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Motoristas Não Respeitam Limite de Velocidade

Recentemente, foi decidido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que não será mais obrigatório placas sinalizadoras da localização de radares em estradas no país, fato que agradou a algumas pessoas e a outras não. As pessoas que gostaram dessa resolução alegam que as pessoas freiam somente aonde existem radares que são identificados por causa das placas e após isso voltam a acelerar, não dando segurança as estradas. Elas acreditam que sem as placas que avisam os motoristas passarão a respeitar mais os limites de velocidade exatamente por não saber da localização dos radares.

Para advogados do brasil da OAB a retirada das placas que alertam sobre os radares não deve ser feita. Eles acreditam que na verdade a função das placas sinalizadoras é de educar os motoristas fazendo com que eles se mantenham constantemente atentos a velocidade com que estão trafegando pelas ruas e estradas.

O perigo da retirada das placas está em o motorista que estiver em alta velocidade perceber um radar quando estiver muito próximo dele e fizer uma freada brusca, o que pode resultar em colisões e acidentes sério, levando até mesmo a morte dos passageiros.Talvez, o que esteja faltando é uma conscientização melhor para os motoristas sobre a importância de não só respeitar o limite de velocidade como também a distância entre um veículo e outro. Caso as punições para alta velocidade fossem um pouco mais severas, as pessoas passassem a respeitar mais.

Pode também se investir em propagandas que demonstre o que acontece em acidentes em alta velocidade, já que as pessoas quando veem alguma coisa que fazem e não percebem que é errada tem um impacto grande e as pode até mesmo fazer refletir sobre suas atitudes. Essa nova regra sobre as placas é válida para as estradas e não para as grandes cidades, mas não é mais obrigatório o uso delas mesmo em centros, agora depende somente de o município decidir se continuará a sinalizar os seus radares ou não.

O Capital

O sistema financeiro não consegue manter-se estável indefinidamente, necessita ciclicamente de uma regulação externa por parte do estado mesmo que diga enfaticamente o contrário, e os detentores do Capital sabem disso, contudo por uma questão de posicionamento filosófico não podem em hipótese alguma admitir.

As pessoas não compreendem que no cenário mundial existem vários atores, alguns são melhores do que os outros, O Capital é um ator super experimentado e ético, sua atuação sempre é condizente com os seus interesses, não importa sob que situações ele sempre permanecerá fiel ao seu roteiro, mesmo diante de guerras, o flagelo da fome e a devastação ambiental ele seguirá firme ao seu único objetivo que é o de gerar e acumular riquezas, mesmo que essas riquezas realmente não existam, melhor explicando, O Capital nasceu de modo natural e desenvolveu-se tanto que no plano real não comporta mais o seu tamanho e por essa razão se viu obrigado a transpor para o irreal, essa era a única maneira de continuar a crescer na mesma proporção. O Capital se viu obrigado a enveredar no campo imaterial ou filosófico onde valores não concretos poderiam ser explorados.

No plano concreto tudo pode ser mensurado, se pode ser medido necessariamente terá um início e um fim, só que as expectativas são ilimitadas enquanto que os bens materiais são limitados por capacidades físicas de produção, diante desse dilema a solução foi criar um dimensionamento irreal, onde os valores concretos teriam outro valor agregado que possibilitaria sua valorização de forma exponencial desde que os demais atores aceitassem, mecanismos especulativos foram criados para fortalecer essa valorização que não necessariamente encontra lastro em nada de concreto. Os valores monetários não representam efetivamente um décimo do que realmente valem, as grandes somas que são dificilmente assimiladas matematicamente não existem, tudo é subjetivo e só podem ser aceitas se a maioria das pessoas simplesmente acreditarem, o sistema financeiro está assentado em uma única base, a confiança.

Acredito que todos já devam ter ouvido falar da economia real e na outra que chamam de financeira, mas que na verdade é simplesmente irreal, efetivamente não existe e ciclicamente assolam crises financeiras que se originam no aumento do tamanho da parte irreal que deve ser alimentada por questões subjetivas, às pessoas necessitam em acreditar em algo que realmente não existe e quando essa fé é abalada os mercados entram em colapso, possuo um amigo economista que certa vez me disse em tom de brincadeira que o excessivo número de siglas e do uso de um vocabulário bem peculiar comum a todos os economistas não importando a nacionalidade, tinha por objetivo camuflar e tornar inacessível a maioria a grande verdade econômica, é tudo irreal, ou melhor dizendo, é tudo uma grande mentira, essas somas financeiras que os bancos possuem não são verdadeiras, as grandes empresas não geram tanto o quanto apregoam, os preços das coisas se relacionados com o custo de fabricação e o valor tecnológico agregado não são verdadeiros, existe uma construção de valores onde o Capital impõe de forma implacável e auxiliado pelo uso agressivo de todas as mídias o preço, esse conceito de valor pode ser melhor compreendido quando usamos a arte no sentido comercial da palavra, um quadro avaliado em cinco milhões de dólares, por exemplo, esse valor é fruto de uma construção restrita no campo intelectual, na prática ele não possui esse valor, mas efetivamente possui pelo fato da maioria das pessoas influentes creditarem e acreditarem nisso, um Monet (22) ser capaz de alimentar 100.000 pessoas na África durante um ano em sua opinião é real ou irreal? O que faz um diamante valer tanto? Como pode uma vasta área verde na Amazônia, cortada por maravilhosas paisagens de rios com cachoeiras e árvores lindíssimas “valer” digamos uns cem mil dólares? O valor existe pelo fato de acreditarmos nele, e O Capital usa de todos os seus recursos para avalizar essa idéia, as ações na bolsa não representam o valor que é apregoado, é tudo da economia irreal ou mentirosa se você achar melhor, as leis fundamentais da economia que nos primórdios estabeleciam o valor das coisas baseados na oferta e procura não satisfazem mais os interesses do Capital, e a crise faz parte do capitalismo, e funciona como um regulador para que o real e o irreal não fiquem tão distantes. Ao contrário do que a maioria pensa a culpa não é do Capital e sim dos outros atores que não desempenham bem o seu papel e o pior é que a maioria nem o conhece, lembra de Esopo e suas fabulas como a do escorpião e a rã, a mesma coisa é O Capital ele não pode fugir de sua natureza.

