A internet, essa santa!

Você consegue imaginar um mundo onde as informações estavam confinadas a intermináveis volumes impressos, cada um com centenas de páginas? Até pouco tempo atrás – e estamos falando de poucas décadas, hein? – essa era a realidade de quem estava procurando por informações: as enciclopédias. Provavelmente você se lembra de alguma na casa dos seus pais, não é? Ou até mesmo na sua, quem sabe? Uma série de livros de capa dura, vendidos de porta em porta a valores relativamente altos, mas que traziam uma grande gama de informações a respeito de muitos, muitos assuntos. Quem nasceu na década de 80 pra trás, fazia suas pesquisas escolares nelas, provavelmente. Claro que, para se aprofundar no assunto, era necessário recorrer aos livros pesadíssimos a respeito que ficavam nas bibliotecas.

E a lista telefônica? Você tem uma? Dependendo da idade, talvez você nem tenha visto uma! A não ser, talvez, num filme de comédia – e mesmo assim, dos antigos. Essas listas eram livrões com letras miudíssimas que continham os telefones de todos os moradores e comércios da cidade. Imagine a lista de São Paulo, o tamanho que era! Inclusive separada por volumes porque, em um só, não teria nem como encadernar! Imagine só se você precisasse fazer uma pesquisa de preço de medicamentos? Teria que procurar pelas farmácias do seu bairro (ou não) ao longo da lista telefônica (já eu ela era organizada alfabeticamente) e ligar pra uma por uma. Hoje é só jogar o nome da petshop num buscador da internet que já vem o nome, o site, o endereço no Maps e o telefone. Talvez até algumas já tenham disponibilizado os preços dos medicamentos ali no site, mesmo! Muito mais fácil, não é?

A um clique de distância

Com o poder da internet ficou muito mais fácil acompanhar informações espalhadas em qualquer lugar do mundo.A internet, logo que chegou, foi meio desacreditada – como toda novidade, aliás. Os comerciantes relutaram nessa coisa de “fazer página na internet… mas o negócio não é no computador? Como vai ter página num computador?”. Eram conceitos muito novos e, por isso mesmo, um bocado difíceis de entender. As grandes empresas, com seus marketeiros visionários, viram logo que esse território viraria febre e já trataram de providenciar seus sites. As grandes universidades também viram ali um novo lugar para demarcar seu território, uma nova forma de serem encontradas pela população do mundo inteiro – afinal, um site é acessível de qualquer parte do mundo; uma lista telefônica, não.

Com o tempo, o comércio foi percebendo que aquilo ali podia ser uma boa ideia. Sites muito simples, muito rudimentares foram pipocando aqui e ali. Com isso, as próprias tecnologias disponíveis para a criação de sites cada vez mais bonitos, sofisticados e cheios de recursos gráficos e práticos foram aparecendo. Surgiram os especialistas em ergonomia digital, que ajudam a elaborar o design perfeito para o site de cada cliente, de maneira que ele fique intuitivo e que a informação procurada fique a poucos cliques de distância de qualquer um. Antigamente, percorria-se um verdadeiro labirinto de páginas internas até se chegar na informação desejada, e isso era cansativo. Com a impaciência dos internautas aumentando, foi preciso diminuir esse percurso.

O mal do século?

Com os avanços intelectuais é possível pesquisar os preços de medicamentos e comprar conforme as necessidades.Aliás, essa pressa se tornou um grande e conhecido problema: ficamos ansiosos. A internet nos deixa mau-acostumados porque qualquer informação é facilmente encontrável nestes caminhos virtuais. Grandes sites de busca, com mecanismos lógicos cada vez mais potentes, encontram as informações mais absurdas em questão de segundos, e trazem muitas opções. Sites especializados em pesquisa de preço de medicamentos só precisam que você informe o medicamento e a dosagem. E pronto: uma página com uma lista de farmácias com seus respectivos preços para aquela medicação.

Mas se a intenção é buscar preços de outros objetos, por exemplo, televisões, alguns serviços online buscam pelas lojas online e também por vendedores avulsos que vendem aquele objeto. Loja, preço, reputação… tem tudo ali, a um clique.

Mas na vida real, as coisas não vêm tão facilmente. Se precisarmos ler um livro de 300 páginas, teremos que nos dedicar à leitura – já que não é possível “fazer o download” dele direto pro nosso cérebro. E a maioria das pessoas está encontrando dificuldade em lidar com essa dedicação. A rapidez da internet tornou nossas necessidades e curiosidades urgentes de serem resolvidas também na vida real, e nesse ambiente isso, felizmente ou infelizmente, não é possível.

Por isso se discute tanto limitar o acesso de filhos pequenos à grande rede. Muitas crianças estão chegando à puberdade já tomando remédios para conter o nervosismo e a ansiedade (!!), e isso é uma coisa terrível. Tornam-se adultos irritadiços, nervosos, urgentes e de difícil convivência. E pode acreditar, não há exagero nessa afirmação. Afinal, se mesmo os adultos, com seu poder de autocontrole, estão caindo nessa, imagine a mente suscetível dos pequenos?

Mas não se pode negar os evidentes avanços que a internet trouxe para a vida moderna. As facilidades são tantas que se pode discutir a respeito por dias. E você? Qual foi  a maior vantagem que a internet te trouxe?