A Reforma do Ensino

O período da Revolução Industrial obrigou que a especialização tomasse o lugar da universalidade do ensino, era uma necessidade da época onde as inovações tecnológicas impunham que operários se dotassem de uma formação específica para operar as máquinas recém descobertas. Nesse momento da história surgiram os técnicos, trabalhadores com conhecimentos limitados aos inerentes a sua atividade. O Capital com isso resolvia duas questões que sempre o afligiu, a primeira era garantir o fornecimento de mão de obra especializada e barata para as suas fábricas, a segunda questão era indiretamente resolvida pela primeira afinal com a limitação do conhecimento do processo de fabricação, possibilitaria um confinamento social das classes menos favorecidas, restringindo o acesso ao próprio capital, um operário sempre será um operário. Ao Capital não interessava que jovens “perdessem” longos anos estudando e sim que ingressassem mais cedo nas linhas de produção.

No mundo atual as inovações tecnológicas produziram um fenômeno diferente do observado na Revolução Industrial, o operário não é mais um fator imprescindível no processo de fabricação, o Capital agora dispõe de linhas de montagens robotizadas onde fábricas com um pequeno número de funcionários conseguem suprir a demanda de um país inteiro, vivemos em uma nova revolução a qual chamamos de Revolução da Informação só que as pessoas ainda estão atreladas aos sistemas que serviram a outra era. O Capital não pode ser questionado por sua postura, como mencionei antes ele é coerente em suas ações e é isso que o dignifica, a sua postura é transparente e o seu objetivo é o mesmo desde a Idade Média, ou seja, gerar e acumular riquezas. A falha é do estado que não consegue vislumbrar as possibilidades dessa nova Era.

A Era da Informação, que através da internete proporciona que o acesso ao conhecimento seja feito instantaneamente e as distâncias entre os povos estejam cada vez mais reduzidas, implica em uma mudança na formação dos nossos jovens, que estão sendo submetidos a um sistema educacional que atende a um momento histórico que não mais existe.

A educação deve ser uma atribuição exclusiva do Estado, o Capital não pode explorar esse segmento. O Estado deve proporcionar uma educação que resgate parte dos valores renascentistas onde a universalidade na formação acadêmica seja valorizada, nesta nova orientação do ensino pode definir apenas dois segmentos, o primeiro seria a formação básica que corresponderia aos doze primeiros anos de aprendizado, o segundo aos outros oito anos subsequentes que corresponderiam ao atual ensino superior. Não haveria preocupação com a formação de trabalhadores para o mercado, isso não é atribuição do Estado cuja meta seria exclusivamente garantir que nossos jovens permanecessem vinte anos estudando. As empresas que necessitassem de mão de obra para as suas fábricas teriam que buscar soluções alternativas para suprir essa demanda, e a história demonstra que o mercado sempre se adequa ao contexto em que está inserido. A obrigatoriedade dos vinte anos de ensino, onde o aluno nos primeiros doze anos fosse preparado para uma futura e obrigatória graduação de oito anos, por si só já colocaria o nosso país na vanguarda da excelência acadêmica no mundo.

Um detalhe que acredito que melhorará sensivelmente a qualidade no nosso ensino, é a graduação de no mínimo oito anos. Um jovem que se decida a abraçar a carreira de advogado terá que cursar a Universidade de Humanidades, por exemplo, onde a sua formação será o conjunto de todas as áreas do conhecimento relativo a essa cadeira, portanto ele teria que estudar história, português, uma língua estrangeira, geografia, literatura brasileira, latim genérico, grego genérico, teoria literária, linguística, filosofia além, é claro, de todas as áreas do direito. O estudante de direito teria em seu currículo o mesmo conteúdo que um estudante de letras isso nos sete primeiros anos, sendo que o último ano seria reservado à especialização. Esse critério que se assemelha muito com o que acontece hoje com as faculdades de medicina seria estendido para outras áreas. Darei mais um exemplo, um estudante que queira cursar economia nos sete primeiros anos ele cursaria obrigatoriamente matemática, ciências contábeis, física, química, biologia, administração, direito, geografia, história, português e uma língua estrangeira, para só então se especializar em economia no último ano.

Essa nova reforma educacional no mínimo possibilitará uma valorização acadêmica do jovem brasileiro, possibilitando o florescimento de virtuosos no campo da excelência do saber, não estou interessado se ele vai exercer a atividade para qual foi formado ou não, isso simplesmente não é relevante o que posso assegurar é que esse jovem terá possibilidades amplas de evolução como individuo e não como um recurso humano. O que torna uma pessoa melhor do que a outra é a sua formação, não importa se ele varre ruas ou se é um alto executivo, o que o faz ser bem sucedido é a sua compreensão de mundo. A formação acadêmica específica para exercer o cargo de bibliotecário, nutricionista ou até mesmo psicólogo é um desrespeito a inteligência de nossos jovens. Analise comigo, um estudante se formar em oceanografia é um despropósito, claro que o estudo do mar é importante, mas ele está inserido no ramo da geografia, essa metodologia aplicada faz com que nossos jovens sejam privados das possibilidades da abrangência intelectual, negando-lhes o conflito.