A especulação econômica é uma das maneiras encontrada para burlar uma das leis fundamentais da economia que é o princípio que todo feirante sabe, se a procura for maior do que o bem ofertado o seu preço aumenta e o se a oferta é abundante o preço despenca, não estamos no século XIX quando era possível comprar grandes quantidades de produto, estocar e provocar artificialmente a sua procura, ou disponibilizar altas somas de recursos para que fosse possível a queima de sacas de café na tentativa de aumentar o seu preço, note no que isso significa o bem perde o seu valor e a única forma de valorizá-lo é destruindo-o, ora se ele pode ser destruído é por não ser de real importância, não é lógico que algo que exista tenha que deixar de existir para que tenha valor, mas o Capital conseguiu impor essa irracionalidade, e atualmente transformou o café em uma importante commodities consumido em todo o mundo, mas nos dias de hoje os níveis de produção não permitem que ocorra, então o que o Capital teve que fazer para conseguir regular o preço da saca e especular sem ter que queimar milhões de sacas e arrancar milhões de pés de café, a resposta é bem mais simples do que a maioria das pessoas imaginam, basta que o Capital alimente incertezas no mundo real através do que não é real, melhor dizendo, a economia real submete-se diante da economia financeira, se um banco simplesmente decidir que o crédito concedido ao plantio de determinada commodities terá taxas mais atraentes que outras ele estará valorizando uma em detrimento de outra e essa atitude permite que interesses exclusivamente econômicos regulem a oferta de produtos e por conseqüência o seu preço, qualquer pessoa que detenha essa informação e possua credibilidade junto ao Mercado poderá aproveitar dessa informação e lucrar, e tratando-se de produtos agrícolas acrescente que previsões ou fatos sobre o clima de determinada região possibilitam que oscilações de preços ocorram, isso tudo colabora para que o mercado especule e tente lucrar sobre algo inexistente ou sobre uma possibilidade, como podem ser definidas as projeções dos resultados de safras que ainda nem foram colhidas . E é tudo tão subjetivo que bolsas de mercados futuros fecham negócios sobre bens que nem foram produzidos, o que isso tudo significa é que há mais oferta de capital do que bens. Como pode a representação simbólica de um bem possuir um valor maior do que o próprio bem? Ora essa resposta não pode ser respondida no campo da racionalidade, pois o valor monetário necessariamente deve estar atrelado a algum lastro, se há tanta oferta de capital ao ponto de ser possível a negociação de bens que ainda nem existem significa obviamente que as moedas não possuem qualquer valor de fato, mas milagrosamente as pessoas acreditam nelas e através delas o plantio, a produção e todos os financiamentos são mantidos, fazendo que o mercado seja regulado por moedas cujo valor não pode ser efetivamente mensurado e mesmo assim são capazes de determinar todo o ordenamento das cadeias produtivas. O estado precisa desempenhar bem o seu papel que da mesma forma do Capital é bem definido, só que existe um detalhe entre os papéis, ao contrário do Capital o estado é um ator coadjuvante.

Cabe ao estado garantir que o espetáculo continue, mediando o relacionamento entre os protagonistas que são O Capital e a Sociedade, é necessário que o estado atue em certas áreas exercendo o monopólio, em outras garanta a atuação do Capital, mas sempre tendo a sociedade como foco, afinal trata-se da maioria e da grande estrela do espetáculo. A pior falha de um estado é quando por omissão, ele possibilita que uma parte do segmento da nação explore demasiadamente outra, e por outro lado os recursos não podem ser socializados como se essa artificialidade fosse capaz de proporcionar o bem comum, com certeza isso é irreal, e o estado não pode servir aos interesses do Capital em detrimento dos anseios da maioria, a centralização da renda não deve ser combatida diretamente, e sim destruirmos os mecanismos que artificialmente a promove, esse ajuste fino é o que diferencia os bons dos maus governos. A ingerência do estado constitui um mecanismo importante na manutenção do equilíbrio social, o Capital ao longo dos anos sabe que naturalmente se verá obrigado a valer-se dos governos para a manutenção de sua estrutura, a sociedade por sua vez deve estar atenta para as situações onde o estado deva atuar com exclusividade para também promover a manutenção de todo o sistema, as áreas da educação, saúde, defesa territorial e do meio ambiente e também o controle sobre as mídias no sentido de buscar a preservação do país devem ser encaradas de maneira mais concreta, sem que rompantes apaixonados sejam fatores que inflam os ânimos da intolerância. Com cada ator ciente de suas obrigações o sucesso do espetáculo será garantido.

Gostaria agora de exemplificar para que possa visualizar de maneira mais clara tudo o que disse. Segundo o índice divulgado pelo o IBGE e pela Bovespa (23) o valor de mercado da Petrobras e da Vale superam o PIB de maior parte dos estados e do Distrito Federal, para ser mais preciso supera 23 estados e o DF, apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Rio Grande do Sul possuem PIBs maiores, agora vejamos a Petrobras onde o seu valor de mercado em 2005 era de R$173,583 bilhões, esse valor é o que mercado avaliou a estatal enquanto que o PIB do Rio Grande do Sul era avaliado em R$144,344 bilhões, ora poderia argumentar que a comparação é completamente absurda e o embasamento dessa afirmação resumi-se no fato de que se algum dia você tiver o privilégio de conhecer a Serra Gaúcha, com suas paisagens exuberantes, com seus desfiladeiros e tudo o que a natureza foi capaz de formar em milhares de anos saiba que essa região continuará existindo mesmo após a extinção de toda a raça humana, e posso assegurar que mesmo antes daqui a algumas dezenas de anos com a extinção da Petrobras a Serra Gaúcha continuará lá, firme e imponente. Se você conseguir me dar um argumento melhor do que esse que possa embasar essa relação de valor, por favor, sinta-se a vontade. Mas antes preste atenção em algumas questões que vou suscitar, esses índices correspondem ao ano de 2005 período em que a China consumiu toneladas e mais toneladas de óleo para manter alta a sua espetacular produção industrial, só que o gigante correu muito e agora nesse final de 2008 e início de 2009 já demonstra claros sinais de cansaço, isso não significa que ele vai parar para descansar, mas substituirá uma frenética corrida por uma suave caminhada e por conseqüência o valor do barril de petróleo que em vários momentos superou a casa dos US$ 100,00 hoje já acena com modestos US$ 58,32 e se as previsões sobre a fraca demanda se confirmarem é bem provável que chegue a menos de US$ 50,00, enquanto que a Serra Gaúcha continuará lá majestosa a Petrobrás amargará prejuízos e sofrerá com a sua desvalorização.
Nesse ano de 2008 um fato monopolizou o mercado financeiro brasileiro como sendo o maior negócio já realizado da história do Brasil, refiro-me a fusão de dois gigantes, o Itaú e o Unibanco, que segundo foi noticiado possibilitou o surgimento do 14º maior banco do planeta. Isso tudo não me diz nada a única coisa que me aborrece e uma vez ou outra ser surpreendido pela propaganda veiculada nos meios de comunicação dessa nova instituição, onde parecem gostar de vangloriar sobre a sua “competência” administrativa como sendo o agente que proporcionou toda essa pujança econômica. Essa propaganda é avalizada por todos os formadores de opinião e nenhuma voz com influencia vem a público falar algumas verdades. Sim, essa instituição é uma das maiores do mundo, mas carrega em sua origem nódoas que em um país onde se a seriedade fizesse parte da ordem do dia no mínimo uma investigação rigorosa essas instituições já deveriam ter sido submetidas a muito tempo. Os bancos Itaú e Unibanco possuem algumas semelhanças interessantes que talvez possa explicar toda a “genialidade” de seus executivos, que é uma próxima relação com o poder, o que em outros paises seria objeto de investigação no nosso, infelizmente, não dá nem notícia. Um dos patriarcas do Banco Itaú foi o Sr. Olavo Setúbal além de prefeito biônico da Cidade de São Paulo e Ministro das Relações Exteriores ambos os cargos no período do regime de exceção, sempre teve livre transito nos governos brasileiros e após anos de fortalecimento financeiro apoiados em benesses governamentais é claro que hoje essa presença não necessite mais de ser diretamente exercida. O Unibanco a mesma coisa, também um de seus patriarcas, o Sr. Walther Moreira Salles, sempre orbitou no campo gravitacional do governo tendo exercido durante bastante tempo os cargos de embaixador no EUA e acredite se quiser o de Ministro da Fazenda, a última afronta que descarada mente nos foi apresentada por essa instituição foi a nomeação do Sr, Pedro Malan, ex Ministro da Fazenda, para a ocupação de um cargo importante no Conselho que administra o banco. Esses posicionamentos não constituem em crime, mas são totalmente censuráveis sob aspectos éticos.

