A Defesa Nacional

Observamos no transcorrer da História em espaços variáveis de tempo o conflito entre as nações. O mundo naturalmente é ciclicamente colocado diante desse flagelo, à égide da guerra guia, infelizmente, a marcha evolutiva dos povos, afinal a própria idéia de estados nacionais está intrinsecamente ligada ao conceito da guerra, um não é formado sem o outro. A paz é um conceito irreal no plano das nações e só pode ser alcançada de duas maneiras, a primeira é a subordinação aos interesses estrangeiros onde aceitamos e reconhecemos a superioridade de determinada potência, a outra maneira de estabelecer-se a paz ocorre quando há um relativo equilíbrio de forças militares entre os estados, pois é natural que uma nação mais desenvolvida no aspecto bélico use dessa força superior para defender seus interesses, mesmo que em detrimento aos interesses e aspirações de outros povos livres, espero não estar cortando o coração dos mais românticos, mas a realidade é essa e repleta de incoerências, o processo de paz é um deles. A paz só é alcançada pelos que se submetem ao julgo opressor ou por aqueles que se preparam para a guerra, o maior pacifista ou é um covarde que aceita o domínio estrangeiro ou é um guerreiro que melhor se prepara para o combate, não há meio termo, nada contradiz esse argumento, mas infelizmente a maioria não consegue assimilar esses conceitos.

Partirei da hipótese de que optamos em defender nossa identidade como país, e por não sermos covardes não nos submeterá a cangalha da dominação, diante disso a reestruturação militar se faz necessária, mas a militarização não significa que tenhamos aspirações guerreiras, pelo contrário, buscamos a preservação da paz.
As forças militares do Brasil devem ser urgentemente reorganizadas de modo que possamos oferecer alguma resistência que torne desinteressante por parte de alguma potência militar uma incursão em nosso território, mísseis balísticos de longas distâncias, armas nucleares (exceção aos submarinos e navios nucleares que são armas de defesa) ou qualquer outro tipo de armamento de destruição em massa não são estrategicamente interessantes a nossa realidade, não cobiçamos o território de nenhuma nação, justamente o contrário, somos o objeto de cobiça internacional e a cada ano a volúpia dos olhos dos povos do norte está aumentando. Nossas forças armadas devem concentrar em ações que visem nossa defesa territorial e para que esse objetivo seja plenamente alcançado a ocupação de nossas fronteiras deve ser efetivada de maneira contundente. Nas regiões onde não há fronteiras secas, não vejo a necessidade da existência de grandes unidades militares do exército, com exceção dos centros e escolas de formação as demais unidades devem ser urgentemente remanejadas. A ênfase deve ser dada aos estados fronteiriços da região amazônica, centro-oeste e do sul.

O exército necessita urgentemente de um total reordenamento logístico, começaremos analisando a questão referente a real eficiência defensiva dos comandos militares do exército, pode parecer que me limito apenas a mudanças nessa força militar, mas em face de sua importância o seu reordenamento por si já implica unilateralmente as outras Forças Armadas, Marinha e Aeronáutica.

O Comando Militar do Nordeste (6ª, 7ª e 10ª Região Militar), o Comando Militar do Leste (1ª e 4ª Região Militar) e o Comando Militar do Sudeste (2ª Região Militar), responsáveis pelas áreas correspondentes ao Nordeste e Sudeste Brasileiro respectivamente constituem em regiões de relevante importância militar estratégica pelo fato de serem ricas e margeadas unicamente pelo Oceano Atlântico. Na hipótese de alguma agressão estrangeira, a história moderna dos conflitos demonstra que o fator que determina o sucesso ou revés nas campanhas de defesa de regiões litorâneas é definido pela disponibilidade de recursos aeronavais, uma Marinha dotada de eficientes navios de guerras onde modernas fragatas e corvetas, apoiadas por submarinos com grande autonomia e porta-aviões dotados de caças modernos possibilitariam uma satisfatória defesa de nosso território, e que se confirmaria se acrescentarmos o emprego de uma Força Aérea dotada de aviões e sistemas de radares modernos e bases de lançamentos de mísseis que pelo seu poder de fogo desestimulassem o inimigo, que temeria o nosso poder de reação.

Essas regiões litorâneas brasileiras correspondem justamente às regiões com maior concentração populacional, desenvolvimento agroindustrial e sem mencionar que além de ser a localização da maioria de nossas hidrelétricas, termoelétricas e usinas nucleares, a nossa principal matriz energética, o petróleo, é proveniente de plataformas continentais do nosso mar territorial, fatores que as definem como áreas suscetíveis a maciços ataques aéreos em caso de agressões estrangeiras, sua defesa requer um melhor aparelhamento de nossa Marinha e Aeronáutica, e ambas devem contar com unidades significativas de infantaria, o Exército Brasileiro seria melhor utilizado se remanejado para as regiões de fronteiras secas onde o Comando Militar do Oeste (9ª Região Militar) que corresponde aos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e o Comando Militar do Sul (3ª e 5ª Região Militar) correspondente aos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são vizinhos de nações que apesar de no momento não constituírem ameaça, podem em um futuro próximo, até devido a influências de nações de outros continentes, constituírem. Não podemos priorizar a defesa nacional acima de qualquer outra prioridade, afinal apesar de sua vital importância nós como um país que ainda não alcançou plenamente o seu desenvolvimento tem urgências que diariamente batem em nossa porta, mas a revitalização da estrutura militar não se restringe somente aos aspectos relacionados à defesa, essas regiões de fronteira seca possuem uma significativa parcela de contribuição nas mazelas comuns aos nossos grandes centros urbanos, onde com a real vigilância de nossas fronteiras estaríamos de forma indireta combatendo a entrada ilegal de drogas, armas e toda a sorte de produtos contrabandeados que são tão nocivos a nossa sociedade.

