A Concessão para Assaltos

transparenciaUma das obrigações do Estado é garantir a segurança de sua população, e isto faz parte da Constituição Federal. Durante uma manifestação de protesto, aqui na cidade de Belo Horizonte, causada pelos aumentos absurdos no preço da gasolina, além de seu boicote por parte das distribuidoras, um cidadão manifestou a sua indignação, dizendo à repórter que o entrevistava: “O governo brasileiro precisa mostrar ao povo para onde está indo todo este dinheiro, nosso país é o que tem uma das maiores cargas tributárias deste planeta!”.

Muito justa a sua manifestação, e muito mais ainda a sua indignação. O dinheiro que o governo arrecada com os impostos, por obrigação constitucional, tem que ser canalizado, em primeiro lugar, para atender às necessidades de moradia, educação, assistência médica, e segurança entre outras. Mas, como nós brasileiros fomos acostumados a “engolir o gato de ré”, não nos damos conta do que vem acontecendo com o nosso rico dinheirinho, que enche abundantemente os cofres do governo. O BNDES tem dinheiro saindo pelo ladrão para emprestar, mas não empresta e o mesmo acontece com o BDMG. Freando o crescimento econômico, o governo Dilma retira do mercado mais de cinqüenta bilhões de reais, que poderiam e deveriam ser aplicados no desenvolvimento industrial e na geração de mais empregos. Agora, concordando com aquele rapaz indignado, que queria saber para onde vão os nossos bilhões, onde está a verba que deveria ser destinada para a segurança pública?

É um desrespeito à nossa inteligência, e à nossa dignidade como cidadãos brasileiros, termos que ouvir que em uma cidade de Santa Catarina, um estado que tem mais de cento e vinte e três bilhões de PIB no ano de 2008, uma de suas principais ruas de comércio tem que conviver com assaltos diários, em várias lojas e diuturnamente, por falta de policiamento. Não se vê um só policial num raio de duzentos metros. A argumentação para que tal quadro permaneça sem alterações, beira o inverossímil: “Não podemos aumentar o efetivo policial, para não contrariar a Lei de Responsabilidade Fiscal”. Isto é, simplesmente, uma concessão para que os assaltos permaneçam acontecendo, com uma conotação de institucional. Enquanto se rasga a Carta Magna todos os dias neste país, interesses escusos são defendidos a unhas e dentes. Isto é brasilidade.