Mesmo esse gigante financeiro brasileiro não representa no campo do mundo real algo sustentável, seus impressionantes números são fruto de uma política perversa que colabora para um aumento escalar de seus lucros, analisemos os dados veiculados nos jornais, 14º maior banco do planeta, R$ 575,100 bilhões de ativos, R$ 225,300 bilhões em empréstimos, R$235,100 bilhões em depósitos, R$51,7 bilhões de patrimônio líquido, R$113,8 bilhões de valor de mercado e finalmente um lucro de R$ 8,1 bilhões. Agora se o governo aumentasse as taxas que incidem sobre o sistema bancário, reduzisse as taxas de básicas de juros e fiscalizasse com mais rigor as remessas irregulares de valores com toda a certeza esses índices seriam reduzidos em pelo menos 30% e esses bancos seriam obrigados a desempenhar políticas administrativas mais eficazes para garantir a sua sobrevivência, afinal administrar um banco no Brasil não constitui em uma tarefa difícil onde taxas de juros inimagináveis a qualquer cidadão do mundo são aqui praticadas, 9% ao mês creio que nem na Idade Média essas taxas foram aplicadas pelos senhores feudais. E todos os economistas parecem que já se acostumaram com a mediocridade como padrão para a gestão financeira. Quando o país está em processo de crescimento eles aconselham que as taxas permaneçam altas, para que mais investimentos estrangeiros entrem no Brasil, quando existe uma ameaça de recessão eles também aconselham que as taxas de juros continuem altas, para que o investidor mantenha aqui o capital aplicado e freie o processo inflacionário. Resumindo eles são incompetentes e não conseguem vislumbrar que só fortalecimento interno do nosso sistema financeiro poderá nos levar ao desenvolvimento, a dependência externa em qualquer situação é nociva.

Sakineh Mohammadi Ashtiani

Quem não tem refletido nos últimos dias sobre a iminente execução da iraniana condenada à morte por apedrejamento?  Sakinneh foi condenada por adultério e cumplicidade na morte do marido.

Até onde as leis e costumes de um país podem ir?  Em pleno século XXI, no auge da globalização, não houve interferência política ainda capaz de fazer o governo iraniano voltar atrás em sua sentença. A união européia pediu ao governo do Irã o cancelamento da sentença, o Brasil ofereceu refugio para a condenada, mas nada fez com que o judiciário iraniano anulasse a condenação.
A ativista iraniana Mina Ahadi, do Comitê Internacional contra Apedrejamento (Icas) pediu ajuda a recém eleita presidente Dilma Roussef , pelo fato de ser mulher e conhecer as lutas e causas femininas, segundo a ativista. Estavam todos esperando que a execução da iraniana acontecesse nesta quarta-feira dia 03 de Novembro, mas não foi o que aconteceu afirma o Ministério iraniano, que garante que Sakinek está em perfeito estado de saúde.
Esta execução não será tão simples para o Irã. Ganhou repercussão mundial e os olhos atentos da imprensa. As execuções no Irã costumam acontecer sempre no mesmo horário, longe dos olhos da mídia. Calcula-se que mais de 50 pessoas aguardam a morte por apedrejamento no Irã.
Cabe a nós pobres mortais , torcer para que algumas das interferências humanitárias, políticas ou religiosas (o que seria quase impossível frente a convicção religiosa do Irã), que a situação de Sakineh se reverta, e que não seja necessário noticiar a forma que a iraniana foi executada e sim como foi isentada de tal crueldade.

O Povo e as Ervilhas – Uma Lição de Comodismo

Hans Christian Andersen

Hans Christian Andersen

Dentre os vários contos de Hans Christian Andersen, um me chama atenção por se enquadrar nos critérios modernos de educação. É a fábula “As 5 ervilhas na vagem”.

O conto narra o destino de 5 ervilhas que nasceram e cresceram juntas numa mesma vagem

Um dia foram colhidas pelo agricultor e foram parar nas mãos de um menino que, com uma zarabatana, atirou-as em todas as direções. Dentre elas apenas uma se dá bem, a quinta e última. Era a mais silenciosa, pouco participativa, que não exprimia sua opinião, que não impunha suas ideias e que não sonhava. Que aceitava seu destino como algo invariável, imutável. A ervilha que baixava a cabeça e se submetia.

Subentende-se que as outras 4 se deram mal por serem egoístas, vaidosas, dadas a sonhos mirabolantes como viajar até o sol, por se considerarem muito importantes e especiais. Ou seja, por não se reconhecem mais como simples ervilhas!

