A Saúde Pública

Existem ações que isoladamente são capazes de modificar estruturas há séculos instauradas, essas ações são a princípio difíceis de serem implantadas, mas os benefícios vindouros a partir da mudança são tão fantásticos que merecem que o sacrifício seja feito. Um Estado que promove o congraçamento entre todos os segmentos sociais promove indiretamente a consolidação da soberania.

Muitos amigos questionam-me quanto as minhas sugestões estatizantes, afinal sempre defendi que o sistema de saúde e o sistema educacional fossem geridos exclusivamente pelo Estado, em relação à saúde isso não chega a ser uma novidade uma vez que muitas nações desenvolvidas adotam esse sistema, não gosto de citar, mas na Inglaterra o sistema público de saúde é tão eficiente que não chega a ser um grande negócio abrir um hospital em Londres, se você sofrer um acidente em Londres saiba que terá um bom atendimento em um hospital público, e que no leito ao lado poderá estar sendo assistida uma pessoa que dispõe de recursos, mas por opção está ali. Esse é um objetivo que sinceramente almejo para o nosso país, todo o cidadão dispondo do mesmo sistema de saúde, não importa que você chegue ao hospital de Ferrari ou de metrô, terá um bom atendimento.

Às vezes penso que se trata de uma utopia, mas análises demonstram que é possível. E ao contrário do que possa parecer essa mudança não passa por questões financeiras quanto a sua implantação, os entraves mais difíceis são culturais, onde uma pessoa bem sucedida não compreenderá o fato de seu filho receber o mesmo tratamento médico que o seu empregado, agora se analisar criteriosamente isso não significa um flerte com o comunismo, absolutamente não, as vantagens de dispor de recursos financeiros sempre existirão, não sou nenhum tolo em defender que todos os cidadãos tenham direito a casa de praia, iates, viagens ao exterior e aí por diante, o que estou tentando dizer é que em certas áreas é importante essa monopolização por parte do Estado, como fator de promoção de todas as estruturas sociais do país, sem contar que quando os mais abastados, que são os mais capazes intelectualmente, tiverem que contar quase que exclusivamente com o sistema público de saúde e de educação, as reivindicações para que investimentos sejam alocados nessas áreas serão bem mais consistentes. O que qualquer pessoa deseja quando está enfermo é ser bem assistido, nessa hora mesmo se tratando da mais elitista das criaturas não importa quem é o paciente no leito ao lado.