O Comando Militar do Planalto (11ª Região Militar) correspondente aos estados de Goiás, Tocantins, extremo oeste de Minas Gerais e Distrito Federal, apesar de não serem margeados por nações estrangeiras ou por oceanos representam no aspecto militar uma região nevrálgica pela sua centralidade, o que possibilita a distribuição, segundo critérios exclusivos da logística militar, de forças e recursos para suprirem qualquer demanda futura, sem contar é claro que geograficamente essa região é a mais apita a abrigar os núcleos de comando operacionais militares de todas as forças além é claro, já abrigar a sede do nosso poder político. Por último e por razões óbvias, a ênfase maior deve ser dada ao Comando Militar da Amazônia (8ª e 12ª Região Militar) que corresponde aos estados do Pára, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia. Para não ser maçante, não repetirei de forma pormenorizada os aspectos que nos obrigam ocupar militarmente a Região Amazônica, sua importância no cenário mundial ou o fato de estar sendo constantemente ameaçada por potências estrangeiras que clamam por sua internacionalização, com o argumento de que não somos capazes de gerir os seus recursos naturais, devemos somar a isso o fato de que vizinhos estão se armando fortemente e nós assistimos patéticos a toda essa movimentação, a história demonstra o quanto essa hesitação é nociva, em minha mente logo remete aos Acordos de Munique em 1938 quando a liderança inglesa e francesa representadas respectivamente por Chamberlain e Daladier foram os responsáveis diretos por milhões de mortes quando não cortaram o mal do nazismo quando ainda era algo insignificante, hesitando em atacar a Alemanha quando das ameaças feitas à Polônia, o mesmo parece estar acontecendo agora na América do Sul, onde governos com orientação autoritária e belicosa surgem na porta menos vigiada do Brasil, e nós ficamos completamente inertes diante da já visível corrida armamentista e uma ingenuidade típica de seres acometidos de alguma deficiência mental faz com que acreditemos que esses investimentos tenham como alvo derradeiro as grandes nações do norte, como se fosse possível que nações com um grau de desenvolvimento muito inferior ao nosso almejassem um endurecimento com as grandes potências, é claro que nossa integridade territorial é que está sendo ameaçada e não os interesses dos Estados Unidos na região. Tudo isso já sabemos, mas é comum no Brasil, como já disse anteriormente, a argumentação de que mais investimentos devam ser aplicados nas forças armadas não podem existir por conta própria, argumentos de que as aplicações desses recursos proporcionariam além da garantia de nossa soberania também a amenização de questões de cunho social, e no caso específico ambiental é quase que obrigatório. Portanto atender a esse requisito argumento que a ocupação militar da Amazônia contribuiria para que a preservação do meio ambiente, as forças armadas, Marinha, Exército e Aeronáutica, poderiam atuar como agentes na defesa de todo o ecossistema amazônico, e além de todas as implicações socioeconômicas que o aparelhamento militar consequentemente gera como o incremento do nosso parque industrial, investimentos em pesquisas, inserção social de milhares de jovens além é claro daquela velha, e verdadeira, frase de definir como fator de união nacional. Para não soar como uma criatura extremamente bélica, continuarei com o mesmo argumento de cunho social.

Esse remanejamento somente não será suficiente para garantir nossa soberania, a ampliação significativa dos contingentes militares é gritante diante da vastidão do nosso território, são aproximadamente 15000 km de fronteira seca fora os 8000 km de litoral. Nas fronteiras do norte seria necessário um contingente de aproximadamente 300.000 mil homens só do exército, dotados com um razoável aparato militar, onde o uso de helicópteros é imprescindível diante da vastidão da Amazônia, que ao contrário do que possa parecer é uma região extremamente acidentada e de dificílimo acesso, sem contar com a ampliação do efetivo da Marinha cuja dotação mínima de embarcações necessárias para a vigilância das fronteiras da região amazônica que em sua maioria ocorrem através de rios, hoje não podem ser inferior a 200 navios. A Aeronáutica necessita também da ampliação no número de suas bases e aeronaves assim como a modernização das mesmas e de um eficiente sistema de radares na região. Se tivesse a oportunidade perguntaria a cada um dos congressistas brasileiros como se dará a defesa de nossa principal matriz energética que se localiza em nosso mar territorial se não possuímos uma força aeronaval, qualquer idiota percebe que necessitamos de uma Força Aérea dotada de no mínimo 250 caças de última geração, além de um programa que possibilite a reposição dessas aeronaves, e a nossa Marinha necessita também de um aumento significativo do tamanho de sua frota, é inadmissível a ausência de pelo menos quatro porta-aviões para capitanear novas fragatas, corvetas e submarinos.

