Aprovado em concurso público e convocado? Que comece a correria!

Quem já foi aprovado em concurso público sabe a alegria que vem. Emprego garantido, estabilidade (o sonho de todo mundo), possibilidade de adicionais no salário e outros benefícios. Mas essa é a primeira fase, a da fantasia. Porque quando chega a convocação… aí meu amigo…

É uma correria medonha! Junto com a convocação, vem uma lista de instruções, com duas sub-listas: os documentos que você deve apresentar (e são muitos) e os exames médicos que você deve fazer antes de se apresentar (que também são muitos). Detalhe: você terá 30 dias pra correr atrás disso tudo – e se passar desse prazo, você é cortado da lista de convocados e sua vaga fica disponível pro próximo da lista. Documentação é coisa que arrumamos mais rapidamente, mas os exames podem nos deixar de cabelos brancos, já que nem sempre nosso médico está com agenda livre de imediato – e além da consulta, ainda tem os resultados do laboratório!

Tô lascado! Não vai dar tempo!

A faculdade e toda sua papelada de documentos.Caaalma, que dá sim. Quer ver? Lembro de um amigo meu que passou num concurso em outra cidade, e ele não sabia que teria que cuidar de tantos detalhes quando fosse convocado, nem que o tempo seria tão curto. Aliás: ele sabia que teria um mês de prazo para se apresentar, mas não que precisaria fazer exames e reunir documentos! Quando soube, ficou desesperado e ligou para o departamento de recursos humanos da instituição – o que foi bom porque ele descobriu que receberia ajuda financeira para realizar a mudança.

Mas ainda assim seria um único mês para documentos, exames e… a mudança! “Meu Deus do céu!! Tô frito!! Como vou cuidar disso tudo em um mês?? E ainda tenho que ver lugar pra morar na outra cidade!! Não vai dar, não vai dar!…” Mas a sorte dele é que estamos em tempos de redes sociais e, assim que soube da convocação, entrou um grupo cujos membros eram funcionários da instituição pra onde ele iria. Lá ele falou de sua situação e de sua preocupação com a mudança, num prazo tão curto pra resolver tantas coisas. E foi lá que ele recebeu uma sugestão de mestre.

Naquela cidade, havia uma empresa de mudanças que tinha um galpão guarda-móveis. Ele poderia entrar em contato com ela e ver se ele podia alugar um dos galpões e levar sua mudança pra lá até que encontrasse um bom lugar pra morar. E foi o que ele fez: ligou para a empresa, conversou com o gerente, que entendeu a situação e topou a ideia. Afinal, para tirar a mudança dali depois, ele teria que contratar um de seus caminhões. Era justo. E ele ainda faria um preço bastante razoável, já que os gastos seriam muitos, mesmo com a ajuda que receberia da instituição.

E o restante?

O restante foi de arrepiar. Com dois dias, ele reuniu todos os documentos solicitados pelo RH da instituição, mas quando foi marcar os exames… Nenhum médico tinha horário livre pra logo – e olha que até com ginecologista ele tentou! “Médico é médico, qualquer um pode pedir exame de sangue”, ele disse. E é verdade, apesar de continuar sendo engraçado! Mas ele não conseguia marcar; a maioria só tinha horário para dali a 20 dias, e desse jeito não daria tempo para que os exames laboratoriais ficassem prontos. Depois de três dias ligando para consultórios sem parar, o desespero fez ele tomar uma medida mais extrema: foi ao consultório pessoalmente IMPLORAR para que a secretária o encaixasse na primeira brecha da agenda. “Moça, só cinco minutinhos de consulta, é só pro médico me fazer um pedido de exames, eu nem to doente nem nada!” A essas alturas ele já tinha os olhos marejados – e como ele tinha olhos cor de mel muito bonitos, acho que a secretária ficou admirada e penalizada ao mesmo tempo. Sabe-se lá como foi, mas apareceu um espacinho entre uma consulta e outra naquela mesma tarde, e finalmente meu amigo fez a consulta. Saiu de lá com o pedido nas mãos dançando tango – e eu, morrendo de vergonha. Nunca mais vou a uma consulta com esse maluco.

Se organizando com guarda móveis, ele conseguiu agilizar todos os exames.Dali pra frente as coisas ficaram mais fáceis. Em pouco mais de uma semana, o laboratório enviou os resultados dos exames, que graças a Deus apontavam que estava tudo bem com meu amigo. A consulta com o otorrino ele conseguiu bem depressa e sua audição (que precisa ser verificada quando se é convocado para cargo público) estava muito bem.

Por fim, ao cabo de três semanas, ele já estava na estrada a caminho da cidade onde passaria a morar. Tudo foi feito conforme o planejado: levou suas coisas para o guarda-móveis da empresa de mudanças de lá, se apresentou ao RH e assumiu o cargo, passou duas semanas morando numa pensão até achar um apartamento bacana, fez a etapa final da mudança e pronto. Em um mês, estava tudo como deveria estar. Mas só deu certo porque ele não desistiu diante das várias dificuldades que apareceram. Foi um aprendizado pra ele e pra quem acompanhou a saga!