Resumo:

Este trabalho de conclusão de curso tem por objetivo analisar o processo de inclusão escolar de alunos portadores de necessidades especiais, com foco no portador de paralisia cerebral, mostrando que a informática é uma aliada neste processo, pois permite que alunos com paralisia cerebral, fazendo uso de seus recursos possam editar textos, desenhar, e acom-panhar com mais facilidade, o desenvolvimento dos conteúdos de sala de aula juntamente com seus colegas em classes regulares. A finalidade maior é a inclusão dos portadores de ne-cessidades especiais na escola regular e nas atividades cotidianas da sociedade, com o apoio da tecnologia assistiva, que se trata de todo e qualquer recurso que propicie à pessoa portadora de paralisia cerebral autonomia suficiente para ser incluída socialmente.
Este artigo resultou da pesquisa bibliográfica e da coleta de alguns relatos referente paralisia cerebral, envolvendo pais, professores e os próprios educandos, discutindo a inclusão desses indivíduos na escola do ensino regular. Os depoimentos foram colhidos com pais que vivenciaram e vivenciam a dificuldade da inclusão realizada com auxilio da tecnologia e nos tempos que não se fazia uso desse recurso.
Abordar a inclusão em varias questões como adaptações físicas, adaptações de hardware, exemplos de software, fundamentais para o aprendizado de pessoas que na maioria das vezes não conseguem segurar um simples lápis.
Acreditamos que as colocações deste artigo poderão contribuir para o crescimento so-bre a inclusão do portador de paralisia cerebral e como o computador se tornou um instrumen-to facilitador para essas pessoas.

Palavras-Chave: educação, informática, inclusão escolar, acessibilidade e paralisia cerebral

Introdução

Acredito que o deficiente seja vítima do destino,
mas não posso admitir que seja vítima da indiferença”.

