A Árvore que dava Dinheiro

Livro de Domingos Pellegrini para o público infanto-juvenil, mas com certeza, uma história para todas as idades. Em Felicidade, pequeno povoado de algum lugar, morava um velho rico, mas extremamente sovina. Vivia num belo sobrado. Almoçava sempre feijão com chuchu e jantava chuchu com arroz. Comprou diversas casas e tomou posse de outras, quando, emprestando dinheiro a juros, tomava-as daqueles que não conseguiam lhe pagar. Sua morte abalou o povoado e teve um velório concorrido com muitos moradores querendo alguma coisa. Deixou o sobrado para a sua velha empregada e as casas alugadas para os próprios inquilinos. Foi enterrado como indigente num caixão sem verniz e sem flores. Em testamento deixou três sementes para que fossem plantadas em cerimônia pública.. Das três sementes, apenas uma brotou. Cresceu rápido e desenvolveu uma flor de uma pétala só: uma nota de dinheiro.

A Árvore que dava Dinheiro

A Árvore que dava Dinheiro

Foi encontrada por um garoto que a levou à sua mãe, que conseguiu com ela suprir algumas necessidades de sua casa. Um dia, depois de um vendaval, caíram muitas notas ainda inacabadas, provocando um corre-corre de gente olhando o chão, procurando a outra parte das notas. A partir daí sempre acontecia de alguém encontrar algumas notas no chão, porém ninguém comentava a respeito. Quando voltaram a cair, a multidão avançou pegando suas notas e pedaços de galhos para plantar em seus próprios quintais. Estavam enlouquecidos: queriam aquele tesouro perto de si. As plantas começaram a se reproduzir. Chegou a primavera. Todos aguardavam ansiosos as flores que brotavam no cume da árvore, aguardando as notas voarem. Quando enfim caíram o povoado ficou cheio de dinheiro e o povo foi às compras. Os comerciantes aumentaram de maneira absurda o preço de suas mercadorias. Todos se fartavam. Passado um tempo, os comerciantes só queriam aceitar moedas, criando um problema para o povo. Passaram a fazer trocas de mercadorias. Os turistas invadiram a cidade curiosos para conhecer as árvores que davam dinheiro.

O povoado cresceu. Começaram a vender os seus produtos para os turistas, recebendo o que eles chamavam de “dinheiro de verdade”. O das árvores voava, espalhando-se e apodrecendo. Estavam todos muito ocupados produzindo e vendendo todo tipo de mercadorias. A paisagem foi mudando, um sobrado virou hotel; um casarão, pensão; alugavam-se quartos de fundos. Nas ruas, um trânsito de carros, ônibus, motos e bicicletas. Vieram as primeiras agências bancárias. Num belo dia as árvores pararam de dar dinheiro. Desesperados, os moradores passaram a colar nos galhos, as notas que encontravam no chão dos quintais para enganar os turistas. Depois, a vender-lhes as notas. E assim, o lucro continuava. As folhas das plantas acabaram definitivamente. O movimento acabou..

Todos podaram raízes e galhos de suas plantas. Homens, mulheres e crianças não tinham mais o que fazer. As árvores voltaram a crescer, mas uma praga de lagartas devorou suas folhas. Depois uma praga de gafanhotos devorou as lagartas. As plantas cresceram invadindo os espaços: quintais, ruas e estradas. mas eram somente galhos e folhas, sem uma única flor. Agora em Felicidade, seus habitantes arrancavam tudo e queimavam. O clima tornou-se insuportável. O mato secou. Veio uma enxurrada que alagou tudo, e os resíduos de sementes trazidas pelos no ventos brotaram e geraram novamente plantas normais que, desta vez, deram suculentas e gostosas frutas que todos apreciaram.E assim Felicidade voltou à sua vidinha trivial e tranqüila.

  • Fernanda

    eu já li o livro, e está faltando coisa! Que o dinheiro virava pó quando passam pra lá da ponte, e isso é o importante né? .-.