A Arte de Compreender Nosso Semelhante – Uma Arquitetura da Construção de Si Mesmo

A arte de compreender nosso semelhante está no equilíbrio de nossas ações e reações. E saber que não somos iguais, mas sim semelhantes, com similaridades e distinções que vão muito além do que simplesmente podemos observar. Cada ser humano é composto por experiências únicas de emoções, sentimentos, palavras e ações, distribuídas entre inúmeras ramificações que variam entre vicissitudes e vitórias. Nossa consciência atribuída a nossa memória, exemplifica quantitativamente e qualitativamente nossas emoções, angústias, medos e receios.

Vivemos em um mundo onde queremos a todo instante firmar nossa posição superior em relação às diversidades simultâneas. Ao invés de nos preocuparmos simplesmente com o trilhar de nosso próprio caminho, também queremos participar ativamente no caminho do outro, e distribuir nossos sinais de alerta de acordo com nossas próprias conveniências. Também podemos tomar o devido cuidado, ao achar que o caminho que estamos percorrendo, é sempre o melhor, mais seguro, mais dinâmico e preciso. E por muitas vezes nos esquecemos que a outra parte, está no mínimo inserindo a mesma situação em seu próprio caminhar.

Neste importante momento, aparece uma chave vital para a convivência pacífica entre seres da mesma espécie, considerada por muitos como sendo a ponte estrutural da construção social do ser humano, o precioso respeito. Mas é bom sempre lembrar que respeito não significa obrigatoriamente concordar com o outro lado, é possível discordar com respeito. Este caminho pode ser o início de uma navegação por mares mais tranquilos, dentro daquilo que chamamos liberdade.

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A arte de compreender nosso semelhante seja talvez um dos caminhos mais obscuros que o homem atual e moderno almeja alcançar. Pois a tendência natural é antes de qualquer coisa, buscar sempre ser primeiro compreendido, a todo instante acolhido por tudo e por todos, e quando isso não acontece, a carência travestida de inveja, orgulho, ciúme, raiva, ódio, rancor e vingança, preenchem praticamente todos os espaços possíveis. Podemos inserir, por exemplo, a força do amor como real transformação do ser humano. Podemos inserir a compaixão, como escada evolutiva do ser que pensa e age. Podemos até destacar os parâmetros vitalícios do ego, em detrimento a construção de si mesmo, mas sempre existirá um momento determinado e específico dentro da vida de cada um, que um indivíduo sempre se encontrará com outro e assim por diante.

Para o real polimento do ser, é necessário sim o atrito, os conflitos, as divergências, mas isso não poderá nunca enveredar para violência, pois toda força bruta é antes de qualquer coisa um sintoma de fraqueza. O barulho exterior que uma pessoa pode fazer, nunca será proporcional, diante das inquietações da alma. Pois o trânsito interno de pensamentos proporciona uma revolução tardia à desenvoltura da construção de si mesmo. Não existe maior e melhor estratégia da construção de si mesmo, do que tratar seu semelhante da mesma forma que gostaria de ser tratado. A partir do momento que o homem encontrar o real significado do sentido da vida, o céu interior de cada um será com certeza menos nublado.

Antes de amar o próximo, procurar a amar a si mesmo, antes de acreditar em alguma coisa, acredita em si mesmo e assim por diante. O famoso faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, não faz morada no que diz respeito à edificação de si mesmo. Não adiantará buscar atalhos, para chegar mais rápido ao reconhecimento, pois quem tem pressa de chegar, tardio é o coração saudável.

A arte de compreender nosso semelhante pode ser tanto um paraíso como um inferno, dependerá somente da própria pessoa. Não adiantará sempre colocar a culpa no outro, diante de suas limitações. Colocar a nossa frente as nossas próprias responsabilidades é um método eficaz da construção de nossa própria vitória. E quando finalmente vencermos, a luta continuará, pois não poderemos jamais nos envaidecer diante de nossos brilhos, pois se confundirá com o simples verniz, que se ofusca com o passar do tempo. Devemos medir nosso índice de irritabilidade constantemente, pois este é nosso melhor termômetro diante de nossa realidade. O farol é buscar transformar a si mesmo, antes de querer modificar alguma coisa no outro. E finalmente buscar a verdadeira felicidade, que pode ser muito mais do que um simples estado de espírito, mas sim uma agradável rotina pela eternidade.

Aquele que não encontrar erro dentro de si tem que viver procurando, e se não estiver encontrando é sinal de que a procura não esta sendo bem feita.