Combate consciente ao déficit de atenção com a Ritalina®

Criança distraída na classe

A Ritalina pode ser um bom complemento para o combate ao déficit de atenção, desde que usada com consciência.

É bastante comum as pessoas se depararem com situações em que elas não conseguem prestar muita atenção. Elas se distraem com alguma coisa que vem por sua cabeça, começam a ficar com uma extrema vontade de olhar para os lados e até passam a ficar inquietas e irritadas. No entanto, imagina se isso acontecesse toda hora, em qualquer lugar? Pois é, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em torno de 4% a 5% das crianças no mundo têm sérios problemas com a concentração, um distúrbio neuropsiquiátrico chamado Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (DTAH) em que o quadro descrito anteriormente ocorre repetidamente, sem pausas.

Essa doença, que é levada em 50% dos casos para a fase adulta e por isso pode comprometer toda a vida da pessoa envolvida, é causada, segundo especialistas, pelo mau funcionamento de neurotransmissores na região frontal do cérebro. É essa a região responsável, segundo os estudos neurocientíficos, por diversas facetas do comportamento, como o autocontrole, a memória, a organização e, inclusive, a concentração. Sem os neurotransmissores atuando de forma eficiente, o que se vê é uma queda colossal nas atividades biológicas básicas, resultando, então, no déficit de atenção de muitas pessoas.

Há quem diga, contudo, que isso não existe. Há quem afirme que isso é uma invenção da medicina para “acobertar” pessoas desleixadas e preguiçosas que não querem trabalhar. Há casos em que isso até pode ser verdade, porém problemas hereditários, conflitos emocionais, crises ocorridas na gestação, deficiência hormonal e a exposição a algumas substâncias alteram, sim, o funcionamento cerebral, algo que pode ser comprovado em exames e radiografias. Há, de fato, pessoas que querem, sim, prestar atenção à aula, ao trabalho ou a algum amigo/parente, mas não conseguem.

Para esse distúrbio, muitas foram as soluções buscadas pela ciência. A Ritalina® é um medicamento que tem sido bastante popular no combate a essa doença, em virtude de sua composição que estimula o sistema nervoso. Ela tem grandes benefícios para a saúde e para a redução dos níveis de desatenção, porém, ao mesmo tempo, seu uso precisa ser consciente, ainda mais quando aplicada na infância.

 

Mecanismo de atuação

Esse medicamento é uma das mais populares versões de cloridrato de metilfenidato fabricadas pela indústria farmacêutica. Apesar de haver alguns mistérios a respeito de seu funcionamento, especialistas já sabem que ele tem como mecanismo de atuação o estímulo ao sistema nervoso central (SNC). Isso porque ele inibe a absorção pelo corpo de neurotransmissores como a dopamina e a noradrenalina, as quais influenciam positivamente o humor, a atenção e o bem-estar do indivíduo.

Além disso, a Ritalina® deixa o cérebro em estado de alerta. Com isso, o cérebro não consegue relaxar o corpo, evitando possíveis relaxamentos e distrações. É como se o corpo ganhasse um “policial” que vigia constantemente os órgãos e células, impedindo que eles deixem de desempenhar sua função e controlando-os com mão de ferro.

 

Um complemento

As vantagens desse fármaco são visíveis e ajudam muitas pessoas que sofrem de distúrbio de atenção. No entanto, isso também tem atraído a atenção de jovens saudáveis e sadios que creem que seu uso pode deixá-los mais atentos e concentrados em provas de vestibular, de concursos e da própria faculdade. Apelidada de “pílula da inteligência”, a medicação chegou a se tornar um dos produtos mais comuns no mercado negro farmacêutico, tendo sua procura crescido 50% de 2008 a 2012.

Médicos alertam que a Ritalina®, tal como qualquer outro medicamento, traz efeitos colaterais, como taquicardia, perda de apetite, enjoos, agitação e perda de cabelos. Por isso, ela só pode ser vendida sob prescrição médica, em farmácias credenciadas e de qualidade.

Aos que realmente tiverem transtorno de déficit de atenção, ela ainda deve fazer parte de um tratamento multidisciplinar e complexo, sendo apenas um complemento. Em outras palavras, as pessoas acometidas por essa doença precisam ter orientação psicológica, desenvolver atividades lúdicas e fazer exercícios físicos para uma melhora sensível e permanente de seu quadro.