“Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se
trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as
crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se
encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão
envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E
ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos
finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos
limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se
agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no
conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida:
- Senhoras e senhores — gritam eles —, estamos flutuando no espaço!
Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela gritaria dos filósofos.
- Deus do céu! Que caras mais barulhentos! — elas dizem.
E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a
cotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está
grávida de novo?”
(Jostein Gaarder) – O MUNDO DE SOFIA, uma aventura na filosofia
legal. Só que ficar na ponta do pêlo do coelhão não é um privilégio ou primazia dos filósofos, como quer o autor, valorizando a própria profissão.
Para tanto basta discernimento, capacidade de se indignar – coisa que infelizmente estamos todos perdendo. Basta substituir o escutar pelo ouvir; o enxergar pelo ver; afrontar versões e propor ideias.
De Platão – outro filósofo – temos o trecho resumido do mito da caverna logo aqui abaixo. Volto após o fechamento das aspas.
“Imagine alguns homens presos no fundo de uma caverna com as costas voltadas para fora. Estão lá desde criancinhas e têm as pernas e os pescoços presos, de modo que possam olhar apenas para o fundo da caverna, impossibilitados de girar a cabeça. Atrás deles a luz de um fogo que arde. Entre esse fogo e os prisioneiros existe um muro e sobre o muro alguns homens que conversam, riem, se movimentam. Estes estranhos prisioneiros vêem a realidade de si e dos outros através das sombras projetadas no fundo da caverna. Cada vez que algum dos homens atrás deles fala alguma coisa, os prisioneiros acreditam que foram as sombras que disseram aquelas coisas. A realidade para eles eram as sombras projetadas”.
Tanto na história do coelhão quanto do mito da caverna, existe uma distorção da realidade.
No coelho a humanidade está mergulhada nos comezinhos da vida e perdeu a noção de proporções. Vive num círculo fechado, moto contínuo, onde a alienação do amanhã é alimentada pela de hoje. Prefere ficar ali no bem-bom que lançar-se na busca dos valores individuais e realizações pessoais. Este estado de coisas somente é possível graças ao bombardeio da mídia e da premissa cruel que diz mais ou menos assim: “não reclame da vida. Olhe para o lado e veja quanta gente está pior que você!”.
Pois é, este conceito de mal menor é o mal maior.
Em Platão os prisioneiros acreditam possuir apenas duas dimensões, a julgar pelas sombras projetadas no fundo da caverna. Para eles uma terceira dimensão é tão inconcebível quanto o é para nós uma quarta. Aqueles homens são limitados às coisas que vêem, por isso ainda que contássemos a eles as maravilhas que existem fora daquela caverna, provavelmente não acreditariam. Ainda que estas explicações viessem das sombra projetadas.
Tanto as sombras da caverna, o fundo aconchegante do pelo do coelho e as informações que recebemos, com que somos bombardeados dia e noite pela mídia, são equivalentes num quesito fundamental: distorcem ou tolhem de nossos olhos a realidade.
A mídia, não importa se de direita ou de esquerda (justamente por ser de direita ou de esquerda) o fazem com tal mestria e destreza, que acreditamos piamente que a mentira é pura verdade e a meia-verdade é uma verdade inteira. Não temos parâmetros de comparação e mesmo se tivéssemos, o extremo esforço de ganhar o dia impede muitos de nós de sequer raciocinar sobre a vida e os fatos que nos circundam.
Quem controla a mídia, controla nossas mentes. De tal sorte (ou azar nosso) que não sabemos mais distinguir o que é realidade do que é fantasia ou engodo.
Somos como criancinhas inconscientes do mundo lá fora, aninhados no fundo do pelo do coelho, aprisionados no interior da caverna, ou hipnotizados diante de um televisor. Para piorar as coisas não temos à nossa disposição a milagrosa pílula vermelha com que Neo, no filme Matrix, despertou para a realidade. Aquilo existe somente no mundo do cinema.
Como conseguir distinguir o que é falso do que é real? Onde começa a fantasia glamorosa de uma novela e inicia-se a dura realidade das favelas?
Como fazer uso outra vez de nossos destreinados neurônios? Amansados pela TV e jogados de lá e de cá pelas muitas versões oficiais dos mesmos fatos, perdemos o rumo das coisas.
Precisamos reinventar tudo!
Inclusive a roda?
Fundar uma verdadeira Democracia onde os cidadãos em linha direta através da internet ou coisa que o valha, possam decidir o seu futuro. Precisamos aposentar as velhas leis eleitorais e seus sistema de castas. Precisamos tomar posse daquilo que é nosso por direito, O BRASIL! E arrancarmos das tetas já murchas da nação os sugadores profissionais que se apossaram do país e que fazem pose na mídia como os defensores do povo brasileiro.
NÃO SÃO!
Os nossos defensores são – ou deveriam ser – nós mesmos! Cada um fazendo sua parte, buscando melhorar-se, atento às mentiras com que tentam nos convencer dia e noite de que as coisas são assim mesmo, né. Paciência.
Paciência? Sinto ânsias quando vejo um pobre aposentado na TV se lamentando, resignado e derrotado, nas filas da saúde.
Carambeiras!
Ele pagou pela aposentadoria uma vida inteira, e para que? Pará resignar-se por ter de acordar às quatro horas da manhã e ter direito a um número de senha que dará a ele o direito de ser atendido semanas e semanas depois pelo cardiologista que, durante a consulta, lhe dirá: tarde demais para o senhor. Devia ter vindo antes.
É isso? É isso e mais nada? Caputi? Finito? Fim da linha?
Pergunto: você não se cansa de ouvir sempre os mesmos nomes, de ver sempre as mesmas pessoas agarradas ao poder como se a nação pertencesse a eles? O Brasil é nosso, gente! Quem inventou a reeleição eterna dos políticos? Eles, naturalmente. E nós aceitamos, abaixamos a cabeça e, compungidos, agradecidos porque eles abnegadamente (gargalhadas da platéia) nos guiam, dizemos amém.
Precisamos saber quem se apoderou da realidade. E exigi-la de volta.
Ou você é daqueles que acreditam que um determinado telejornal, patrocinado pelo banco X ou pela multinacional Y, são isentos (ou loucos o suficiente) para darem notícias contrárias aos interesses de seus patrocinadores?
Precisamos deixar de ser homens-crianças e nos tornarmos adultos cônscios não apenas de nossos deveres, mas cientes de nossos direitos.

MANUAL DE FABRICAÇÃO
Buscando auxílio em nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade,
Precisamos reinventar o Brasil!
LINK PARA O LIVRO DIGITAL AO LADO É: http://www.hotmart.com.br/show.html?a=J13170J
Comentários Recentes
Eu tomo sibutramina ja tem duas semanas e sinceramente meu apetite nao diminuiu ...
Jardel, Estou interessado em uma Journey, principalmente pela segurança, ...
Oiie sergio , meu nome eh Sarah , tenho 15 anos, e sofro de ictiose vulgar. Desd...
um dia vo ficar igual esse cara.... comecei a fazer academia tem 1 mes com 14 an...