Cada um no seu quadrado

Já parou pra reparar na quantidade de uniformes profissionais que existem por aí? Por exemplo, cada tipo de polícia tem um: a Civil, a Militar e a Federal. Modismo? Nada disso. Cada tipo de polícia se responsabiliza por um tipo de demanda e é importante que o público em geral consiga diferenciar cada um deles de maneira rápida – de preferência imediata – quando vê um deles nas ruas. Existem ainda os militares, com seus uniformes camuflados, que têm demanda totalmente diferentes destes policiais (ainda que todos, de certa maneira, tenham um objetivo comum que é o de preservar a segurança e a ordem).

Podemos dar exemplos mais simples e mais próximos. É só entrar em um restaurante e você vai perceber que os uniformes profissionais dos cozinheiros e ajudantes é ligeiramente diferente do uniforme do chef. Esse destaque é mais que mera vaidade: o chapéu diferenciado ou algum detalhe no corte do uniforme ajuda na identificação rápida do responsável pelos pratos em geral, além de garantir uma presença de mais autoridade entre os demais. Um líder devidamente caracterizado consegue manter a ordem mais facilmente. Que o digam os reis de antigamente, com suas coroas, capas e cetros!

Só de bater o olho…

A-identificação-dos-uniformes-profissionais-dos-cozinheiros… você já consegue identificar aquele profissional. Já sabe se ele é policial, mecânico (inclusive de qual oficina ele é), cozinheiro, farmacêutico, médico, secretária, vendedor, advogada… Isso é por causa, exatamente, do uniforme que estão usando (ainda que advogados não usem uniformes, seu modo austero de vestir e a característica pasta na mão dá um sinal muito claro). Por isso é que estas vestimentas são tão importantes.

Muitas pesquisas já foram feitas para qualificar a importância que o público dá às empresas cujos funcionários trabalham sempre uniformizados. A rápida identificação é um dos motivos de importância mais relatados pelos pesquisados e o motivo é um dos mais simples do mundo: “se der algum problema com aquele profissional, a gente já sabe a função dele e a empresa (em alguns casos) em que ele trabalha só de olhar pra ele, sem precisar perguntar nada”. E não é verdade?

Este é um conceito que nem sempre um funcionário entende com clareza. Ao usar um uniforme, ou um carro identificado (com plotagens ou adesivos da empresa), ele está representando A EMPRESA, e não a ele mesmo. Logo, sua conduta reflete imediatamente em seu empregador, sem conversa. Recentemente, em uma cidade do interior de Minas Gerais, o motorista uniformizado de uma van de supermercado (devidamente caracterizada) que fazia entregas estacionou em local proibido. Uma pedestre chamou sua atenção e foi respondida com uma chuva de xingamentos, ofensas e ameaças, além de ter sido seguida pelo motorista até um cruzamento onde o movimento ficou maior e ele recuou. O caso repercutiu nas redes sociais e o supermercado recebeu uma saraivada de reclamações verbais e por escrito, além de registrar queda temporária (mas significativa) no número de clientes. O que foi feito com o motorista não se sabe, mas os efeitos foram óbvios – e tudo isso porque tanto o motorista quanto a van estavam identificados com uniforme e adesivos do supermercado. Logo… “só de bater o olho”, já se sabia em qual empresa reclamar.

Facilitando o atendimento

fundamental-uniformes-para-facilitar-o-atendimento.Num hospital é a mesma coisa: cada tipo de funcionário usa um uniforme diferente: médicos, enfermeiros e atendentes precisam estar rigorosamente diferenciados por suas roupas, para que não sejam confundidos entre si – e pior: para que não sejam confundidos com outros pacientes ou seus acompanhantes. Por exemplo, quando um atendente novo está em fase de treinamento, muitas vezes não tem um uniforme ainda. Isso não passa a impressão de que ele “não é profissional”? E justo num momento delicado como uma doença ou um acidente? Nossa tendência é sempre ir àquele que está uniformizado, não é?

Subjetivamente, nosso cérebro entende a hierarquia daquele ambiente através dos uniformes que visualiza. É com essa informação que sabemos diferenciar um mecânico de um proprietário de um dos automóveis do pátio, por exemplo, ou quando chamamos o garçom ao invés de um cliente de um restaurante que também esteja de pé e circulando por ali. O uniforme é tão eficiente nessas diferenciações que nem é necessário ler o crachá dos funcionários! A menos quem por um motivo ou outro, precisemos saber o nome e o cargo do mesmo naquela empresa. Mas para localizá-lo no meio do público, só olhar para seu uniforme já basta.

Vivemos num mundo onde as pessoas se diferenciam, e muito, pelas roupas que usam. E como somos acostumados a isso desde pequenos, nossos cérebros já trabalham com a função “identificação” no automático. Um dia, quando estiver andando pela rua e vir profissionais uniformizados, tente notar quantas características o ajudaram a identificar aquele profissional e veja como é interessante a quantidade de detalhes que você notou sem perceber!