Da mesma forma somos treinados desde cedo a: não se ocupar do que está além do próprio horizonte, não formar opinião, não desenvolver o senso crítico, não indignar-se, não sonhar além dos limites das próprias mãos, não perseguir seus ideais.

Somos induzidos a ocupar-nos apenas de crescer, ter uma profissão, ajustar as viseiras de burro, assistir TV, pôr filhos no mundo para o bem do Estado e ir às urnas como eleitores amestrados para o bem dos nossos políticos profissionais.

O objetivo do autor, quero crer, era apenas de ensinar a virtude da humildade. Porém sua mensagem, querendo ou não, vai muito além disso e indica aos nossos filhos o caminho fácil da aceitação, do comodismo, da alienação como o bem maior. E diz a todos nós que o melhor mesmo é ser igual, ser apenas mais um, desaparecer em meio ao senso comum. Sem bandeiras, senão a que eles nos impõem!

Esse é o ensinamento que constantemente o Estado e as Religiões incutem em nossas mentes, pois sempre foi e será o objetivo maior dos dominantes de turno, pouco importando se à direita ou à esquerda das ideologias políticas: manter a população numa espécie de torpor, numa realidade alternativa composta por futebol, músicas vazias e tolas, telenovelas, BBB’s, fazendas, fazendinhas, fazendolas, religiões que pregam não o autoconhecimento e um

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despertar para a espiritualidade, mas um mergulho profundo em dogmas, crenças, ritos, tabus e dízimos copiosos.

Pois um povo ignorante de sua própria condição e incapaz de reconhecer ou identificar a força imanente que todo povo tem, é o sonho de políticos, grandes empresários e empreendedores religiosos.

Se amanhã ou depois alguém repetir a façanha do Guga (nada contra, muito pelo contrário!) e se tornar o número um do mundo, é capaz de desfilar em carro aberto do Corpo de Bombeiros e virar herói nacional. Se ao invés disso ganhar um prêmio Nobel, terá apenas algumas linhas tímidas na mídia e uns afagos discretos dos mandatários do país – jamais será um herói, jamais a fina flor da raça!

Cidadãos conhecedores de seus deveres e cientes de seus direitos, que cobram dos políticos a lisura de seus mandatos, é um conceito perigoso e inconveniente e que não interessa aos dominantes da vez.Por isso desensina-se nas escolas, nas ruas, nas TVs, nos jornais, nos depoimentos, nos blogs de partidos, nos sites de coisa nenhuma, nos programas partidários obrigatórios, nas famigeradas e odiosas propagandas eleitorais gratuitas.

Por isso em vez de aulas de Moral e Cívica, capoeira; em vez de sociologia, levantamento de copos; em vez de filosofia, futebol; em vez de arte, desastre!

Em vez de cidadãos, ELEITORES!!

Alicates e Pneus

Meu falecido pai tinha um alicate de pressão. Eu tenho um alicate de pressão. O dele. E que utilizo até os dias de hoje.

Muitas de minhas ferramentas que comprei ao longo dos anos e que são tidas como modernas, se foram: uma tico-tico, a própria maleta de ferramentas, uma chave de fenda que gira em falso dentro do cabo plástico, um arco de serra que ostentava ardilosamente na vitrine um título de “profissional”, brocas chinesas empenadas, um alicate POP que não morde mais o arame do arrebite…

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Enquanto isso o alicate de pressão, outrora de meu pai, me olha irônico e vetusto, repousando docemente na bancada de trabalho.

Ele deve ter algo de uns bons 40 anos de trabalho ininterrupto. Pesado e robusto. A mola, impecável, continua pressionando com a força de sempre. O sinal mais visível da passagem do tempo é o antigo cromado que um dia recobria e embelezava a ferramenta e que ora não existe mais, revelando a todos a alma férrea com que o alicate foi construído.

Foi fabricado para durar no tempo e acompanhar o profissional ao longo dos anos. Silencioso e útil. Confiável. É um produto de antanho, elaborado sem o maldito vírus da autodestruição com que são construídas as coisas nos dias de hoje.

O que muitos não compreendem em profundidade é a relação quase que direta entre o fabricante e o aterro sanitário! Tanto é assim que ao longo de um ano devo trocar 2, 3 e até 4 vezes a resistência do chuveiro elétrico aqui de casa.

Nós, consumidores, somos uma espécie de transportadores, de intermediários cuja função principal é aquela de esvaziar os galpões das fábricas cheios de produtos ordinários e os pátios abarrotados de automóveis de papel – experimente uma batida de frente entre um pobre fusquinha anos 60 e um carro de luxo dos tempos de hoje!

Para que a economia continue funcionando e o país se diga “sadio” são necessárias duas premissas:

A – um aumento constante do número de consumidores e

B – um tempo de vida útil – inútil! – dos produtos.

Assim é a economia, a menos profícua de todas as ciências, incapaz de oferecer uma alternativa válida à necessidade de consumo crescente para que um país possa matar a fome de sua população – e não me falem de comunismo, pois aquilo é uma múmia engessada.

Consumo, consumo, consumo. Shoppings, centros de consumo, praças de alienação! E o planeta que se dane!

Anos atrás vi um filme – não me recordo o nome – onde um jovem cientista conversava com os colegas sobre a maior invenção de seu pai: uma borracha para pneus que nunca se gastava. Contava, ainda, que a invenção tinha sido enviada a todos os fabricantes de pneus do país e que, estranhamente, nenhum deles tinha se interessado pelo produto.

Doce inocência.

O alicate de pressão de meu pai e o pneu indestrutível do filme são dois produtos impossíveis de existirem nos dias de hoje, onde o objetivo das fábricas não é criar coisas úteis e duráveis, mas sim e só fabricar, fabricar e fabricar. Por isso as coisas devem se acabar logo, deixando espaço aos objetos de última geração que, num arco de tempo bem curto, serão ultrapassados por outros.

Pergunto a você que está lendo este artigo, quantos celulares compraste até o dia de hoje? Precisava deles? Todos? Eram imprescindíveis à sua vida? Sem eles tudo teria perdido o sentido? As tuas manhãs não seriam mais coloridas e tudo-tudo seria um borrão só?

Conheço gente que troca de aparelhinho todos os anos, pois perdemos de vez a noção de proporções e bom-senso e nos transformamos em toscos e tolos consumidores, prontos para devorarmos as últimas novidades tecnológicas que as indústrias colocam ao alcance de nossos olhos.

Ávidos olhos.