John Fitzgerald Kennedy

Esse trabalho resultou de uma pesquisa referente à aplicação da tecnologia na educação de pessoas portadoras de necessidades especiais, centrando o portador de paralisia cerebral.
É possível afirmar que a introdução do computador na vida do ser humano tem um significado importante e revolucionário, tão intenso como grandes descobertas foram no passado como a imprensa, o telefone, a eletricidade, o automóvel, etc.. Seu uso no processo de educação tornou-se, em todo o mundo, uma realidade sem volta em todos os níveis da educação. Os benefícios que tem trazido são muitos, que incluem desde pesquisas, resolução de dificuldades, informação, criação e aquisição de aprendizado e práticas.
Segundo Valente e Freire (2001) o computador, como ferramenta de trabalho com a qual o aluno realiza tarefas e resolve problemas, passa a ser importante fonte de mostra da capacidade intelectual de cada individuo portador de paralisia cerebral. O professor pode avaliar o conhecimento no desenvolver da atividade e, com isso, auxiliar o aluno com necessidades especial a enfrentar suas limitações e melhorar o conhecimento; e finalmente possibilitar a realização de tarefas que mostrem seu real potencial, e a possibilidade de continuar a aprender para a vida, independente de suas limitações física.
A tecnologia tem o potencial de contribuir para o desenvolvimento cognitivo, mas temos que nos adaptar às suas condições de operacionalização. É um novo caminho, o cientifico e cultural, que está apenas engatinhando e apontando para passos futuros.
Neste século, a humanidade convive com esse valioso recurso: o computador. Este, hoje em dia, vem servindo a Educação com seus programas educativos, jogos, enciclopédias, entre outros softwares, que geram toda uma gama de utilidades informacionais. Tais condições levam a infinitas criações, originalmente abertas a todos.
O teclar ou o clique mágico do mouse transforma a rotina de nossas vidas. A qualquer momento, estar em frente ao computador, o mundo muda e se renova, traz surpresas instantâneas e ensinamentos. Se para os indivíduos sem necessidades especiais está realidade encanta, o que deve representar o computador para uma criança e ou mesmo adulto portador de necessidades especiais? Pode significar a sua independência intelectual e sua integração no mundo.
Os profissionais da AACD (2001), relatam que após o uso dos computadores com os indivíduos portadores de paralisia cerebral, suas vidas foram transformadas possibilitando-lhes a comunicação, o desenvolvimento intelectual e, às vezes, a profissionalização. Esses casos se multiplicam e a esperança também.
Para incluir indivíduos portadores de paralisia cerebral as escolas precisam criar condições de aceitação e integração e o computador tem sido identificado como uma poderosa ferramenta educacional para esse fim. Ele tem sido considerado por profissionais que atuam na Educação Especial como um instrumento de trabalho com o qual a criança resolve problemas, escreve, desenha, programa, desenvolve procedimentos, e executa comandos de ação.
O computador tem muitas funcionalidades como adaptação de recursos tecnológicos que podem ser utilizados na alfabetização da criança portadora de paralisia cerebral. Neste contexto o uso do computador pode facilitar o processo de aprendizado, uma vez que crianças com paralisia cerebral têm dificuldades de expressar respostas aos estímulos recebidos. Sendo assim, o educador poderá contar com essa poderosa ferramenta, tanto no processo de alfabetização, quanto no de comunicação.
O uso do computador como ferramenta na alfabetização, bem como comunicação, da criança portadora de paralisia cerebral traz soluções de baixo custo, tanto de hardware (tecla-do) como de software, proporcionando a esses indivíduos a possibilidade de desenvolvimento intelectual e social.
Assim, o objetivo deste trabalho é analisar o papel da informática na inclusão escolar e apontar ferramentas que podem solucionar ou amenizar a limitação desses indivíduos, apresentando a eficácia das adaptações que possibilitam o uso do computador pelo paralisado cerebral, trazendo ganhos para seu processo de alfabetização e, comunicação.
A busca por melhoria de vida para as pessoas com paralisia cerebral, diferentemente de métodos antigos, está em constante evolução. Nesse sentido, os recursos tecnológicos se disponibilizam dia a dia.
Com base nesse contexto (Freire e Prado, 2000, p71) argumenta que:

[…] “Assim torna-se necessário buscar um sentido educacional para a utilização do computador, integrando-o, à prática pedagógica. Isso gera novas reflexões e abre possibilidades inusitadas no processo educativo. Daí se considerar o computador uma ferramenta educacional que potencializa a articulação de conhecimento de áreas diversas e promove o trabalho intra e inter-social”

O que é Paralisia Cerebral?

As palavras paralisia e cerebral soam fortes, pesadas e realmente seu significado é o dano cerebral, que afeta o sistema nervoso central, e a conseqüência desse dano pode ser leve, média ou grave.
Segundo “FINNIE, N. R., 2000. Cap. 2, p. 8. A definição de paralisia cerebral é: um distúrbio de movimento e postura, que pode prejudicar os movimentos como caminhar, movimentos com as mãos e os dedos, o sentar. O portador de paralisia pode ser hemiplégico, isto é, afeta um lado do corpo. Outros portadores de paralisia cerebral podem ser atetóide, a característica desses indivíduos é que tem muita dificuldade
em permanecer imóvel e apresentam movimentos involuntários constantes e destorcidos
A paralisia cerebral é causada por dano ao cérebro imaturo, ou seja, sempre tem início na infância. Se os adultos sofrem algum dano no cérebro, principalmente quando idosos, são acometidos por derrame ou hemorragia e, em alguns aspectos, as consequências não são muito diferentes das ocorrentes na criança com paralisia cerebral. Uma vez instalada, a paralisia cerebral, geralmente, não se estende ou torna-se pior. Assim, a criança com paralisia cerebral tem uma lesão estática: por si mesma, não se torna pior. O dano torna-se mais aparente com o crescimento e o desenvolvimento. Portanto, a paralisia cerebral é um distúrbio de movimento e postura não-progressivo.
Na maioria das vezes essas crianças têm o intelecto preservado, a não ser que a lesão tenha afetado partes nobres do cérebro, e o torne incapaz cognitivamente.
Segundo Salter (1985) Dentre as causas da paralisia cerebral podemos destacar:

Principais causas durante o parto:
? Falta de oxigênio ao nascer; o bebê demora a respirar, lesando parte(s) do cérebro;
? Lesões causadas por partos difíceis, principalmente a dos fetos muito grandes de mães pequenas ou muito jovens;
? Trabalho de parto demorado;
? Mau uso do fórceps, manobras obstétricas violentas;
? Os bebês que nascem prematuramente, antes dos nove meses e pesando menos de 2 quilos, têm mais chances de apresentar Paralisia Cerebral.

Principais causas depois do nascimento:
? Febre prolongada e muito alta;
? Desidratação, com perda significativa de líquidos;
? Infecções cerebrais causadas por meningite ou encefalite;
? Ferimento ou traumatismo na cabeça;
? Falta de oxigênio por afogamento ou outras causas;
? Envenenamento por gás, por chumbo, esmalte, cerâmico, pesticidas agrícolas etc.
? Sarampo;
? Traumatismo crânio-encefálico até os três anos de idade.

Consequências dos danos que a paralisia cerebral causa ao cérebro: Segundo Dr. K. Bobath e Mrs. B. Bobath, 1980, p.14 e 15 explica que: devido à lesão do cérebro no começo da infância, o desenvolvimento da criança com paralisia cerebral é retardado, ou parado, e torna-se desorganizado e anormal. Em muitas crianças com pa-ralisia cerebral, assim, vê-se uma insuficiente, ou total falta de controle da cabeça, e também um desenvolvimento incompleto da habilidade de usar as mãos e os braços, para o apoio, para alcançar, para agarrar e para manipulação, faltando também à criança o equilíbrio e o controle de suas posturas, especialmente no sentar, ficar de pé, e andar.

A criança espástica é endurecida e se estiver deitada de costas terá a cabeça geralmente puxada para trás e não pode levantá-la ou só o faz com grande esforço.
Geralmente, ela é incapaz de levar os ombros e os braços para diante e as-sim não pode dobrar sua coluna, nem sentar-se, nem puxar-se para sentar.

Se uma criança for parcialmente envolvida, como por exemplo, apenas as pernas estiverem afetadas, ela pode ser capaz de sentar-se levando a cabeça para diante e puxando-se com os braços, mas terá de usar os braços para apoio e se ela os levantar para alcançar algum objeto pode perder o equilíbrio e cair para trás ou para os lados. As dificuldades motoras das crianças com paralisia cerebral podem ser olhadas como o resultado da interferência da lesão cerebral na habilidade normal de mover-se e manter a postura e o equilíbrio.
A criança é capaz de progredir com terapia multidisciplinar, os pais devem ter uma participação ativa no tratamento.
A variedade de quadros clínicos que a paralisia cerebral possui é composta de particularidades diversas, que podem ser graves, mas, com recursos de adaptação e estimulação adequada, minimizam a gravidade.
Muitas são consideradas deficientes mentais por não conseguirem se ex-pressar e comunicar-se, oral ou graficamente.
A privação da vivencia social traz prejuízo cognitivo, o auxilio tecnológico que têm surgido aumentam as perspectivas na inclusão desses indivíduos em todos os aspectos.

INCLUSÃO ESCOLAR E PARALISIA CEREBRAL

Estamos caminhando para o contexto da escola inclusiva, alunos com diferentes necessidades educacionais especiais sendo matriculada nas escolas a urgência de um atendimento de qualidade destes educandos se faz urgente. Pelas dificuldades que estes alunos apresentam em seu desenvolvimento global, é necessário oferecer-lhes um ambiente de aprendizagem onde a criatividade e iniciativa possam ser estimuladas e valorizadas, permitindo maior interação e produtividade.
Sendo o computador um dos recursos educacionais presentes nas escolas e de significativa importância para todos os alunos em especial os de Portadores Necessidades Educacionais Especiais, como os portadores de Paralisia Cerebral, a necessidade de dominar este recurso para proporcionar um ensino produtivo, criativo e eficiente.