A Marinha e a Aeronáutica necessitam ainda de que dois programas fundamentais na estratégia de defesa de nossa soberania sejam incentivados de maneira contundente, o primeiro programa é o que diz respeito ao desenvolvimento de combustível nuclear para a propulsão de submarinos e navios desenvolvidos timidamente pela nossa Marinha e o segundo desenvolvido pela Aeronáutica, é o nosso programa espacial, é uma questão fundamental repto o domínio dessas tecnologias. Não podemos defender o nosso vasto litoral e suas incontáveis riquezas sem a utilização de submarinos e navios nucleares, e também é inadmissível no mundo de hoje, ficarmos reféns de outras nações no lançamento de satélites que possibilitem o monitoramento espacial do nosso território e no fornecimento de canais seguros de comunicação. Esses dois programas se incentivados garantiriam o incremento de nossa evolução científica, proporcionando que nossas universidades dessem um salto de qualidade significativo. São várias as frentes que necessitamos atuar para que consigamos estabelecer um plano de defesa eficiente e na logística militar o remanejamento de tropas é um fator determinante.

Esse aumento do contingente militar nas regiões de fronteiras no norte e sul do país, além de desestimular a cobiça estrangeira contribuiria, repito, para a amenização de vários problemas que possuímos. O número de jovens que poderiam almejar na carreira militar sua inserção social não pode ser desprezado, uma vez que a profissionalização total nas forças armadas, com o fim do alistamento obrigatório e com as possibilidades de promoção ao oficialato dos praças serviria de estímulo aos jovens de todas as regiões do Brasil. Não poderia também deixar de mencionar que as forças armadas em geral, a Marinha principalmente, promovem a inclusão dos povos ribeirinhos amazônicos, levando atendimento médico e inserindo valores de uma identidade nacional, e essas intervenções reduzem significativamente o papel das ONGS, a maioria estrangeira, que confesso não entender o motivo do governo ainda não regular e regulamentar suas atuações em nosso território onde transitam livremente sem qualquer tipo de controle. Todo o nosso parque industrial seria incrementado, a indústria naval beneficiaria significativamente assim como a EMBRAER e a ENGESA. O IME e o ITA que são dois centros de excelência acadêmica seriam mais estimulados e funcionariam como agentes estratégicos que possibilitariam a nossa soberania militar e intelectual que tanto carecemos.

Para finalizar esse tema gostaria de mencionar outro aspecto inquestionável da história da humanidade em relação às guerras, sempre, e isso acontece em todos os conflitos, são os civis que arcam com o maior ônus das campanhas militares, onde se concentram as maiores baixas e os crimes de guerra são sempre cometidos contra a população. Pergunte aos russos, o grande exército soviético foi valoroso na 2ª Grande Guerra, mas 96% dos vinte milhões de mortos nesse conflito eram civis que nunca se preocuparam em pegar em armas, ao contrário estavam mais familiarizados com a enxada, se não estiver satisfeito pergunte aos poucos judeus que conseguiram escapar no genocídio nazista na Europa, pergunte a qualquer um daqueles que conseguiram escapar do número fatídico de seis milhões o que eles faziam naqueles anos, eram soldados? Não, eram pessoas normais cujo único objetivo era cuidar das próprias vidas, eram crianças, mulheres, idosos, músicos, pedreiros… soldados até havia, mas eram poucos. Poderia ficar aqui fazendo várias perguntas nesse sentido, poderia citar as mulheres chinesas e coreanas usadas como prostitutas pelas tropas japonesas na 2ª Guerra, o que elas tinham a ver com o conflito? E aquele garotinho que brincava com sua irmã no parque de Hiroshima quando caiu a bomba atômica, que relação ele tinha com as loucuras de um governo com ambições imperialistas que queria erguer o Grande Japão na Ásia? E aquela família explodida dentro de um ônibus por caças da OTAN no Iraque? Será que eles eram colaboradores de Sadan? O que você me diria daquele menino judeu que jogava bola em Jerusalém quando perde a perna vitima de míssil palestino? Ele tinha algo a ver com o conflito árabe israelense? Ou aquele pai que perdeu toda a sua família depois de um ataque aéreo judeu na Faixa de Gaza, ele era um terrorista? Poderia ficar escrevendo nessa linha indefinidamente afinal não faltam exemplos, mas o que quero deixar claro é que essa distinção que se faz em relação à causa militar como se ela fosse dissociada dos interesses civis é absurda, além de ser um erro historicamente comprovado. Sou brasileiro, pacifista, humanista e acredito piamente no direito de autodeterminação dos povos, mas infelizmente gostaria que fosse desprovido de qualquer resquício de inteligência, pois assim acreditaria na bondade e fraternidade entre as nações, a bondade e fraternidade existe entre os homens nunca entre os governos, infelizmente.