Armas no Lar Doce Lar

Durante a comemoração do aniversário de uma jovem que completava quinze anos de idade, ocorreu uma tragédia que ficou marcada para sempre, não só no seio de sua família, como também na sua linda face. A certa altura do evento, alguns rapazes bebiam e se confraternizavam quando, inadvertidamente, um deles se apossa de uma espingarda de caça, que se achava pendurada na parede da sala da residência da moça. No intuito de brincar com os convidados, aquele jovem começa a balançar a arma de lá para cá, dizendo a todos para levantarem as mãos à cabeça e, apontando a cartucheira para o meio da sala, aperta o gatilho. Um estrondo forte se ouviu, e em seguida vários gritos de pavor e dor.

Como o incauto se achava por detrás da aniversariante, a menos de dois metros de distância, o grosso da massa de chumbo quente irrompe pelos seus cabelos e, além de queimá-los um pouco, arranca uma boa parte da lateral de seu rosto, desfigurando-a. Ato contínuo, cento e catorze chumbos quentes queimam a camisa e as costas de outro rapaz, Ivan, meu vizinho, e entram por debaixo de sua pele. Pela mão de Deus, Ivan não morreu e nem sofreu maiores danos, creio eu que devido a se tratar de munição antiga. Em outra festa de aniversário, desta vez de um menino amado e que fora adotado ainda bem pequeno, um policial que fazia parte da família e o tinha como irmão, veio participar das comemorações.

Como ele chegava do serviço, ainda estava armado. Para evitar acidentes, ele coloca a sua arma sobre o mais alto dos guarda-roupas e vai para o meio dos amigos. Não se sabe como, um dos garotos se apossou da arma do policial e disparou na direção do aniversariante, que caiu de costas ao chão. Com o barulho e a gritaria das crianças, o policial correu para o quarto e viu o seu irmão caído em meio a uma poça de sangue, que fluía abundantemente de seu rosto. A bala havia penetrado ao lado do nariz e traspassado todo o seu crânio e saído pela nuca. Gilberto está vivo, sem nenhuma seqüela e se formou em direito.

Hoje, um garoto de dez anos de idade, também se apossou de uma arma de seu pai e fez um disparo. Desta vez, entre tantas outras, a vítima não resistiu e morreu, era outra criança. Não me pautei em estatísticas para falar um pouco deste assunto desagradável e preocupante, mas, tenho a mais absoluta certeza de que os números são absurdos, apenas pelo que podemos ver e ouvir nos noticiários. Eu mesmo tinha três armas em casa, todas semi-automáticas, além de um revólver, e deste último, houve um disparo acidental, por pura inconseqüência, negligência e imperícia. Graças a Deus, o resultado foi apenas um susto, uma porta de guarda-roupas furada, e um cobertor estragado, nada mais. Hoje, apesar da experiência, não possuo mais nenhuma arma, pois preciso pensar na segurança de meus filhos. O lar para ser doce, além de outras coisas importantes, precisa estar longe das armas, afinal, é um lar e não um campo de guerra.