A Apple e o Steve Jobs que o digam! Fazer fila um dia antes na porta de uma loja ainda fechada para comprar no dia seguinte o último modelo de iPad (iPod, iPid, iPud, Aiai) é uma das coisas mais idiotas que já vi na vida. Isso sem falar que a empresa “trancou” o Unix dentro de seus aparelhinhos, contrariando a política de software livre com a Apple nasceu.

Se compararmos um celular de cinco anos atrás com um desses de última geração, muita coisa mudou. No entanto a essência continua a mesma: TELEFONAR. Todas as tecnologias embarcadas nos celulares de hoje já eram conhecidas 5 anos atrás. Porém os fabricantes as incorporam em conta-gotas, atiçando na gente a vontade de ter aquele aparelho mais moderno, mais completo, o de última geração – um abestalhado símbolo de status e mesmice. Mesmice igual às redes sociais “bombantes” – mas tá todo mundo lá dentro mesmo? Ficou ninguém de fora não!? Que horror!

A economia, os gênios das finanças, a busca incessante pelo crescimento do tal PIB, o incentivo desenfreado ao consumo gravando sobre os limitados recursos da terra. Afinal quantos planetas nós temos para depredar? Quantos para viver? O mundo virou uma imensa lixeira a céu aberto, abarrotado de produtos ordinários. Belos, tecnológicos, quebrados e ordinários.

Ele é o Cara. Ele é Tudo o que a Direita Sempre Quis

Normalmente, quando nos identificamos com o ideal de alguém, tornamo-nos discípulos dele, assimilando seus exemplos e virtudes. Na maioria das vezes no decorrer da vida, abandonamos antigos conceitos e seguimos outro rumo. Ocorre também, do protagonista se deter na periferia da história, disposto a manter suas idéias, implacável para que o círculo seja fechado. Tudo bem, caso se tratasse de apenas um dogma a ser quebrado. O outrora mestre seria olhado com desdém pelos ex-admiradores, por ter se imobilizado num ponto, enquanto tudo ao redor sinalizava que o conhecimento deveria moldar-se pelos acontecimentos e, mesmo se desviando do detalhamento inicial, preservaria a essência e não se refugiaria no sectarismo.

Quando o personagem cuja vida é o símbolo de um ideal, se desvencilha de seu passado como quem tira uma roupa que não gosta mais, direciona sua convicção ferrenha a serviço da vaidade pessoal. Incute em si que o poder só é poder mesmo, com vitórias esmagadoras. Constrói seu castelo sobre resultados que se devem mais à continuidade de um modelo já implantado. O que seria sua maior virtude, a humildade de reconhecer que em time que está ganhando não se mexe, o aprendiz de feiticeiro quer mais. Seu ego quer ser o protagonista e o primeiro passo é não aceitar objeções. Está regada a sementinha da ditadura. No momento em que o nosso herói, escancara suas contradições, coloca-as sob o guarda-chuva da necessidade e do aprimoramento. É uma tática tão elementar quanto certeira. Qualquer um que “reconhece” antecipadamente suas limitações critica-se primeiro para que ninguém tenha a primazia da objeção. A incoerência se torna conciliação. Manifesta as diferenças que separam seu caráter daquele do seu opositor, transmite a impressão de não gostar dele, quando na prática é uma tentativa de igualar-se ao desafeto e desvencilhar-se da inveja silenciosa.

Quem renegou um ideal com o único objetivo de chegar ao topo, foi porque este ideal exigia dele uma grandeza insuportável. O que era amor e honra se tornou um fardo, cabendo-lhe representar uma comédia do passado, usando a eloqüência a serviço do ideal que na prática se encarregou de deturpar, afinal, um pouco de benevolência com os seus admiradores faz parte do espetáculo. Todos precisam ser adequadamente afagados. É indiferente se o favor feito a alguém em detrimento de todos os outros, resulta em prejuízo à utilidade pública, oligarquizando o poder e as decisões. Faz parte da troca de favores. Não há espaço para submeter suas decisões ao exame e escolha de alternativas, mesmo entre os seguidores. Quem não aderiu incondicionalmente foi alijado das estratégias e transformado gradualmente em adversário, seja por maquinações de bastidores, seja induzindo ao partido a demonstrar publicamente a falta de apoio. Discutir determinações é muito mais malévolo aos interesses do mestre que a oposição radical.

Os grandes homens levam consigo as qualidades do período em que viveram ou governaram. Haja esforço e mentes obscuras para que se apague a excelência dos feitos. Para isso, não basta o detrator. Atrás dele, uma legião de seguidores comprometidos por uma teia inexpugnável de favores, aos quais só resta a aceitação incondicional. Não há do que se envergonhar em admitir a adoção da maneira de governar de outrem. Basta ser honesto com os alicerces que sustentam tudo aquilo a que deu continuidade. Quando queremos nos tornar superiores ao que aparentamos, atacamos com injúrias aqueles que são melhores que nós, certos que nessa primeira investida a vítima não vai se rebaixar e devolver a afronta. A pessoa agredida entende que está acima disso tudo. Mas as investidas continuarão até que seu objetivo se realize. O ato de não revidar, com o tempo, confunde-se com fraqueza. As bases são corroídas imperceptivelmente, que é tudo que o agressor quer: Desqualificar o criador. Minando o adversário, eleva-se à altura dele. O mérito do sucesso relativo, da competência deturpada, traduz-se numa virtude aparente, motivada pelo egoísmo, mas que por atingir aquilo que se pretende, enobrece seu autor. O sucesso canoniza as intenções. Mas a história se encarrega de registrar o papel dos líderes autênticos. Não há motivo em nossos dias para o plágio político.

Onde se põe toda a própria força em jogo, deve-se encantar-se e não examinar e duvidar. Não passa pela cabeça do herói de mil faces que tanto o apoio quanto a crítica e até o combate são fundamentais quando se trata do bem público. Tampouco se exige que ao olhar para trás tenha uma veneração piedosa pelos antecessores, mesmo que se tratem dos seus adversários políticos. Não há problema nenhum em programas de distribuição de renda. O fim em si é virtuoso. O que não se pode é usar algo que não criou, não idealizou e arvorar-se de dono da criatura. O olhar condescendente aqui é para a população que clama pela proteção que infantiliza na esperança de que pelo menos uma fatia do bolo lhe caiba. Com o tempo, o pedinte pode adquirir o olhar desavergonhado de que falava Luiz Gonzaga: – Esmola mata de vergonha ou vicia o cidadão. O talento de outrora que despertava multidões apaixonadas, hoje, deixa em um batalhão de órfãos, a sensação de que as virtudes escorreram pelo ralo.

