A Neurose na Palma da Mão

Jovens viciados em internet e tecnologiaAinda que possa se tratar de outra patologia, na minha leiguice neste assunto por não ser minha especialidade, não encontrei na literatura especializada outro enquadramento para um distúrbio que vem ocorrendo na mente dos aficionados pelos “smartphones”, que não seja neurose. Nos Estados Unidos, a Universidade de Maryland vem desenvolvendo estudos científicos nesta área, observando o comportamento de uma massa de jovens usuários dos referidos aparelhos – telefones celulares com acesso à internet – incluindo outra leva que faz uso constante de laptops, os quais foram submetidos a testes de abstinência da utilização de tais equipamentos, por determinado tempo.

O público alvo foi selecionado em dez países diferentes, em número de mil indivíduos, com idade entre dezessete e vinte e três anos. A constatação foi assustadora, quando os pesquisadores analisaram os primeiros resultados do estudo, que envolvia a proibição do uso dos aparelhos em um período de vinte e quatro horas (apenas). Neste intervalo de tempo, eles podiam usar os telefones, fixos é claro, além de poder ler livros de vários temas. Mas, nada de computadores de qualquer espécie. Os jovens padeceram de várias perturbações que vão desde o estresse emocional até coceiras pelo corpo, como acontece aos drogados em tratamento clínico. Eles relataram sintomas como de ansiedade, confusão mental (o que me levou a adotar o termo neurose), desorientação, angústia – entendida como tal, a situação onde o sujeito não tem mais alternativa de solução para o problema apresentado – e isolamento.

Da amostra, onze por cento se sentiu simplesmente como fracassados, setenta e nove por cento apresentou várias e diversas sensações e o restante relatou que houve sentimento de algum tipo de alívio ao ficar desconectado da rede. Dá para nos preocupar, pois nossos jovens estão sendo literalmente engolidos por um sistema gigante e devastador, que assola a vida daqueles que não têm uma preparação para encará-lo como uma ferramenta de trabalho, comunicação, pesquisa, estudos e lazer. Não podendo ser entendido como absolutamente indispensável para sua vida. Não é arroz com feijão, e nem café com pão, e faz mal se usado em demasia.