As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação, que vem causando um auxilio significativo no processo ensino-aprendizagem, abrindo perspectivas novas de acesso ao conhecimento, possibilitando uma maneira de produzir conhecimentos através da rede digital de comunicação. Essas tendências expandiram o espaço da sala de aula para muito além, levando professores e alunos a procura de novos conhecimentos bem mais diversificados e atualizados.
O processo de integração da criança à escola inclui educação familiar, para que esses incentivem a criança a superar os obstáculos da vida escolar, preparando-os para encarar os problemas e enfrentar e se defender dos preconceitos.

Para que possam aceitar crianças portadoras de deficiências físicas, as escolas têm de reformular seu espaço: devem construir rampas, cadeiras e mesas especializadas e adaptar refeitório e banheiros, essas exigem, além de uma adaptação espacial, um material didático, personalizado, que pode encontrar auxilio na tecnologia assistiva ou acessibilidade de muitos sistemas operacionais.
A tecnologia auxilia a participação ativa do educando paralisado cerebral desde a tarefa escolar em diversas situações, na comunicação oral ou escrita, principalmente quando essa criança possui limitação e/ou ausência da fala. A tecnologia proporciona ao portador de necessidade especial independência, com isso melhor qualidade de vida, maior aprendizado e integração social.
Com base na ação de integração Corcini e Hattge
[…] “um processo de inclusão demanda o trabalho da educação e da saúde, requer equipes interdisciplinares, para que esse aluno possa ser visto na sua individualidade por diferentes olhares”(2005,p.13).

As crianças que tiveram esse prejuízo neurológico têm necessidade de professores com habilidade pedagógica flexível, pois o portador de paralisia cerebral na maioria das vezes tem dificuldades para escrever ou até nem consegue escrever, nesse momento se fará presente o computador, e o pedagogo necessitará da aptidão de mostrar que o caminho é diferente, mas o resultado é o mesmo, a condição de deficiente não o torna incapaz.
O computador com adaptações de acessibilidade que dispomos em termos de software e hardware traz infinitos benefícios.
De acordo com Rodrigues (2010) o computador tende a ser entendido como a voz, o ouvido, o movimento que a deficiência subtraiu.
A inserção dos computadores no ambiente escolar está trazendo muitos benefícios às crianças com limitação, principalmente para as que não conseguem sequer segurar uma caneta, devido à lesão, com o uso do teclado, mouse, muitas das vezes adaptados, podem escrever, desenhar e colorir com o auxilio da maquina, o estético se mostra igual “melhor” em relação ao outro.
Para a maioria das crianças portadoras de paralisia cerebral é impossível fazer um simples rabisco, o que dirá desenhar, e o computador proporciona essa atividade, a tecnologia traz ao portador de necessidade especial a oportunidade de desenvolver tarefas no âmbito educacional, e através dessa poderosa ferramenta tecnológica é possível esse individuo expor sua capacidade, seu nível de compreensão.

Informática e acessibilidade

Acessibilidade significa permitir que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluem o uso de produtos, serviços e informação; de um sistema ser de fácil uso para pessoas com necessidades especiais.
È o conjunto de tecnologia assistiva que da condição a acessibilidade, portanto tecnologia assistiva proporciona acessibilidade.
Segundo Levy (1999) as recentes tecnologias da informação estão se tronando crescente, fundamentais acessórios de nossa cultura e, a aplicação na inclusão e interação no mundo.
As tecnologias para o portador de paralisia cerebral com lesão motora leve média ou grave proporcionam controle do espaço na sala de aula, residência ou no trabalho, fazendo com que possa controlar aparelhos eletrônicos, abrir e fechar portas. A tecnologia assistiva auxilia os portadores de necessidades especiais em vários setores, mas o maior auxilio é para a educação, na e para a inclusão escolar.