Se há novos donos do poder e eles se perpetuam a ponto de obscurecer as mentes, é porque há eficácia em atender o que esperam as cabeças que preferem não enxergar a luz. Gente para quem basta a afirmação, o olho no olho do dirigente pregado numa tela de TV, o que torna a adesão mais confortável. O personalismo nos domina, independente da nossa classe social. Não importa que ELE não discuta conosco. Argumentar para quê? Demonstrar demais alimenta a desconfiança. A verdadeira prestação de contas é feita nos bastidores. Nas medidas referendadas pelo Legislativo e garantidas pelo aparato estatal, nosso herói sacia o apetite da Direita, que, uma vez atendida de maneira exemplar em seus interesses, não reclama de nada e puxa a claque de palmas.
A estabilidade e o lucro garantidos aos setores da construção, automobilístico, telefonia, dentre outros, encabeçados pelo setor financeiro, permitiram que se tecesse uma rede de proteção ao “gênio dos desejos”. Suas malhas são fortes o suficiente para reter para si o quinhão maior de riqueza, mas se dão ao luxo de deixar passar os restos distribuídos perversamente ao grosso da plebe, cuja exigência se aplaca com pouco.

Ligamos nossa escolha à pessoa que irá corresponder às nossas expectativas particulares ou de quem nos decepcione menos. Dos males, o menor. Somos coniventes e votamos por imaginação. Aceitamos de bom grado quem nos vende a realidade melhor. Que meios e artifícios são utilizados não importa. Para isso o esquecimento nos é conveniente. E La nave va! O aplauso transmutado em voto nos diz que o show vai continuar. As marionetes se recolhem tímidas ao fundo da caixa. Até que daqui a quatro anos sejam retiradas de novo e um novo espetáculo seja montado. Até lá, a Direita educará quem se arvora a substituto do bem sucedido fantoche que se retira. Mas não nos enganemos. Outros fantoches já estão sendo gestados, seja para entrar em ação em caso de falha de quem ora é pretendente ao posto, seja para dar continuidade ao espetáculo dentro de quatro anos.

Para Onde vai nosso Dinheiro!

É mais uma vez o brasileiro é visto somente como parte da máquina de criar dinheiro à União. Recentemente foi aprovado a sanção de incentivos fiscais para a construção do estádio do Corinthians. São R$ 420.000.000,00 Milhões de incentivos fiscais para um time que pode pagar R$ 90.000.000.00 por um jogador que nem sabe se será realmente feita a negociação, e isso será cobrado de pessoas que nem mesmo podem pagar porque com o que ganham muitas vezes nem conseguem se manter. E não se engane, todo esse montante será cobrado de nós.

É meus amigos, a coisa nesse país tá muito feia, enquanto as pessoas não deixarem de votar nesses vagabundos tudo só irá piorar. Não adianta pensarmos que somente com críticas alguma coisa vai mudar, porque não vai. Isso é uma das bandidagens que ocorre nesse país. Venho assim dizer que a saúde, educação, bem estar, segurança e tudo mais que é necessidade básica para uma pessoa não é só privilégio de quem torce para o São Paulo, Palmeiras, Santos,  Corinthians; porque aqui o que importa é o ser humano independe para qual time torça, todos vão pagar pela bandidagem dos cartolas e políticos deste país, é lamentável.

Clique no link a seguir e veja o vídeo sobre o tema tratado nesse artigo: http://g1.globo.com/videos/sao-paulo/v/presidente-do-corinthians-chora-ao-receber-documento-de-incentivos-fiscais-para-estadio/1570867/

Dilemas da Liberdade de Escolha

Não ter medo, ser ousado, lidar com a adversidade e com as falhas humanas, – visto que, invariavelmente, em algum momento, erramos -, são atributos que entendemos necessários a àqueles que aspiram deter a tão propalada liberdade de escolha. Porém, qualquer autonomia esbarra na adesão forçada a que são submetidos os integrantes da base da pirâmide na nossa sociedade.

Os direitos pessoais tem como limite o direito alheio, conforme as leis promulgadas  pelo Estado. A insegurança e a incerteza são sentimentos que sempre permearam o viver dos menos favorecidos. Num mundo onde a segurança dos direitos pessoais obrigatoriamente se alicerça na garantia dos direitos políticos, sem estes últimos, não se pode confiar nos primeiros. A liberdade se torna um sonho inalcançável. Os problemas são globais, repercutem nas questões locais e não admitem soluções gestadas no microuniverso, aqui em Pindorama.

O efeito dos acontecimentos econômicos mundiais, que privilegiam poucos e excluem muitos, une poder e política em escala planetária. O Estado impotente, não protege mais a sociedade. A força do mercado – amo e senhor – cujos agentes manipulam ao bel prazer uma enxurrada de capitais, qual tsunami passeando violentamente de um lado a outro do planeta; expõem a sua sagacidade ditando normas e impondo consequências que cabe ao Estado contornar. Na globalização negativa[i], são confiscados os meios de que precisariam para gerir seu destino, limitando a efetiva proteção aos seus habitantes. Não há mais ferramentas domésticas para garantir-lhes a segurança.  As nações perderam a primazia na condução dos assuntos globais, restando-lhes administrar crises, trabalhar basicamente com medidas emergenciais. Tais assuntos seguem seu curso independentemente do que façamos ou que possamos sensatamente pretender.

Nesse cenário, os direitos políticos são instrumentos de consolidação das liberdades pessoais calcadas no poder econômico. Quem não tem haveres, fica impossibilitado de exercê-los. Os recursos materiais e culturais que tornariam os integrantes das classes baixas aptos a serem “premiados” com os direitos políticos, são de difícil aquisição, pois a sua ascensão está condicionada a um equilíbrio de forças das quais os indivíduos são apenas peças da engrenagem.

Os problemas mundiais só são motivo de preocupação política quando provocam repercussões locais. A poluição em escala planetária do ar, da água, a exaustão dos recursos ambientais, só nos afeta quando alguém resolve construir um depósito de lixo tóxico perto da nossa casa, criando uma proximidade assustadora.[ii] A competição entre empresas farmacêuticas internacionais só é percebida, torna-se objeto de um olhar político, quando os serviços de saúde e suas instituições quedam-se defasados. Igualmente, o morador do continente europeu se sente receoso e ameaçado em sua segurança, quando o governo constrói moradias para refugiados no seu bairro, sinal que gente excluída bate às suas fronteiras, exigindo também para eles o mundo melhor que os primos ricos possuem.

