A ritalina nossa de cada dia

O TDAH é um problema que assusta muitos pais, mas tem solução. Saiba como!

O TDAH é um problema que assusta muitos pais, mas tem solução. Saiba como!

Um dia você recebe um telefonema da escola chamando os pais do aluno pra uma reunião. A primeira coisa que você pensa é: “pronto, o que esse garoto aprontou lá dessa vez?”, e vai pra lá, cabisbaixo, como se estivesse se preparando pra levar uma bronca da professora, da diretora, da merendeira, do porteiro, da faxineira… No caminho vai imaginando tudo que o menino pode ter feito: será que ele quebrou alguma coisa? Será que agrediu um coleguinha? Será que usou o verso da prova pra desenhar bonequinhos em cenas de ação? Será que puxou a saia da professora? Meu Deus, vão acusar o moleque de atentado ao pudor! Estamos perdidos! Deixa eu ver se ainda tenho o número do advogado…

Chegando à escola, vocês se sentam em frente a coordenadora pedagógica e a uma professora, que estão sérias além do que vocês suportam. De fato, o garoto aprontou: jogou uma lagartixa perto do fogão onde os lanches são feitos durante o intervalo da merenda, encheu o vaso sanitário de papel toalha, desenhou formigas andando pela folha da prova e agrediu a professora. “Puxou a saia dela??” “Não, mas deu um tapa no traseiro dela e saiu correndo.” “Meu Deus…” E vem o diagnóstico: o menino tem TDAH e vai precisar de ritalina.

Para tudo!

Hoje me dia há uma certa tendência em catalogar crianças agitadas como se fossem hiperativas e sofressem de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Se ela sai um pouquinho que seja daquele modelo-padrão de criança arrumadinha, comportada e participativa que vemos nas propagandas do governo sobre a educação nos estados, já era: “ela deve ter TDAH”. E ouvir isso de um professor ou coordenador pedagógico cai feito uma bomba na cabeça dos pais, que já começam a se lembrar de todas as peraltices do filho e chegam à conclusão de que, provavelmente, o “diagnóstico” dado por eles está certo.

A sugestão da ritalina assusta, mas parece ser a salvação do caso. Com ela, a criança vai ficar mais concentrada nas tarefas escolares e menos agitada; vai se tornar a criança da propaganda, teremos sossego, os professores também e tudo vai ficar maravilhoso! Certo? Errado, mamãe e papai… errado…

Em primeiro lugar, o diagnóstico não pode ser feito por professores nem por coordenadores pedagógicos, a menos que sejam psiquiatras especialistas que resolveram ir trabalhar numa escola. O máximo que podem fazer é levantar suspeitas e sugerir que a criança seja avaliada por um especialista. Mas há problemas nesse processo.

A avaliação estressa a criança, pois ela percebe que está sendo avaliada – e vai precisar de várias sessões até que haja a confirmação. Os pais precisarão ir ao consultório várias vezes para que se levante o histórico familiar, problemas relacionados à convivência, um possível divórcio, medicações tomadas na gestação, etc. Só então o psiquiatra poderá diagnosticar, com certeza, se a criança sofre te TDAH ou não.

E muitas vezes, não é

Na maioria dos casos, o problema é puramente emocional. Já ouviu falar a frase “ele só está tentando chamar a atenção”? Pois pode ser isso mesmo. Uma criança muito nova que tem pais que passam a maior parte do dia ausentes (por causa de trabalhos, tratamentos de saúde, etc.), se sentem desassistidas e, uma hora, começam a utilizar recursos ‘pouco ortodoxos’ para chamar a atenção dos pais, a atenção que ela precisa e não está tendo. Quando essa situação se estabiliza e ela se sente acolhida e amparada de novo, os problemas tidos como hiperatividade tendem a sumir.

Por isso, antes de acreditar piamente de que seu filho precisa de ritalina, faça um exame de consciência e veja se o que ele está precisando é, na verdade, da sua atenção.