem muitas cenas de ação desnecessárias para a sua real mensagem.

A clonagem um tema difícil que o filme traz; mesmo sendo ficção mostra problemas que poderiam surgir caso isso acontecesse. E não citam doenças que foram comprovadas com os animais clonados e envelhecimento precoce. Sou a favor de células tronco, e outros estudos que possam melhorar a vida do ser humano, mas clonagem de seres humanos não!

Quando os cientistas produziram a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial muitos deles acreditavam que o artefato seria utilizado apenas para intimidar os inimigos dos aliados. O líder do projeto ao lado de um general chegou mesmo a declarar que todos aqueles cérebros privilegiados agiram de forma ingênua a ponto de desprezar as possibilidades de uso daquela tecnologia.

“A Ilha”, do diretor Michael Bay, a princípio um filme de ação sem grandes pretensões no que se refere à reflexão, nos leva a pensar e repensar os objetivos e pretensões da ciência ao abordar um dos tópicos mais polêmicos relativos à pesquisa atual, a clonagem; de uma forma que a bomba atômica não foi discutida, pelo menos eu não tenho essa informação.

 

Como em outros filmes que utilizam laboratórios como um de seus cenários principais, “A Ilha” nos coloca diante de empresários e cientistas inescrupulosos, mas nos alerta para a necessidade de estarmos de olhos abertos e atentos para os eventuais abusos e desvios da ciência…

Para eu poder dar mais opinião sobre clonagem abordada no filme fui pesquisar; comecei ler comentários que tenho certeza a pessoas não se preocupou em pesquisar antes de opinar. Li “Esse filme mostra o que estão querendo fazer, criar um embrião para retirar a medula para curar uma pessoa com leucemia”. Ora que absurdo. Para eu não cometer um erro semelhante fui pesquisar. Tirei alguns trechos que achei que tinham a ver com o assunto.

a– clonagem: processo de reprodução assexuada, produzida artificialmente, baseada em um único patrimônio genético, com ou sem utilização de técnicas de engenharia genética;

b– clonagem para fins reprodutivos: clonagem com a finalidade de obtenção de um indivíduo;
c– clonagem terapêutica: clonagem com a finalidade de produção de células-tronco embrionárias para utilização terapêutica;
d– células-tronco embrionárias: células de embrião que apresentam a capacidade de se transformar em células de qualquer tecido de um organismo.

Para não me estender só vou citar a clonagem que beneficia muito o meio ambiente que é a clonagem na área da agricultura.
Portanto a diferentes tipos de clonagem, em minha opinião há boa intenção em todas, mas como em qualquer setor pode ter alguém mal intencionado, e essas, mas intenções cabem aos governantes colocar os limites no que acharem necessário, e pensar que se os estudos que estão fazendo de clonagem terapêutica e célula tronco forem bem sucedidos salvará muitas vidas e não trará prejuízo a outras vidas, não como no filme que o seres clonados foram criados como peças que reposição.

Determinadas palavras existem como força mágica, dependendo de como são usadas, a sociedade as pronuncia e delas recebe influência. Enquanto a cultura e as instituições católicas acentuam seus esforços teóricos e práticos, a cultura dos leigos permanece a longo tempo, tendo abandonado a defesa e a promoção das posições dos leigos em favor do que possa ser modificado diante dos arcaicos pensamentos que faz questão de conservar ao longo dos séculos.

Esse pensamento conservador encontra-se ainda presente no Brasil de hoje, discutem a legislação de temas como o aborto, a eutanásia, as pesquisas sobre clonagem, a produção e consumo de alimentos transgênicos. E permanece aquecida quando a mídia as coloca em discussão. Aquecida ela permanece quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil levanta os desafios propostos à Igreja:

a- contribuir para o reconhecimento de um fundamento ético comum à reflexão sobre aqueles conteúdos;
b- contribuir para a educação da consciência moral da sociedade brasileira, de modo a ser encontrado caminho que leve à ética da solidariedade.

E que a ética triunfe em beneficio dos que tem esperança nesse tipo de terapêutica. E que Deus os ilumine!