As contingências do Estado e a tomada de decisões cada vez mais rápidas, ao sabor das quebras mundiais restringem o direito de escolha. Não se faz o que se quer, mas o que se pode. Esse imediatismo afetou o modo de legislar. Aqui no Brasil, o Executivo se arvorou no direito de fazer as leis ao abusar do recurso da Medida Provisória, sob o pretexto da urgência, transformando o Poder Legislativo em entidade que referenda atos que deveriam ser originados dele. Com isso, a sociedade se torna autoritária; reflexo dos esquemas políticos e econômicos pelos quais é regida. Sob a alegação de garantir preceitos morais ou de saúde, por exemplo, acabam impondo a maioria das regras às população.

O Estado que dita à exaustão aquilo que o indivíduo deve fazer, invade a sua privacidade e não lhe deixa opções. As proibições reduzem o espaço de ação individual e só permite escolha dentro de um formato rígido, preestabelecido.  Em decorrência disso, a capacidade de influir no processo de elaboração das leis é quase nula. As determinações que são a espinha dorsal do poder, que influem direta e profundamente na vida das pessoas não estão ao nosso alcance. Confinam-se no âmbito governamental, que por sua vez se submete às contingências mundiais, para manter o seu status quo.

A perspectiva de fazer a diferença enquanto indivíduo sucumbe ante a coerção dos currais econômico-eleitorais. Os direitos pessoais e os direitos políticos são exercidos assim, por uma minoria abastada da sociedade. O direito de voto é mero instrumento de submissão à vontade de outrem. A pobreza suga a energia na luta pela sobrevivência e a vontade das pessoas fica à mercê de promessas vazias e de fraude.

Algum tipo de escolha nos resta e as fazemos diuturnamente. Seja por ação, omissão, intuito ou negligência. Por decisão consciente ou apenas seguindo – cega e mecanicamente – os padrões costumeiros; por discussão ou deliberação conjunta ou apenas aderindo aos meios em que hoje se confia, por estar atualmente na moda ou ainda não terem sido desacreditados.  Regras de convivência são estabelecidas, mas se trata apenas de um armistício. É nesse confronto que se desenvolve a dinâmica das nossas cidades modernas; onde as identidades locais se chocam e lutam para firmar um acordo satisfatório, que defina uma paz duradoura, mas que se sustenta apenas até que a urgência exija uma nova adaptação.[iii]


[i] –  Zygmunt Baumann – Tempos líquidos -, Zahar, 2007,.

[ii] Idem, pag. 88

[iii] Ibidem.

A Reinvenção do Brasil

Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se

trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as

crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se

encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão

envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E

ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos

finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos

limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se

agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no

conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida:

Senhoras e senhores — gritam eles —, estamos flutuando no espaço!

Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela gritaria dos filósofos.

Deus do céu! Que caras mais barulhentos! — elas dizem.

E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a

cotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está

grávida de novo?”

(Jostein Gaarder) – O MUNDO DE SOFIA, uma aventura na filosofia

legal. Só que ficar na ponta do pêlo do coelhão não é um privilégio ou primazia dos filósofos, como quer o autor, valorizando a própria profissão.

Para tanto basta discernimento, capacidade de se indignar – coisa que infelizmente estamos todos perdendo. Basta substituir o escutar pelo ouvir; o enxergar pelo ver; afrontar versões e propor ideias.

De Platão – outro filósofo – temos o trecho resumido do mito da caverna logo aqui abaixo. Volto após o fechamento das aspas.

Imagine alguns homens presos no fundo de uma caverna com as costas voltadas para fora. Estão lá desde criancinhas e têm as pernas e os pescoços presos, de modo que possam olhar apenas para o fundo da caverna, impossibilitados de girar a cabeça. Atrás deles a luz de um fogo que arde. Entre esse fogo e os prisioneiros existe um muro e sobre o muro alguns homens que conversam, riem, se movimentam. Estes estranhos prisioneiros vêem a realidade de si e dos outros através das sombras projetadas no fundo da caverna. Cada vez que algum dos homens atrás deles fala alguma coisa, os prisioneiros acreditam que foram as sombras que disseram aquelas coisas. A realidade para eles eram as sombras projetadas”.

Tanto na história do coelhão quanto do mito da caverna, existe uma distorção da realidade.

No coelho a humanidade está mergulhada nos comezinhos da vida e perdeu a noção de proporções. Vive num círculo fechado, moto contínuo, onde a alienação do amanhã é alimentada pela de hoje. Prefere ficar ali no bem-bom que lançar-se na busca dos valores individuais e realizações pessoais. Este estado de coisas somente é possível graças ao bombardeio da mídia e da premissa cruel que diz mais ou menos assim: “não reclame da vida. Olhe para o lado e veja quanta gente está pior que você!”.

Pois é, este conceito de mal menor é o mal maior.

Em Platão os prisioneiros acreditam possuir apenas duas dimensões, a julgar pelas sombras projetadas no fundo da caverna. Para eles uma terceira dimensão é tão inconcebível quanto o é para nós uma quarta. Aqueles homens são limitados às coisas que vêem, por isso ainda que contássemos a eles as maravilhas que existem fora daquela caverna, provavelmente não acreditariam. Ainda que estas explicações viessem das sombra projetadas.

Tanto as sombras da caverna, o fundo aconchegante do pelo do coelho e as informações que recebemos, com que somos bombardeados dia e noite pela mídia, são equivalentes num quesito fundamental: distorcem ou tolhem de nossos olhos a realidade.

A mídia, não importa se de direita ou de esquerda (justamente por ser de direita ou de esquerda) o fazem com tal mestria e destreza, que acreditamos piamente que a mentira é pura verdade e a meia-verdade é uma verdade inteira. Não temos parâmetros de comparação e mesmo se tivéssemos, o extremo esforço de ganhar o dia impede muitos de nós de sequer raciocinar sobre a vida e os fatos que nos circundam.

Quem controla a mídia, controla nossas mentes. De tal sorte (ou azar nosso) que não sabemos mais distinguir o que é realidade do que é fantasia ou engodo.

Somos como criancinhas inconscientes do mundo lá fora, aninhados no fundo do pelo do coelho, aprisionados no interior da caverna, ou hipnotizados diante de um televisor. Para piorar as coisas não temos à nossa disposição a milagrosa pílula vermelha com que Neo, no filme Matrix, despertou para a realidade. Aquilo existe somente no mundo do cinema.

