Chernobyl – Uma Bomba Adormecida

Chernobyl - Uma Bomba Adormecida

Chernobyl - Uma Bomba Adormecida

Vinte e seis de Abril do ano de 1986, esta data ficou marcada para sempre na história da humanidade em todo o mundo. Uma violenta explosão arrasa uma usina nuclear da Ucrânia, e espalha mais de duzentas toneladas de material físsel radioativo pela Rússia, pela própria Ucrânia e Belarus, afetando diretamente a mais de cinco milhões de pessoas. A radioatividade liberada por aquele evento catastrófico foi equivalente a quinhentas bombas atômicas, como as de Hiroshima e Nagasaki, cujos efeitos são conhecidos por todos. Um grande choque para o mundo todo.

Foram cenas terríveis e não é nada agradável trazê-las de volta à memória. Agora, o primeiro ministro Ucraniano Nicolai Azarov estima que as perdas geradas pela catástrofe tenham causado prejuízos da ordem de mais de cento e oitenta bilhões de dólares, informando ainda que cerca de cento e quarenta e cinco mil quilômetros quadrados foram seriamente contaminados pela radiação na Rússia, na Ucrânia e na Belarus. Noventa e uma mil pessoas deixaram suas casas em um raio de quatro quilômetros da planta da usina. A usina se encontra enclausurada desde o ano de 2000, abrigando em seu interior várias toneladas de material radioativo e combustível nuclear. Uma enorme bomba que dorme.

Preocupada com este quadro preocupante, a comunidade internacional colabora com o governo da Ucrânia, contribuindo financeiramente para a construção de um imenso sarcófago, para guardar a ameaça. Guardar, não desativar. Azarov fez uma comparação que demonstra a sua intenção quanto ás atividades nucleares, dizendo: “Interromper o avanço das tecnologias nucleares é o mesmo que eliminar os computadores”. Penso que não devemos lidar com aquilo que não possamos controlar plena e totalmente, e como no caso da energia nuclear não se admite a mínima possibilidade de erro, o controle total significa ter tudo, absolutamente tudo, sob controle, inclusive as forças da natureza, lembrando-nos do Japão. Temos agora uma bomba adormecida em Chernobyl, e outra por ainda fazermos dormir em Fukushima. Dormir, eu disse. Quem, de agora em diante e mais próximos daquelas regiões vai conseguir dormir? Vamos esperar para ver. É bom o Brasil abrir os olhos para este tipo de energia e avaliar seriamente os riscos de sua utilização, ainda que os objetivos sejam nobres. Neste caso, precaução nunca é demais.