“Bom e barato” não existe

Como se diz por aí: não tá fácil pra ninguém. O custo de vida tem ficado cada vez mais alto e os salários não estão acompanhando tantas altas em tantas áreas (alimentícias, educacionais, lazer, etc.), e isso já faz um bom tempo. Então, é natural que as pessoas se tornem peritas em pesquisar preços, barganhar e chorar descontos – aliás, algumas chegam a níveis profissionais nisso! E não há nada de errado em pechinchar; afinal as contas estão aí e é preciso fazer com que elas fechem no fim do mês.

Mas o brasileiro tem mania de querer coisas de qualidade a preços de mercadoria de quinta, não é? Quantas vezes alguma amiga (ou será que nós mesmas?) já nos perguntou se conhecemos alguma maquiadora que seja “boa e barata”? Ou alguma loja de roupas nesse sentido? Muitas vezes, provavelmente. Não é exatamente um crime querer uma boa mercadoria ou serviço de ótima qualidade a um preço compatível mas, muitas vezes, no afã de encontrarmos algo assim, acabamos desvalorizando o processo que produção daquela mercadoria ou serviço.

Ou é barato…

Dizem que se queremos uma coisa baratinha, é melhor irmos procurar ali no camelô – e camelô é sempre sinônimo de qualidade duvidosa. Brinquedos que quebram à toa ou que descascam a tinta só de encostar (um perigo para as crianças), eletrônicos de som que chiam já no primeiro uso devido à baixa qualidade dos componentes internos, tênis “réplicas” tão mal feitos, mas tão mal feitos que não duram uma semana e já estão descolando. Para muitas pessoas, o camelô é o único lugar possível para comprarem algum produto de que precisem mas, se pudessem, com certeza iriam a lojas melhores. Por que? “Ah, lá naquela loja do centro é que tem roupa boa!”. Porque é sabido que preços mais altos e qualidade estão intimamente ligados (ainda que alguns lojistas sem caráter vendam produtos de qualidade baixa maquiadas de produto de primeira, mas isso é outro caso).

pesquisar-um-bom-estudio-de-pilates-para-gestantesOutro assunto onde a má qualidade gerada por preços muito baixos é até perigosa é a área da saúde. Por exemplo, um profissional que se diz fisioterapeuta mas que, na verdade, leu apenas algumas páginas na internet e abriu um pequeno consultório de massagem e pilates. Qualquer bom profissional sabe que, se uma massagem for mal executada, pode até mesmo mover um músculo de lugar, provocando entorses sérios com direito inclusive a mobilização por talas, gesso… Imagine se você procurasse um estúdio de pilates para gestante usando só o critério do preço mais baixo, por exemplo, onde o fisioterapeuta não é profissional? É um perigo para a sua saúde – e também para o bebê! O barato vai sair muito mais caro do que você imagina.

Mas se tem um serviço campeão de buscas por “bom e barato” é o de doceira, mais especificamente de boleira. Atualmente, vemos bolos de todo tipo, com decorações exuberantes, diferentes, até com fotos impressas em tinta comestível, com bonecas imitando princesas de desenhos animados… enfim, um desfile de sofisticação e técnica. E são bolos muito complicados de se fazer – e por isso mesmo, mais caros do que um simples bolo com cobertura de chocolate. Quando se procura por uma doceira que seja “boa e barata”, além de desvalorizar o trabalho minucioso da boleira profissional, ainda se está correndo o risco de receber um bolo mal feito, longe de ser o espetáculo que se esperava.

… ou é bom

Uma boa loja, independente do produto que comercializa, priorizará os produtos de qualidade pois o proprietário sabe que, se ele vender ali um produto de baixa qualidade a preço de qualidade de primeira, o cliente não voltará mais. Por exemplo, uma calça comprada na 25 de Março como réplica de uma grande marca. Se o lojista vendê-la como se fosse original, mesmo que o cliente acredite e a leve, com o tempo perceberá que ela vai se desgastar depressa, que a costura vai entortar, que os detalhes vão se desprender – e aí perceberá que foi enganado. Além desse cliente não voltar mais àquela loja, ainda espalhará a má impressão para sua rede de amizades (isso se não for tirar satisfação na loja, ou mover um processo por fraude).

bom-profissional-fara-a-diferencaUm bom profissional da área da saúde jamais vai tratar um paciente com desmazelo e desconhecimento, exatamente para evitar lesões mais sérias do que as que ele já tem. Um bom estúdio de pilates para gestante sempre promoverá a melhoria e o fortalecimento de seu organismo, buscando resolver qualquer problema relacionado à postura, ao equilíbrio e à força muscular para que o corpo da mulher se adapte mais facilmente a cada fase.

E uma boa doceira vai se recusar a entregar um bolo mal executado, descaracterizado daquilo que o cliente espera – e ainda por cima, cobrando o valor de um bolo perfeito! Se o doce der errado, ela cuidará de fazer outro do início, tomando mais cuidado ainda para que dessa vez saia tudo de acordo com o planejado (e não cobrará pelo bolo que deu errado, lógico).

Por isso é que não se deve procurar um produto ou serviço de excelência que esteja saindo pelo preço de uma réplica. Há uma relação de compatibilidade entre preço e qualidade, e entre qualidade e QUALIFICAÇÃO do profissional. Não o desvalorize.