Como conseguir distinguir o que é falso do que é real? Onde começa a fantasia glamorosa de uma novela e inicia-se a dura realidade das favelas?

Como fazer uso outra vez de nossos destreinados neurônios? Amansados pela TV e jogados de lá e de cá pelas muitas versões oficiais dos mesmos fatos, perdemos o rumo das coisas.

Precisamos reinventar tudo!

Inclusive a roda?

Fundar uma verdadeira Democracia onde os cidadãos em linha direta através da internet ou coisa que o valha, possam decidir o seu futuro. Precisamos aposentar as velhas leis eleitorais e seus sistema de castas. Precisamos tomar posse daquilo que é nosso por direito, O BRASIL! E arrancarmos das tetas já murchas da nação os sugadores profissionais que se apossaram do país e que fazem pose na mídia como os defensores do povo brasileiro.

NÃO SÃO!

Os nossos defensores são – ou deveriam ser – nós mesmos! Cada um fazendo sua parte, buscando melhorar-se, atento às mentiras com que tentam nos convencer dia e noite de que as coisas são assim mesmo, né. Paciência.

Paciência? Sinto ânsias quando vejo um pobre aposentado na TV se lamentando, resignado e derrotado, nas filas da saúde.

Carambeiras!

Ele pagou pela aposentadoria uma vida inteira, e para que? Pará resignar-se por ter de acordar às quatro horas da manhã e ter direito a um número de senha que dará a ele o direito de ser atendido semanas e semanas depois pelo cardiologista que, durante a consulta, lhe dirá: tarde demais para o senhor. Devia ter vindo antes.

É isso? É isso e mais nada? Caputi? Finito? Fim da linha?

Pergunto: você não se cansa de ouvir sempre os mesmos nomes, de ver sempre as mesmas pessoas agarradas ao poder como se a nação pertencesse a eles? O Brasil é nosso, gente! Quem inventou a reeleição eterna dos políticos? Eles, naturalmente. E nós aceitamos, abaixamos a cabeça e, compungidos, agradecidos porque eles abnegadamente (gargalhadas da platéia) nos guiam, dizemos amém.

Precisamos saber quem se apoderou da realidade. E exigi-la de volta.

Ou você é daqueles que acreditam que um determinado telejornal, patrocinado pelo banco X ou pela multinacional Y, são isentos (ou loucos o suficiente) para darem notícias contrárias aos interesses de seus patrocinadores?

Precisamos deixar de ser homens-crianças e nos tornarmos adultos cônscios não apenas de nossos deveres, mas cientes de nossos direitos.

MANUAL DE FABRICAÇÃO

 

Buscando auxílio em nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade,

Precisamos reinventar o Brasil!

LINK PARA O LIVRO DIGITAL AO LADO É: http://www.hotmart.com.br/show.html?a=J13170J

Fome na África – Vergonha Da Humanidade!

 

Como Dar Cor a Esta Imagem?

Dias atrás escrevi um artigo no meu blog – www.clarideias.com – onde falo dos problemas enfrentados pela França. O país vive uma as piores secas dos últimos tempos que, se continuar por mais tempo, põe em risco o funcionamento das centrais nucleares que produzem energia elétrica. Se o problema se agravar eles terão que desligar as usinas e racionar energia.

Tremendo, terrível, tristíssimo!

Mas a França é um país rico – um dos mais ricos do mundo! – e de um modo ou de outro irá superar o problema.

Infinitamente pior que ele, estão os africanos. Eles sim estão atravessando um prolongado período de seca agravada pela falta de infraestrutura e economia arrasada. Imagine que no Kenya e na Etiópia choveu apenas 30% da média registrada entre 1995 e 2010.

Vou repetir: choveu apenas, só, simplesmente, meramente 30% da média dos últimos cinco anos!

Em todo o continentes corre-se o risco de morrer de fome 38 milhões de pessoas (World Food Program – www.wfp.org

Em todos os países da região se registra uma grave desnutrição difusa e a FAO www.fao.org estima que 8.000.000 de pessoas irão necessitar de ajuda de emergência na Etiópia, Kenya, Somália e Gibuti.

Somália: a taxa de desnutrição está entre as piores do mundo. A seca está atingindo todo o país, provocando a morte dos animais de corte e um aumento estratosférico dos alimentos. Atualmente 2.500.000 pessoas necessitam de ajuda humanitária, ou seja, 1/3 da população. Esse número tende a aumentar significativamente devido aos conflitos no sul do país.

Gibuti: a alta taxa de desemprego e um aumento sempre crescente de imigração interna – dos campos para as cidades – deve piorar a situação em todo o país. Se prevê uma falta geral de água nas cidades devido a forte demanda.

Sudão: vinte anos de conflituo armado fizeram com que aumentasse para 3.000.000 de pessoas, a população daquele país que infelizmente deverá recorrer a ajuda humanitária para poderem sobreviver. A seca vem se repetindo por três anos consecutivo.

Kenya: Estima-se que quase 2.400.000 pessoas não tem o que comer e beber, principalmente na região norte/nordeste do país e não existe perspectiva de melhoras antes de outubro. As distancias necessárias para se atingir uma fonte d’água aumentaram consideravelmente: em algumas zonas é necessário percorrer de 30 a 40 km!

Etiópia: por causa do efeito climático la niña por duas estações consecutivas as chuvas foram pouquíssimas. Isso provocou escassez generalizada de água, empobrecimento dos pastos e consequente piora das condições de saúde dos animais. Na fronteira com o Kenya morreram de inanição 22.000 cabeças de gado. No início do mês o número de pessoas que necessitavam de ajuda em caráter de emergência era estimado em 11.400.000 habitantes. E esse número tende tragicamente à subir!

E por aí vai: Moçambique, Malawi, Lesotho, Zambia, Sahel, Zimbabwe, etc, etc, etc… a lista é longa e catastrófica.

Os europeus, que foram (e são) os grandes colonizadores da África e que durante décadas e décadas sugaram daquele continente todos os recursos naturais que puderam pôr as mãos para depois, terra arrasada, irem embora, tem obrigação moral de ajudá-los!

COMO FABRICAR

COMO FABRICAR

Porém pouco fazem efetivamente para evitarem a tragédia iminente. Preferem elaborar estratégias tortuosas para evitar a imigração clandestina dos infelizes que se arriscam na longa travessia.

Diante disso, um apagão francês é apenas o piscar ligeiro das luzes de Natal.

MANUAL DE FABRICAÇÃO DE TELA MOSQUITEIRO – link abaixo:

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