Nos sistemas operacionais Windows e Linux encontramos no painel de controle, opção acessibilidade os itens para adequar o teclado, o mouse, o monitor, som para os usuários que necessitem dessa alternativa; o recurso permite controlar a velocidade do teclado, mouse, recurso de contraste para o vídeo, som ao teclar, o sistema operacional Windows dentro da opção acessibilidade tem o teclado virtual que pode ser usado para os portadores de paralisia cerebral com maior comprometimento motor, o mouse também pode ser substituído pelo teclado na opção num lock.
No mercado encontramos acessórios em nível de hardware como ponteiras que são fixadas na cabeça para o portador de paralisia cerebral poder teclar com maior coordenação, outra opção são os monitores com toque na tela, esse monitor tem o inconveniente de ter um custo alto, mas muito eficiente para os educandos em sala de aula por possibilitarem maior independência para abrirem menu, desenhar, pintar, mover objetos, escrever com o simples toque do dedo, ou da ponteira.
Para os que possuem incoordenação na mão contam com o auxilio de um teclado com uma colméia de acrílico, que é colocada com uma gaveta, o material para confecção da colméia pode ser de outro material, esse recurso no teclado auxilia para diminuir os erros de digitação.
Encontramos no mercado como auxiliar para indivíduos portador de paralisia cerebral software que além de fornecerem acessibilidade para a escrita e uso em geral do computador ainda possibilita maior interação no meio escolar, social, exemplos:
- kit saci II que compõem teclado virtual com sistema de varredura, e opções de acionadores para o mouse.
- Eugénio, o Gênio das palavras – para facilitar a digitação, funciona como editor de textos próprio. O programa sugere palavras para completar o texto que está sendo digitado.
- Comunique usado para comunicação oral e escrita de pessoas com dificuldade motora, pode ser acessado através do teclado, mouse, joystick, tela sensível ao toque, acionadores, sopro ou voz.
Esses são alguns exemplos que encontramos no mercado existem muitos outros softwares livres ou proprietários e hardware para auxiliar na acessibilidade.
A limitação do portador de paralisia cerebral está no corpo que acaba por traz limitações para demonstrar sua inteligência e pequenas adaptações são ações suficientes para proporcionar acessibilidade e acesso a informática.

Segundo (Lisboa, 1990, p. 10) as possibilidades conjugadas do equipamento informático (.) da robótica (..) dos programas(..) do controle remoto alargam as possibilidades de desempenho das pessoas portadoras de deficiência até o limite do assombro..

Algumas experiências

Aqui ilustraremos com o depoimento coletado nas salas de espera da AACD e da Clinica de reabilitação Grhau, relatos elaborados a partir de vivencia dos pais, a colocação das dificuldades para esses indivíduos mostrarem o seu potencial cognitivo em virtude da limitação física causada pela lesão neurológica que a paralisia cerebral trouxe pessoas que deram seu depoimento e autorizam a colocação neste artigo com os descrito abaixo;

J.S.D. (32ª.) mãe de uma criança de 6 anos portadora de paralisia cerebral coloca que G.B.D. está na fase de alfabetização, processo este de descobertas e aprendizagem, onde, através de junções de símbolos podemos expressar nossas idéias. É nesse processo também, que o educador precisa receber ou mesmo perceber as respostas das atividades propostas, para poder avaliar o grau de aprendizagem desse aluno e direcionar seus trabalhos. Ela conta que o G. é uma criança inteligente, mas muito irritada, pois ela não tinha como se explicar, as crianças não se aproximavam dela, acho que pelos movimentos bruscos e involuntários, mas percebemos desde pequenino que entendia, ele foi para uma escola que recebia somente portadores de paralisia cerebral e na medida do possível após a alfabetização os incluía numa escola de ensino regular, nesse local a fonoaudióloga e a terapeuta ocupacional, colocaram um teclado adaptado e fizeram algumas solicitações, em poucos meses com alguns recursos de adaptação para digitar e no teclado G. dominou o equipamento fazendo descobertas sozinho, ele foi alfabetizado, e atualmente freqüenta uma escola de ensino regular.

