As UPPs E Os Seus Novos Desafios

Sabemos que desde a  implantação da primeira UPP no RIO, em dezembro de 2008, na favela Santa Marta, em Botafogo – apesar da desconfiança por parte da população carioca – os índices de criminalidade  começaram a diminuir na cidade. E soma-se a esses dados animadores, o projeto da “UPP Social”, um programa de inclusão social que foi lançado com o objetivo de estender o trabalho para além da segurança, dando à população, que agora vai se livrando dos tentáculos do crime organizado, condições mais humanas para se desenvolver.

As UPPs E Os Seus Novos Desafios

As UPPs E Os Seus Novos Desafios

É obvio que as UPPs se transformaram numa importante arma do Governo do Estado do Rio, não só porque isso oferece uma aproximação pacifica entre a população e a policia nas comunidades, como também possibilita a recuperação de territórios perdidos para o trafico ao longo das décadas. Os efeitos positivos das UPPs  já são sentidos até mesmo no mercado imobiliário, com a rápida valorização dos imóveis nos bairros onde tem UPP. Segundo fontes, o aumento nos preços dos imóveis é de 30 a 40% imediatamente após a ocupação policial – prova de que grande parte da população confia mesmo na segurança que a UPP traz para uma região.

Grandes desafios para as UPPs

Porém, ainda há muito a ser feito. Até porque a violência se ramificou de tal forma na nossa sociedade, que ela se tornou uma parte central e renitente de nossa formação histórica. Daí a necessidade de um processo de pacificação sempre contínuo de planejamento a longo prazo.

E segundo muitos especialistas, duas coisas determinarão  o pleno sucesso da pacificação nas comunidades. Em primeiro lugar, é a  continuidade das ações sociais juntamente com a oferta de serviços públicos de melhor qualidade na esteira da ocupação militar; e em segundo lugar, é preciso um combate intensivo à corrupção policial, que infelizmente mancha todo esse processo de pacificação nas comunidades. Até porque, quando uma UPP é instalada, isso não significa o fim imediato do tráfico ali, que  sobrevive graças à proteção que lhe é conferida por maus policiais ( a minoria, é verdade ), que dão cobertura ao tráfico em troca de propina.

Portanto, o grande desafio do Estado é dar continuidade a esse processo de pacificação nas comunidades, além de resolver a questão da corrupção policial. E é claro que não será de um dia para o outro que nos veremos livres desses escândalos envolvendo maus policiais, pois a corrupção já se incorporou há muito tempo à nossa cultura, contaminado diversos segmentos da sociedade. Espera-se, contudo, que a Secretaria de Segurança Pública, através de sua corregedoria, fiscalize com mais rigor a conduta dos policiais que trabalham nas UPPs, expurgando os maus policiais por desvios de conduta e, acima de tudo, valorizando aqueles que se destacam como bons exemplos em seu trabalho.