Mas há vinte anos crianças com mesmo potencial tiveram muita dificuldade para provarem seu cognitivo, pois não havia o recurso tecnológico, crianças que hoje são adultos e podem fazer uso dos benefícios da informatização como J.H. I portador de paralisia cerebral, mas hoje um adulto. Um menino por volta dos meados dos anos 80 fez uma avaliação pedagógica em uma Instituição e a psicopedagoga não estava conseguindo avaliar essa criança, pois ele não falava devido à lesão neurológica, apesar de ter um bom cognitivo, sua mãe interferiu, mostrando como para essa profissional de que forma essa criança poderia ser avaliada dando-lhe opções através de alternativas, a pedagoga não gostou da interferência e continuou; fazendo perguntas para a criança como: é dia ou noite e outros questionamentos.. mas a criança não teve como mostrar o questionamento que lhe estava sendo feito, pois ela não falava; a profissional não deu opções para a criança mostrar se sabia, pois essa também tinha movimentos destorcidos nada conseguia… esse menino não foi aceito nessa única instituição que na época poderia aceita-lo.. depois disso seus pais continuaram insistindo em escolas particulares especiais e essas muito caras também lhes mostraram a impossibilidade. Aos nove anos em uma escola que atendia somente portadores de paralisia cerebral, após alguns meses recebeu a “sentença” de uma professora que ele deveria ir para outra escola, pois não aprenderia a ler e escrever. Esse menino foi alfabetizado, e quando ganhou seu primeiro computador.. o resultado.. ele escreveu um livro muito simples, mas com suas próprias palavras.. E passado alguns anos encontrou-se novamente nessa instituição com essa mesma professora que se dirigi a ele o cumprimentando, a mãe citou outro colega que tinham tido informações dele e a educadora perguntou aonde seu irmão encontrou o Jimi e o menino que nunca irei ler e escrever, respondeu para essa professora em sua prancha de comunicação usando o alfabeto “Em Hong Kong”.. acho que não é necessário descrever mais nada a esse respeito….

Depoimento da mãe:
“O individuo pode mostrar com o auxilio da tecnologia que, apesar das limitações, pode fazer parte da sociedade, e que pensa, tem sentimentos como todos nós, mas que necessita desses recursos.
A grande dificuldade é que as pessoas conhecem muito pouco e se assustam quando de deparam com uma prancha de comunicação e não imaginam que é muito simples. Alguns adultos, isso não é regra, logo colocam: “ Eu não sei usar isso” ou ainda “ Eu não te entendo, só a tua mãe” Já para as crianças tudo é fácil e simples, elas sempre o entendem, sem auxilio e /ou explicações.
Quanto aos métodos eletrônicos, esses são mais sofisticados, tudo tem de ser adaptado, pensado e repensado, varais vezes, refeito; com isso perdemos tempo, dinheiro e saúde. Muitos pais não dispõem de tempo livre e de profissionais e, portanto, não conseguem proporcionar tudo isso que poucos pais podem fazer…”

Segundo as terapeutas Regina Y. S. Chun e Eliana C. Moreira o trabalho terapêutico teve continuidade com a inserção do computador, e os progressos de linguagem do sujeito – J.H.I. – envolvendo também a escrita, tiveram como resultado concreto a publicação de seu primeiro livro. Esse exemplo ilustra a importância da tecnologia para esses indivíduos.
A principal motivação do presente trabalho está no auxílio que a informática representa para as crianças que apresentam limitações físicas de aprendizado causado pelos efeitos da paralisia cerebral.
Com base nessas historias queremos mostrar o quanto tudo mudou com o auxilio da informatização.
Segundo Valente (1993) coloca as possibilidades de uso do computador na Educação: ensino através do computador, o computador que ensina o aluno e ainda o aluno “ensina” o computador. Essas colocações apresentam o quanto à informatização é benéfica na educação.

Considerações Finais

O sucesso do processo de inclusão está diretamente ligado à possibilidade de reconhecer as diferenças e aceitá-las, e não ignorá-las, isso não significa colocar toda criança com necessidades educacionais especiais na sala de aula regular e esperar que elas aprendam pela proximidade com seus colegas da mesma idade. Respeitar as diferenças é criar oportunidade, dar recursos necessários para que a criança aprenda, pois até mesmos os “normais” tem suas diferenças. Muitas vezes recursos simples como letras e ou textos escritos com letras maiúsculas e com o auxílio de um computador e adaptações caso necessários.
No Brasil segundo o IBGE (2000) existem 15% de pessoas com necessidades especiais, conforme gráfico demonstrativo abaixo, portanto não é um problema que possa ser ignorado.

A tecnologia nos últimos anos vem sendo utilizada para facilitar a vida dos homens. Para as pessoas portadoras de necessidades especiais, a tecnologia é a diferença entre o “poder” e o “não poder” realizar atividades seja na escola, no trabalho, e até mesmo como lazer.
Chegamos a um novo tempo, que o homem cuidará do outro, acreditará e valorizará o ser humano, não pelo sentido estético, mas pela grandeza que cada um pode demonstrar
Sabe-se que as novas Tecnologias vêm se tornando, de forma crescente, importantes instrumentos de nossa cultura, um recurso utilizado na inclusão e integração dos portadores de algum tipo de deficiência, e neste trabalho enfocamos, em especial, o portador de Paralisia Cerebral.
A constatação é ainda mais evidente e verdadeira quando se refere a pessoas com dificuldades na comunicação (oral e escrita), na funcionalidade e locomoção.
O fato de o computador auxiliar na produção de tarefas, mostra ao educador e ao educando a compreensão do que está sendo feito, torna explicito os raciocínios apresenta o estético bem produzido, faz com que o aluno comece a mudar de atitude e passe a perceber seu real potencial. Sua capacidade é explicita com o uso do computador e pode ser observada e analisada por qualquer pessoa que com ele conviva ou não, com isso produz mudanças no modo de como o percebem e em suas atitudes. Tudo isso contribui para que ele construa um sentimento auto-estima, e de que é capaz de melhorar sempre.
Segundo Chun e Moreira, p.111 cap. VII, a tecnologia é um instrumento importante para assistir as pessoas com deficiência, contudo, não é a tecnologia ou qualquer sistema por si só que possibilita as vantagens acima apontadas, mas, sim, a atuação com o portador de necessidades especial e sua interação. O objetivo não esta voltado ao recurso as er utilizado, mas em oferecer condições de vida mais próximas daquelas consideradas “normais”, favorecendo a inclusão social ao portador de paralisia cerebral, contribuindo, dessa forma, para o exercício de sua cidadania.
Este sentimento o impulsiona para novos desafios, isso significa continuar a aprender e melhorar sua capacidade de pensar e de realizar tarefas.

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e-mails

Para Solicitar o CD-ROM do software comunique e-mail: adm@comunicacaoalternativa.com.br

AACD Associação de Assistência a Criança Deficiente – Av. Prof. Ascedino Reis, 724 – Ibirapuera – Fone 5573-1015
GRHAU – grupo de reabilitação e habilitação unificado – Rua Jorge Chammas, 294 – Vila Mariana – fone – 5579-7909

Siglas:
AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente
IBGE – Instituto Brasileiro de Geográfico e Estatística

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